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Subject: na tensão dialéctica da realidade e da mudança, foi a realidade que se impôs ao BE


Author:
Jorge Gonçalves
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Date Posted: 11/05/05 9:23:08
In reply to: Lusa 's message, ""A partir do momento em que o BE diz que é o único (...) democrático não faz sentido apelar à união" on 8/05/05 19:53:20

A igualdade da diferença
Jorge Gonçalves, Diário Económico, 10-05-05


A terceira Convenção do Bloco de Esquerda começou a revelar o sabor amargo do que o poder pode significar para a formação política que cresceu pela afirmação da diferença, de uma nova cultura do exercício partidário e pela desestruturação de um sistema que tinha vindo a afastar os portugueses da política e das instituições.

A partir desta Convenção nada será como antes, para o Bloco. Mas vejamos, antes do mais, alguns dos sinais que ela trouxe à luz do dia.

Em primeiro lugar, da cultura política. Demonstrou que um movimento político com origens ideológicas e doutrinais tão distintas dificilmente resiste à expressão interna das divergências ou às tentações de hegemonização das correntes mais representativas.

Isto é, toda a construção mediática em torno de um idealismo igualitário da opinião esbarra na exigência de definição de um programa que seja coerente e reconhecido socialmente.

Mas também revelou que dificilmente um projecto político se desenvolve em torno de meia dúzia de questões, por muito fracturantes que sejam, esquecendo que um projecto social tem de ter outras dimensões e identificar-se com a realidade em toda a sua dimensão.

As questões fracturantes serão porventura um bom fermento de crescimento na oposição, mas poderão transformar-se em incomodidades quando se tem de exercer ou partilhar um poder significativo.

Os portugueses já tiveram, noutros tempos, alguns exemplos de projectos políticos que se desenvolveram em torno de outros valores que não os da cultura ideológica – em torno de uma personalidade presidencial, por exemplo – e que não resistiram a esse crivo de solidez e sobrevivência que é o poder e o seu exercício.

Em rigor, o que une os bloquistas é substantivamente muito pouco para que consigam ultrapassar tudo o mais que os divide.

Em segundo lugar, a democracia politica. A Convenção do Bloco de Esquerda não escondeu que há fortes conflitos internos no que respeita à democracia e pluralismo.

O surgimento de duas moções de estratégia e de duas listas para os órgãos nacionais é um facto relevante, em si mesmo a expressão de uma vivência plural interna, mas os seus fundamentos e a invocação das razões desse facto são perturbadores - e têm a ver com a forma de expressão dessa pluralidade e da formação da vontade colectiva.

Não se trata de uma mera questão metodológica saber-se se, num movimento político, as minorias têm possibilidade de se expressar e de trabalhar para a afirmação dos seus pontos de vista.

Tratando-se de uma entidade política como o Bloco de Esquerda, que fez da crítica sistemática às práticas políticas dos ”partidos do sistema” uma das suas marcas distintivas, o facto de se levantarem vozes críticas nessa matéria transforma-a numa questão política essencial.

Mas, acima de tudo, o que esta Convenção revelou foram as clivagens internas que sempre existiram entre as várias peças constitutivas desse tabuleiro político, que sempre conviveram mal no passado e que se preparam para continuar esse estado de alma no futuro.

E o que fica, para os cidadãos portugueses, desta realidade que tem colhido a adesão de sectores sociais significativos, em particular na intelectualidade urbana e na juventude?

Fica a imagem de uma força política que, objectivamente, se assemelha a qualquer outra que o nosso sistema comporta – conflituante, em que as figuras liderantes se protegem e tendem a consolidar os seus poderes internos, em que a clivagem das lideranças e das bases começa a manifestar-se, em que há acusações de silenciamento e de falta de liberdade e de pluralismo interno, em que as divergências doutrinárias (entre reformadores e revolucionários fracturantes) são consequência directa do aroma do poder e do rassemblement de gauche que os seus pregadores têm enunciado como necessidade histórica.

Fica também a ideia de que o Bloco já começou a bater à porta do sistema, com quem quer conviver, não resistindo aos modelos e formas de organização que tanto vilipendiou, estruturando-se à imagem e semelhança dos seus parceiros e quebrando o mito idealístico de ”outra coisa”.

Como fica também a ideia de que, na tensão dialéctica da realidade e da mudança, foi a realidade que se impôs ao Bloco e não este que transformou aquela.

O Bloco de Esquerda deve preocupar-se, por isso, em não cair nas teias da efemeridade, como aconteceu a outros, no passado.

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Replies:
Subject Author Date
A liberdade no BE.visitante.11/05/05 9:36:51
Tantos Gonçalves a comentarem o BE é estranhoobservador gonçalvista11/05/05 17:58:57


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