Author:
Francisco Sarsfield Cabral - DN
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Date Posted: 9/05/05 8:53:35
Parece finalmente ultrapassado o confronto entre a Igreja Católica de Timor e o Governo de Díli. Ainda bem. Mas a questão não acaba aqui. Primeiro, porque novos conflitos podem surgir. Depois, porque a Igreja timorense deve esclarecer alguns pontos obscuros. Essa Igreja foi a grande força de resistência aos ocupantes indonésios. E hoje, em democracia (ainda que imperfeita), ela está mais próxima do povo timorense do que qualquer outra força política ou social, nomeadamente a Fretilin.
Mas custa a entender que a Igreja, com bispos e padres à frente, haja actuado como se de um partido político se tratasse. Exigiu até a demissão do primeiro-ministro. A politização da Igreja timorense chegou ao ponto de um padre ter afirmado a uma televisão portuguesa ser habitual deter "suspeitos" na residência do bispo de Díli, sujeitando-os a interrogatório - como aconteceu a dois portugueses que inadvertidamente entraram no recinto da manifestação. Nenhum dos partidos timorenses da oposição assumiu essa luta. Ora não é saudável ter a Igreja a fazer política - nem para ela nem para Timor. A menos que o Governo da Fretilin, com o acordo tácito dos outros partidos, estivesse a ponto de transformar o país numa nova Cuba, ou coisa parecida. Se assim for, a Igreja timorense tem de o dizer.
Será que tudo se explica porque a cultura ali dominante é diferente da nossa? Estar-se-ia então a dar razão aos que negam a possibilidade de implantar democracias em culturas não ocidentais. Seja como for, o apoio entusiástico que os portugueses deram à causa de Timor e à Igreja timorense nessa luta merece que as autoridades eclesiásticas daquele país esclareçam algumas perplexidades que agora se levantaram. E que, a manterem-se, poderão inquinar o relacionamento entre portugueses e timorenses.
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