| Subject: O "teleespectador" tentou, com manhosice, vender-nos gato por lebre. Cá vai a crónica completa |
Author:
João Luís
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Date Posted: 20/05/05 22:35:06
In reply to:
Augusto Mendes
's message, "Como os críticos de TV comunistas vêm o contra-informação." on 19/05/05 17:47:42
Uma crónica de televisão é uma crónica do efémero, do que passou ou na véspera, ou sendo semanal como a do Correia da Fonseca, do que passou na semana anterior. Uma crónica de televisão de há cinco anos atrás só é mínimamente entendível se for transcrita na totalidade.
O que este "teleespectador" fez, não é sério. O que ele fez foi amputar a crónica do Correia da Fonseca e tentar vender-nos como uma "tese" sobre o Contra-informação, o que não passou de uma crítica a um episódio concreto desse programa.
O "teleespectador" tentou, com manhosice, vender-nos gato por lebre.
Aqui vai a crónica completa de Correia da Fonseca de 11 de Maio de 2000, digo bem, 11 de Maio de 2000, de que o "Telespectador nada sério" só transcreveu uma parte:
Sem princípios mas com fins
TVisto • Correia da Fonseca
No decurso da breve polémica, ou daquilo que nem chegou bem a sê-lo, que opôs versões ou entendimentos discordantes de Álvaro Cunhal e Cavaco Silva quanto a posição há anos tomada por este último perante o Conselho de Estado, veio publicado na imprensa diária um depoimento do general Ramalho Eanes: segundo ele, não conhecia a matéria em litígio por então já não ser presidente da República, mas podia dizer que de todas as afirmações que ao longo dos anos ouvira a Álvaro Cunhal nenhuma era falsa.
Este respeito por um homem que aliás continua a ser geralmente respeitado, apesar do recente regresso de uma campanha antiCunhal emergente do pavor por ele continuar em condições e na disposição de lembrar verdades fundamentais, não é partilhado pela equipa do «Contra-Informação», micro-rubrica que há dias comemorou o 4.º aniversário no meio de grande festa mediática de autopromoção publicitária.
De facto, Cunhal é, sem dúvida, não apenas uma das figuras mais rudemente caricaturadas no seu programa mas também a que é objecto de mais distorções de efeito calunioso.
De resto, os comunicados são, entre todos quantos servem de pretexto aos sucessuvos «sketchs» da rubrica, aqueles contra quem é dirigida a deformação politicamente mais nociva: a anteposição aos seus nomes ou apelidos da palavra «cassete» – que consagra, recorda e confirma uma calúnia infame desde sempre utilizada pelos seus adversários que, eles sim, não são capazes de sair das suas «cassetes» de comunismo primário.
Ora, na passada segunda-feira todo o «Contra-Informação» se aplicou de uma ponta à outra numa espécie de comício contra a imagem, não apenas visual, do dirigente comunista.
A seu lado surgiu também a caricatura de Odete Santos, desde sempre alvo de um tratamento verdadeiramente feroz por parte da rubrica, de tal modo que esta se sentiu obrigada a moderar a agressividade da caricatura exibida, e de há uns tempos a esta parte incursa na acusação de ser «estalinista».
Isto porque, entrevistada por uma revista, Odete cometeu há meses o pecado de dizer que «não riscava Estaline da História».
Essa gente sem princípios mas com fins que ao longo de décadas censurou a URSS de Estaline por ter apagado Trotsky de alguma documentação histórica não perdoa a Odete o recusar-se a fazer o mesmo a Estaline.
Os complacentes espancados
Ora, como todos puderam ver, aconteceu que nestes recentes festejos do aniversário do «Contra-Informação» surgiu nos ecrãs, uma grande parte dos políticos que ao longo dos quatro anos ali foram caricaturados, ridicularizados, achincalhados, descredibilizados, todos a louvarem a rubrica em diversos tons, a celebrarem a sua inestimável utilidade, felicíssimos por o «Contra-Informação» ser assim como é.
Convém dizer aqui que também vi por lá Carlos Carvalhas e Odete Santos, mas não para se desfazerem em aplausos e salamaleques; pelo contrário, embora não se tendo furtado a deporem, apenas formularam objecções quanto à forma como ali têm sido caracterizados. Quanto a todos os outros, as fórmulas utilizadas foram de maior ou menor elogio.
Parece esquisito, e de tal modo que o mais natural é imputar tanto «fair play» democrático à conta de pura e simples cobardia, à tentativa de passar a mão pelo pêlo da fera que se teme e que morde quanto queira, por mais que ela repugne e que empeste de fedor tudo à sua volta.
Porém, a prática privilegiadamente anticomunista, e de um anticomunismo de facto militante, do «Contra-Informação», lança sobre o fenómeno uma outra luz que permite compreendê-la melhor: nem tudo será cobardia, se bem que a cobardia também por lá ande.
Para a humilhante rendição de um Jorge Coelho, de um Durão Barroso, de um Guterres, perante o programa que sempre fez o seu negócio espancando-nos publicamente e cobrindo-nos de ridículo, terá contribuído também, talvez decisivamente, o facto de «Contra-Informação» ser um aliado de peso, como as sondagens de audiência provam, na cruzada ideológica e de propaganda sem escrúpulos contra o PCP.
Por esse inestimável mérito tudo lhe é perdoado, e até são esquecidos valores que se diriam fundamentais como a vergonha e o sentido da dignidade própria.
Há que fazer sacrifícios e engolir muita lama para reforço da guerra permanente contra os que, eles bem o sabem e o pressentem, estão do lado do que é justo e têm o futuro do seu lado.
Pois estes complacentes espancados são gente com certos fins. E, quanto ao resto, nem sempre se pode.
«Avante!» Nº 1380 - 11.Maio.2000
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