Author:
Jacinto Lucas Pires
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Date Posted: 11/05/05 17:28:05
In reply to:
Lusa
's message, ""A partir do momento em que o BE diz que é o único (...) democrático não faz sentido apelar à união" on 8/05/05 19:53:20
O dilema do BE
Jacinto Lucas Pires, A Capital, 11-05-05
Grande parte da imagem do Bloco de Esquerda assenta na ideia de uma certa informalidade. Ideia que os seus dirigentes gerem de modo a marcar um território, uma diferença em relação aos outros partidos – que, segundo esta lógica, seriam os partidos "tradicionais", "do sistema", os "eles" contra os quais o "nós" do BE lutaria.
A recusa de gravata que Francisco Louçã, Luís Fazenda e Miguel Portas "ostentam" não é mais do que o símbolo maior dessa informalidade.
Um truque de marquetingue que parece apontar para si próprio e gritar "vejam, isto não é um truque de marquetingue!" O BE – e até o nome busca esse efeito: não se trata de mais um "partido", mas um "bloco", seja lá o que isso for – não tem "congressos", tem "convenções", e não tem "presidentes" nem sequer "secretários-gerais", tem um "coordenador". E só a partir deste fim-de-semana.
Vista de fora, a reunião dos bloquistas surpreendeu em dois aspectos. Um, o unanimismo mal disfarçado à volta da moção da direcção, os tais "iluminados", e, outro, a aparente pouca tolerância interna para as duas ou três vozes que arriscavam discordar, os chamados "santanistas" (?!). Um militante falou mesmo do perigo de o partido "estar em vias de estalinização"...
São apenas dores de crescimento, dirão uns. Mas a verdade é que o BE tem uma questão difícil, de identidade, por resolver. Saber se prefere manter-se como partido de protesto ou se escolhe saltar desta sua "adolescência" e, com ou sem gravata, tornar-se um partido de poder e alternativas.
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