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Subject: a linguagem posta ao serviço de políticas fictícias, criadas por políticos fictícios.


Author:
Pedro Lomba
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Date Posted: 13/05/05 14:11:47
In reply to: Lusa 's message, ""A partir do momento em que o BE diz que é o único (...) democrático não faz sentido apelar à união" on 8/05/05 19:53:20



Geração de 70

Pedro Lomba, DN, 13-05-05

A linguagem do Bloco

Num ensaio célebre de 1945, George Orwell observou que a política destrói a linguagem porque a torna falsa, empolada, artificial. Podia ter sido escrito hoje à esquerda ou à direita vê-se o mesmo abuso pela metáfora estafada, pelo jargão oco, pela palavra sem significação. Se lermos um discurso de qualquer político no activo descobriremos, sem dificuldades, muitos exemplos dessa devastação verbal: a linguagem posta ao serviço de políticas fictícias, criadas por políticos fictícios.

O caso do Bloco de Esquerda. Não é possível compreender o crescimento desta organização sem pensar na política da linguagem que os dirigentes bloquistas avidamente cultivam.

Primeiro, ter uma política da linguagem, eficaz e persuasiva, requer uma presença constante nos meios por onde essa linguagem circula (e não creio que Francisco Louçã tenha recusado alguma vez uma ida à televisão).

Depois, ao contrário do PCP, que cresceu clandestinamente com uma linguagem moldada pelo marxismo (de que, no fundo, a famosa cassete comunista foi sempre uma simplificação para compreensão do povo), os chefes do Bloco de Esquerda formaram-se nas lutas estudantis com uma linguagem política que eles próprios criaram e em que um bom slogan pode valer mais do que uma ideia.

Sabendo que o fim do comunismo foi também o esgotamento de um projecto hegemónico de linguagem política, o Bloco usa obsessivamente a linguagem para afirmar a sua agenda política alternativa.

Não tem filiados mas "aderentes", não faz congressos mas "convenções", não fala em pluralismo mas em "direito de tendência", não tem um líder mas uma "mesa nacional", não é um partido mas um "movimento".

O Bloco precisa de uma diferença e originalidade que se constroem com a linguagem, porque só assim é que Louçã convence os aderentes de que o Bloco é um partido único, incorrupto, o único verdadeiramente democrático. Os aderentes estão convencidos.

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Replies:
Subject Author Date
Estou convencidovisitante bloquista13/05/05 16:36:58


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