| Subject: Sem 'élan' para mudar o País |
Author:
Paulo Baldaia
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Date Posted: 1/10/05 18:33:25
Sem 'élan' para mudar o País

O erro de Soares - político pouco dado a erros de análise - foi ter acreditado que o caminho para a vitória nas presidenciais passava por ser o candidato da maioria. Com Sócrates na liderança, a maioria é uma coisa que caiu do céu e se evapora. O povo não gosta de dar a outra face. Vive com pouco e não perdoa. Sócrates já não dispõe do necessário 'élan' para ajudar o País a sair da crise
Terminou o estado de graça em que vivia o engenheiro Sócrates.Não há conversa de café, ou sondagem, que alimente o sonho do aparelho socialista. O próprio aparelho, aliás, começa a duvidar da opção que fez. No próprio PS está criada a ideia de que o líder retira mais do que acrescenta. Metade dos portugueses considera negativa a actuação do primeiro-ministro e apenas um terço a vê como positiva. Sócrates já vale bem menos que o Partido Socialista. O PSD até já lidera nas intenções de voto.
O Governo, com excepção da ministra da Educação, está em queda. O ministro da Economia, Manuel Pinho, pré-anuncia uma remodelação, garantindo, ao Diário Económico, que só está no lugar enquanto for preciso, sendo que todos sabemos que para fazer o que ele está a fazer não é preciso para nada. Porque nada é feito para ajudar a recuperar a economia.
A remodelação, sete meses depois da posse, é já, apenas, uma questão de estratégia. É uma aposta ganha dizer que ela vai acontecer a seguir a um dos maus resultados eleitorais que se aproximam. É uma questão de estratégia a opção de a fazer depois das autárquicas para arranjar fôlego para as presidenciais ou só depois para poder sair com ar de um ciclo infernal.
Sem ilusões, é preciso dizer, desde já, que o engenheiro Sócrates não será capaz de mudar nada de substancial no País. É só por isso que o PS, a quem foi dada uma maioria absoluta, acumulará derrota atrás de derrota.
Passeio Alegre O erro de Soares - político dado a poucos erros de análise - foi ter acreditado que o caminho para a vitória nas presidenciais passava por ser o candidato da maioria. Com Sócrates na liderança - mostra o barómetro da Marktest -, a maioria é uma coisa que caiu do céu e se evapora.
Soares avançou para evitar um passeio de Cavaco pela Avenida da Liberdade, sem saber que Sócrates há muito tinha feito das presidenciais um Passeio Alegre *. O líder do PS, deslumbrado com a sua própria vitória, começou por desvalorizar as presidenciais, a seguir alimentou o sonho de Alegre e depois tentou lançar Freitas , mas acabou por se resignar a um salvador da pátria socialista que mesmo o aparelho do PS aceita a muito custo.
Com mais ou menos campanha, todos nós estamos convencidos de que Cavaco será o próximo Presidente da República. Mesmo entre aqueles que não suportam a ideia de um regresso do cavaquismo, há uma certa rendição às evidências - a esquerda agiu como quem tem o rei na barriga. Cavaco é o candidato dos eleitores que já não suportam os partidos. E a maioria não suporta. O mais provável é que ganhe à primeira volta.
Não temos a tradição de avaliar líderes partidários e de governo no início dos seus mandatos e, por isso, ajudamos a que se prolonguem os seus estados de graça. Mudámos essa forma de estar com Santana - a quem não foi dado um único dia para fazer valer a sua graça - e começamos a perder a paciência com Sócrates.
Os fazedores de opinião podem insistir na tentativa de descobrir virtudes num político que atira para o caixote do lixo o apoio popular às necessárias reformas do Estado, para poder colocar os amigos nos privilegiados lugares das empresas públicas. O povo não gosta de dar a outra face. Vive com pouco e não perdoa.Sócrates já não dispõe do necessário élan para ajudar o País a sair da crise.
Obviamente demito-o. Portugal volta a viver umas eleições presidenciais em que parece jogar-se o destino da nação. Com o desastre em que se transformou a governação - já ninguém a credita na boa vontade do chefe do Executivo -, para vencer a corrida a Belém já chega proclamar como um antigo candidato sobre o futuro a dar ao presidente do Conselho "Obviamente demito-o."
Pode parecer um disparate, mas quando as coisas não funcionam mais vale arcar com o prejuízo e recomeçar. Com um primeiro-ministro que governe de acordo com o que prometeu em campanha. Mesmo que prometa vida difícil.
* O Passeio Alegre é uma zona junto ao mar, na cidade do Porto, perto da foz do Douro. Óptimo local para um passeio ao final da tarde.
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