| Subject: A Quarta Internacional e o Governo Lula |
Author:
Unisinos
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Date Posted: 31/08/05 19:27:14
In reply to:
Francisco Louçã, Daniel Bensaid e Michael Lowy
's message, "Queridos amigos e camaradas da DS," on 31/08/05 19:25:23
Unisinos
A Quarta Internacional e o Governo Lula
O ataque do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, contra os cortes orçamentários na pasta, nesta semana, ocorreu pouco mais de um mês após dirigentes mundiais de esquerda com os quais ele tem forte ligação terem cobrado um posicionamento duro seu sobre o governo.
Segundo ampla reportagem do jornal Folha de S. Paulo, 4-3-05, no fim de janeiro, uma carta de líderes da Quarta Internacional, organização sediada em Paris que reúne movimentos de esquerda do mundo, reclamou que o ministro "tem permanecido muito discreto" diante dos "atrasos" no programa de reforma agrária.
A DS (Democracia Socialista), corrente do PT ao qual Rossetto é filiado, é alinhada politicamente com a Quarta Internacional, de linhagem trotskista.
A DS participa da indicação de líderes e integra fóruns, mas não é obrigada a se submeter a suas deliberações. A carta, em português, surgiu pela primeira vez no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e causou polêmica na DS. Os três autores, o deputado socialista português Francisco Louçã, o francês Daniel Bensaid e o franco-brasileiro Michel Lowy são figuras respeitadas na Quarta Internacional e atuam como porta-vozes eventuais da DS.
Na esquerda petista, a carta está sendo vista como uma vocalização da insatisfação de integrantes da DS com a timidez de Rossetto nas críticas ao governo.
O texto dos dirigentes mundiais faz um alerta: "Parece que o MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário] tem permanecido muito discreto na sua expressão pública. Ele se arrisca, assim, a ser imprensado entre uma política de governo da qual quase não se demarcou e o descontentamento crescente dos movimentos agrários".
Internamente, no ministério e no Incra, os reclamos de Rossetto foram vistos em grande parte como uma satisfação à corrente petista e aos movimentos sociais. Isso porque, em 2004, a pasta enfrentou esses problemas, e o ministro preferiu não polemizar publicamente. Desta vez, o ministro tomou a iniciativa de ligar para algumas redações e rotular de "pesado" o corte de R$ 2 bilhões.
Há ainda uma notória preocupação com os rumos tomados por alguns ministros. Neste ponto, Rossetto é citado. "A participação no governo torna-se cada vez mais problemática. (...) Sobre a participação de Miguel [Rossetto no governo] existiam, desde o início, avaliações diversas, tanto na Internacional quanto entre vocês [dirigentes da DS]." Procurado ontem, o ministro não comentou.
Um dos líderes da DS, o deputado estadual Raul Pont (RS) diz que Rossetto não acatou ordens da organização e que a posição de saída do governo é minoritária.
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