| Subject: Secretário-geral do PCP acusa Governo de falta de coragem perante "intocáveis" |
Author:
Lusa
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Date Posted: 29/05/05 1:15:11
In reply to:
Jerónimo de S
's message, "Sobre as medidas apresentadas pelo Governo, de «controlo das finanças públicas»" on 26/05/05 19:19:58
Secretário-geral do PCP acusa Governo de falta de coragem perante "intocáveis"
Santarém, 28 Mai (Lusa) - O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje, em Santarém, o Governo socialista de não ter "coragem para atacar, ou pelo menos tocar, nos santuários intocáveis dos grandes senhores do dinheiro".
Jerónimo de Sousa, que encerrou o encontro distrital de Santarém da CDU, que reuniu centena e meia de militantes e independentes num hotel da cidade para preparação das autárquicas de Outubro, insurgiu-se contra a "bem encenada peça +dramática+" para "atacar o défice" que visou "desresponsabilizar o Governo dos seus compromissos eleitorais".
Criticando as medidas anunciadas esta semana no Parlamento pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que classificou de "novos sacrifícios e penalizações para os mesmos do costume" e "repetição das receitas e soluções neo- liberais dos governos PSD/CDS-PP e PS de António Guterres", o líder comunista disse não ver qualquer coragem em atingir "os que não têm capacidade reivindicativa".
"É possível aumentar e muito a receita fiscal promovendo, entre outras, a revisão drástica dos privilégios ilegítimos concedidos às zonas francas, nomeadamente às operações e instituições financeiras e às sociedades gestoras de participações sociais, tendo por meta a sua completa abolição", defendeu.
Jerónimo de Sousa apontou como outra medida alternativa às anunciadas a reforma dos impostos sobre o património, com a criação de um imposto geral sobre o património mobiliário e a tributação das operações de venda de títulos em bolsa, denunciando que, "aí, nesses interesses, o PS não tem coragem de mexer".
"É escandaloso que esta gente venha uma vez mais pedir sacrifícios quando nos jornais encontramos lucros fabulosos do capital financeiro, dos grupos económicos, dos accionistas, muitos deles de empresas que foram roubadas ao Estado e entregues ao grande capital e que hoje faziam falta para endireitar as contas públicas", afirmou.
O secretário-geral do PCP propôs, entre outras medidas para contenção da despesa, o fim do "laxismo nas dotações de despesas não essenciais, desnecessárias e injustificáveis, o combate à multiplicação de instituições e serviços públicos com funções sobrepostas, a rigorosa transparência na concessão de auxílios públicos a interesses privados, a restrição nas despesas nos gabinetes governamentais".
No seu entender, o caminho apontado pelo Governo PS "não é inevitável", pelo que apelou à mobilização dos trabalhadores, "em particular os trabalhadores da função pública", e das populações "para que respondam a esta nova e mais gravosa ofensiva contra os seus legítimos interesses e direitos".
Jerónimo de Sousa reafirmou ainda a sua oposição à realização do referendo ao Tratado da Constituição Europeia em simultâneo com as eleições autárquicas e ao clausulado da Constituição, apelando ao empenho na campanha do não.
Pediu ainda uma "clara demarcação e pronta denúncia" às propostas de alteração do sistema eleitoral autárquico da autoria do PS e do PSD, "que impedem que seja o povo a eleger directamente as câmaras municipais, liquidando praticamente o funcionamento colegial e o pluralismo nos executivos municipais".
O líder comunista pediu "confiança, organização e coração ardente" para um reforço da CDU nas autárquicas de Outubro, advertindo que "não há batalhas ganhas ou perdidas antes de serem travadas".
Dos 21 concelhos do distrito de Santarém, a CDU não tem qualquer representante eleito em quatro (Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal e Ourém) e detém três câmaras municipais (Constância, Chamusca e Benavente), tendo sido hoje lançado o desafio para "retomar posições do passado", nomeadamente Alpiarça e Coruche (perdidas para o PS).
MLL.
Lusa/Fim
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