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Subject: Cuba, os Estados Unidos e os Direitos Humanos


Author:
James Petras
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Date Posted: 23/08/05 16:25:54
In reply to: James Petras 's message, "Os intelectuais, Cuba e os Direitos Humanos" on 23/08/05 13:35:54

Cuba, os Estados Unidos e os Direitos Humanos

James Petras

Novamente os intelectuais decidiram intervir em um debate, desta vez sobre o imperialismo estadunidense e os direitos humanos em Cuba. "Que importância tem o papel dos intelectuais?" Perguntei a mim mesmo numa tarde ensolarada de sábado (em 26 de abril de 2003), enquanto passeávamos pela madrilena Porta do Sol e o eco dos gritos contra Castro de várias centenas de manifestantes ressoava na praça quase vazia. Apesar de uma dezena de artigos e colunas de opinião de conhecidos intelectuais nos principais jornais de Madri, das horas de propaganda no rádio e televisão e do apoio de burocratas sindicais e xerifes de partidos, somente responderam à convocatória uns oitocentos manifestantes, a maior parte deles exilados cubanos. "Está claro", respondi, "que os intelectuais contrários a Cuba tem pouco ou nenhum poder de convocação, pelo menos na Espanha".

Porém a impotência política dos escritores contrários a Castro não significa que os intelectuais em geral não representem um papel importante; tampouco a falta de ressonância popular significa que careçam de recursos, sobretudo se contam com o apoio da máquina guerreira e propagandística estadunidense, que amplia e dissemina suas palavras em todo o planeta. Para poder adotar uma decisão no debate que agita entre os intelectuais sobre os direitos humanos em Cuba e o imperialismo estadunidense, vale a pena distanciar-se e considerar o papel dos intelectuais, o contexto e as principais questões que demarcam o conflito entre os Estados Unidos e Cuba.

O papel dos intelectuais.

O papel dos intelectuais consiste em esclarecer as questões mais importantes e definir as ameaças à paz, à justiça social, à independência nacional e à liberdade em cada período histórico, assim como em identificar e apoiar aos defensores dos mesmos princípios.

Os intelectuais tem a responsabilidade de distinguir entre as medidas defensivas tomadas por países e povos submetidos ao ataque imperial e os métodos ofensivos do poder imperial em sua campanha de conquista. O estabelecimento de equivalências morais entre a violência e a repressão dos países imperiais conquistadores e os do Terceiro Mundo submetidos a ataques militares e terroristas é o cúmulo da duplicidade e da hipocrisia. Os intelectuais responsáveis examinam criticamente o contexto político e analisam as relações entre o poder imperial e seus funcionários locais a soldo - os denominados "dissidentes - , em vez de outorgar um fiat moral baseado em suas poucas luzes e em seus imperativos políticos.

Os intelectuais comprometidos que pretendem falar com autoridade moral, sobretudo os que apresentam como garantia sua crítica ao imperialismo, tem a responsabilidade política de desmitificar o poder, o estado e a manipulação da imprensa, sobretudo no que se refere à retórica imperial de violações e direitos humanos por parte de estados independentes do Terceiro Mundo. Nos últimos tempos temos visto como demasiados intelectuais "progressistas" ocidentais apoiavam ou bem guardavam silêncio diante da destruição estadunidense da Iugoslávia e a limpeza étnica de mais de 250.000 sérvios, ciganos e outras etnias em Kosovo, e aceitaram a propaganda estadunidense de uma "guerra humanitária".

Todos os intelectuais dos Estados Unidos (Chomsky, Zinn, Wallerstein, etc...) apoiaram o levantamento fundamentalista no Afeganistão - financiado pelo Pentágono contra o governo civil pró-soviético, com o pretexto de que a União Soviética havia "invadido" o país e os fanáticos fundamentalistas eram "dissidentes" que defendiam a "autodeterminação"-, estratagema propagandística confessada e satisfatoriamente executada pelo arrogante antigo conselheiro de segurança nacional Zbig Bryzinski.

Naquela ocasião, como agora, intelectuais de prestígio brandem suas cartas credenciais como "críticos" da política exterior estadunidense para prestar credibilidade a sua denúncia pouco informada das supostas transgressões morais cubanas, e comparam a detenção em Cuba de funcionários pagos pelo Ministério de Assuntos Exteriores estadunidense e a execução de três seqüestradores terroristas, com os crimes de guerra do imperialismo estadunidense. Os praticantes de equivalências morais aplicam um microscópio a Cuba e um telescópio aos Estados Unidos, o qual lhes presta uma certa aceitabilidade entre os setores liberais do império.

Imperativos morais e realidade cubana: a moralidade como falta de honra

Os intelectuais estão divididos no que se refere ao conflito entre os Estados Unidos e Cuba: Benedetti, Sastre, Petras, Sánchez-Vásquez, Pablo Gonzalez Casanova e muitos outros defendem Cuba; os intelectuais da direita, entre eles, Vargas Llosa, Savater e Carlos Fuentes, como era de esperar, tem publicado suas ofensas contra Cuba, e um pequeno exército de intelectuais igualmente progressistas - Chomsky, Saramago, Galeano, Sontag, Zinn e Wallerstein - uniram-se em coro de condenações, agitando suas posições críticas anteriores em um esforço por distinguir-se tanto dos opositores da direta como dos cubanos a soldo. Nesse último grupo de "progressistas" é o que tem causado maior dano ao florescente movimento anti-imperialista, e estas linhas críticas vão dirigidas a eles.

A moralidade baseada na propaganda é uma mistura mortal - em particular quando os juízos morais provêm de prestigiosos intelectuais esquerdistas e a propaganda emana da administração ultra-direitista de Bush.

Muitos dentre os críticos "progressistas" de Cuba reconhecem, de passagem e em termos gerais, que os Estados Unidos tem sido um agressor hostil contra a ilha, pelo que concedem "generosamente" a esse país o direito a autodeterminação, porém logo se lançam a uma série de acusações infundadas e de falsificações desprovidas de qualquer contexto especial que possibilitasse servir de esclarecimento das questões e colocar uma base razoável "aos imperativos morais".

O melhor é começar pelos fatos mais fundamentais. Os críticos da esquerda, sobre a credencial do Ministério de Assuntos Exteriores estadunidense, denunciam a repressão do governo cubano a indivíduos, dissidentes, jornalistas, donos de bibliotecas privadas e membros de partidos políticos implicados em atividades políticas não violentas que tentam exercer seus direitos democráticos.

O que os "progressistas" não podem ou não querem reconhecer é que os detidos eram funcionários a soldo do governo estadunidense. Segundo a Agência de Desenvolvimento Internacional (AID), que é a principal agência federal de subvenções e serviços para a implementação da política exterior estadunidense, o Programa USAID destinado a Cuba (resultante da lei Helms-Burton de 1996) tem canalizado desde 1997 mais de 8,5 milhões de dólares aos opositores cubanos do regime de Castro, destinados a publicações, encontros e propaganda favorável à derrubada do governo cubano, em coordenação com ONGs, universidades, fundações e outros grupos (veja-se Profile of the USAID Cuba Program, no site web da AID).

O programa USAID, diferentemente de seu estilo habitual, não envia os pagamentos ao governo de Cuba, senão a sua clientela cubana de "dissidentes". Os critérios para o financiamento são esclarecedores: todo aquele que deseje receber pagamentos e subvenções deve ter manifestado um claro compromisso favorável à "troca de regime", propiciado pelos Estados Unidos, inclusive o "mercado livre" e a "democracia", sem dúvida similar à ditadura colonial estadunidense no Irak.

A lei Helms-Burton, o Programa USAID, os funcionários cubanos a soldo e o manifesto progressista dos intelectuais "condenam a falta de liberdade, o encarceramento de dissidentes inocentes, e pedem uma troca democrática do regime em Cuba". Trata-se de estranhas coincidências que requerem uma análise. Os jornalistas cubanos que tem recebido 280.000 dólares de Cuba Free Press não são dissidentes, senão funcionários a soldo. Os grupos de "direitos humanos" cubanos que receberam 775.000 dólares da testa de ferro da CIA "Freedom House", não são dissidentes, dado que sua missão consiste em promover a "transição" (a derrubada) do regime cubano.

A lista de subvenções e pagamentos a "dissidentes" (funcionários) cubanos por parte do governo estadunidense é ampla e detalhada e acessível a todos os críticos progressistas morais. O que deve contar é que os opositores encarcerados pelo governo cubano eram funcionários a soldo do governo estadunidense, pagos para colocar em prática os objetivos da lei Helms-Burton segundo os critérios da USAID e sob a direção de James Cason, o chefe da Secção da US Interest Section em Havana.

Entre 2 de setembro de 2002 e março de 2003, Cason manteve dezenas de reuniões com seus "dissidentes" cubanos, tanto em sua casa como em seu escritório, para dar-lhes instruções e diretrizes sobre o que escrever e como recrutar, enquanto pronunciava discussões públicas contra o governo cubano, de maneira muito pouco diplomática. USAID proporcionou aos funcionários cubanos a soldo de Washington equipes de comunicação eletrônica, livros e outros materiais de propaganda, assim como dinheiro para financiar "sindicatos" favoráveis aos Estados Unidos através da testa de ferro denominada "American Center for International Labor Solidarity".

Não se trata de bem-intencionados "dissidentes" que desconhecem quem lhes paga e qual é seu papel como agentes imperiais, posto que o informe da USAID (en secção entitulada "The US International Context") assinala que o Programa de Cuba está financiado através do Fundo de Apoio Econômico, cujo objetivo consiste em apoiar os interesses econômicos e de política exterior dos Estados Unidos mediante ajudas financeiras a aliados (sic) e a países em transição à democracia".

Nenhum país do mundo tolera o rótulo de "dissidentes" àqueles entre seus cidadãos que estão a soldo e trabalham para promover os interesses imperiais de um poder estrangeiro. Isto é sobretudo verdade nos Estados Unidos, onde o artigo 18 da secção 951 do US Code estabelece que "qualquer pessoa dentro dos Estados Unidos que aceite trabalhar sob a direção ou o controle de um governo ou funcionário estrangeiro poderá ser submetido a processo penal e uma condenação de dez anos de cárcere". Salvo se, desde logo, esteja inscrito como agente estrangeiro a soldo ou trabalhe para o governo de Israel.

Os intelectuais "progressistas" estadunidenses tem abdicado de suas responsabilidades como analistas e críticos e aceitam, sem colocar ressalvas, que o Ministério de Assuntos Exteriores dos Estados Unidos qualifique a seus funcionários a soldo de dissidentes que lutam pela "liberdade".

Alguns defensores dos agentes-dissidentes protestam porque estes funcionários foram condenados a "sentenças escandalosamente longas". Novamente a miopia empírica dá lugar a moralizações mendazes. Cuba se encontra em pé de guerra . O governo de Bush tem declarado que o país está na lista de objetivos militares susceptíveis de invasão e de destruição em massa. E, se por acaso nossos intelectuais moralistas não estão a par, Bush, Rumsfeld e os falcões sionistas da Administração cumprem o que dizem.

A total falta de seriedade de Chomsky, Zinn, Sontag e das sentenças morais de Wallerstein se devem a que ignoram a ameaça iminente de uma guerra estadonidense com armas de destruição em massa, anunciada previamente. Isso resulta particularmente oneroso se considerarmos que muitos dos detratores de Cuba vivem nos Estados Unidos, lêem a imprensa estadonidense e são conscientes de até que ponto as declarações militaristas costumam seguir ações genocidas. Porém, aos nossos moralistas não lhes preocupa o contexto nem as ameaças imediatas ou futuras contra Cuba, pois preferem ignorar tudo para demonstrar ao Departamento de Estado que não só se opõem à política exterior estadonidense, senão também, condenam a cada país, sistema ou líder independente que se oponha aos Estados Unidos. Em outras palavras, senhor Ashcroft, quando você castigar aos "apólogos" do "terror" cubano, recorde-se que nós somos diferentes, também condenamos Cuba e também exigimos uma mudança do regime.

Os críticos de Cuba não fazem caso de que os Estados Unidos tem colocado em marcha uma estratégia político-militar de duas vertentes, com o objetivo de controlar o país. Washington concede asilo a piratas do ar, faz todo o possível para desestabilizar a economia turística de Cuba e trabalha estreitamente com a terrorista Cuban American Foundation em suas intenções de assassinar líderes cubanos. Há novas bases estadonidenses na República Dominicana, Colômbia e El Salvador e um campo de concentração cada vez maior em Guantánamo, e tudo isso com o objetivo de facilitar uma invasão. O embargo estadonidense é cada vez mais intenso, com o apoio dos regimes direitistas e Berlusconi na Itália e de Aznar na Espanha.

A atividade agressiva e abertamente política de James Cason, da Interest Section, similar a de seus seguidores cubanos entre os funcionários-dissidentes, é parte da estratégia interior desenhada para minar a lealdade cubana ao regime e à revolução. Nossos prestigiosos críticos intelectuais tem decidido ignorar a conexão existente entre ambas táticas e sua convergência estratégica, pois preferem dar-se ao luxo de emitir prédicas morais sobre a liberdade em todas as partes e para todos, inclusive quando em Washington um psicopata coloca a faca na garganta de Cuba. Não, obrigado, senhores Chomsky, Sontag e Wallerstein, Cuba atua com toda a razão quando dá um pontapé nas bolas de seus atacantes e os manda ganhar honradamente a vida cortando cana.

A pena de morte para os três terroristas que seqüestraram um barco é um duro tratamento, porém, igualmente dura é a ameaça que pesou sobre as vidas de quarenta passageiros cubanos que afrentaram a morte em mãos dos seqüestradores. Novamente, nossos moralistas esquecem de falar dos atos temerários de pirataria aérea e de outros complôs descobertos a tempo. Os moralistas não conseguem entender por que estes terroristas desesperados buscam escapar de Cuba de maneira ilegal.

A administração Bush tem eliminado praticamente o programa de vistos para emigrantes cubanos que desejem ir-se. Os vistos tem diminuído desde 9.000 durante os quatro primeiros meses de 2002 a 700 em 2003. Trata-se de uma tática sutil para alentar atos terroristas em Cuba e logo denunciar as duras sentenças que, por sua vez, fazem cantar o coro dos que dizem sim no grupo do amém da progressiva intelectualidade estadonidense e européia. É simplesmente ignorância o que existe atrás destas declarações morais contra Cuba, ou é algo mais, uma chantagem moral destinada a obrigar a seus colegas cubanos a rebelarem-se contra seu regime, sua gente, sob pena de afrentar o opróbio de intelectuais de prestígio e de ver-se, todavia, mais isolados e estigmatizados como "apólogos de Castro"?

Por um lado estão as ameaças explícitas de Saramago de abandonar seus amigos cubanos e de abraçar a causa dos funcionários a soldo dos Estados Unidos. Por outro, as ameaças implícitas de não voltar a Cuba e de boicotar suas conferências. É uma covardia moral sair em defesa do império e meter-se com Cuba justamente quando esta enfrenta uma ameaça de destruição massiva por ter encarcerado agentes a soldo, decisão que qualquer país do mundo haveria tomado? O que resulta francamente vergonhoso é que omitam as enormes conquistas da revolução cubana no emprego, na educação, na saúde e na igualdade, de sua heróica oposição, baseada nos princípios, às guerras imperiais - Cuba é o único país a falar claramente - e de sua capacidade de resistir a cincoënta anos de invasões.

Isto não conta para os intelectuais estadonidenses, isto é escandaloso! A atitude dos intelectuais é uma desgraça, uma marcha atrás em busca de respeitabilidade depois de ter-se "atrevido" a opor-se à guerra estadonidense junto com outros trinta milhões de pessoas no mundo. Este não é o momento de "equilibrar" as coisas condenando Cuba, pedindo uma troca de regime ou apoiando a causa dos funcionários-dissidentes cubanos "adeptos ao mercado".

Vale a pena recordar que os mesmos intelectuais progressistas apoiaram "dissidentes" financiados por Soros e pelo Ministério de Assuntos Exteriores dos Estados Unidos na Europa do Leste e na União Soviética. Os "dissidentes" entregaram o país à máfia russa, após o que a esperança de vida diminuiu em cinco anos (mais de 10 milhões de russos morreram de forma prematura sob a ruína do sistema sanitário nacional), enquanto que na Europa Oriental os "dissidentes" fecharam o estaleiro de Gdansk, ingressaram na OTAN e forneceram mercenários para a conquista estadonidense do Irak.

Brilha por sua ausência entre estes partidários atuais dos "dissidentes" cubanos qualquer reflexão crítica sobre os resultados catastróficos de suas ofensas anticomunistas e de seus manifestos a favor dos "dissidentes" que hoje são soldados do império estadunidense no Oriente Próximo e na Europa central. Nossos moralistas estadunidenses não tem refletido nunca - repito, nunca - de maneira crítica sobre seus fracassos morais passados ou presentes, já que, observe você, estão a favor da "liberdade em todas as partes", inclusive quando pessoas "equivocadas" tomam o poder e o "outro" império o assume e milhões de seres morrem de enfermidades incuráveis e florescem as redes de escravidão branca. Sua resposta é sempre a mesma: "Isto não é o que queríamos, desejávamos uma sociedade livre, justa e independente, porém, quando exigíamos uma troca de regime e apoiávamos aos dissidentes nunca suspeitamos que o império ficaria com tudo, convertendo-se na única superpotência e se dedicaria a colonizar o mundo".

Os intelectuais moralistas devem aceitar a responsabilidade política das conseqüências sem esconder-se por trás de tópicos morais abstratos, nem em caso de sua cumplicidade passada com o auge do império, nem em suas escandalosas declarações atuais contra Cuba. Não podem alegar que desconhecem as repercussões do que dizem e do que fazem. Não podem pretender inocência depois de tudo o que têm visto, têm lido e têm escutado sobre os projetos estadunidenses de guerra contra Cuba.

A autora e promotora principal da declaração anti-cubana nos Estados Unidos (assinada por Chomsky, Zinn e Wallerstein) é Joanne Landy, que se declara "socialista democrática" e que há quarenta anos advoga pela derrubada violenta do governo cubano. Na atualidade é membro do Council Foreign Relations (CFR), uma das principais instituições que há meio século tem assessorado o governo estadunidense em política imperial. Apoiou publicamente a invasão estadunidense ao Afeganistão e à Iugoslávia, assim como a organização terrorista albanesa KLA, responsável pelo assassinado de dois mil sérvios e da limpeza étnica de centenas de milhares de sérvios e outros grupos em Kosovo. Não surpreende em absoluto que a declaração escrita por esta camaleônica extremista de direita não contenha menção alguma aos avanços sociais de Cuba e sua oposição frente ao imperialismo. É preciso assinalar, ademais, que ao longo de sua ascensão a posições influentes na CFR, Landy foi uma opositora visceral da revolução chinesa, da vietnamita e de outras revoluções sociais.

Por muito que se orgulhem de sua consciência crítica, os intelectuais "progressistas" não consideram a indesejável política da autora que promoveu os discursos injuriosos contra Cuba.

O papel do intelectual na atualidade.

Muitos críticos de Cuba falam de "princípios" como se fossem algo único e aplicável a todas as situações, independente de quem esteja implicado e das conseqüências. A aplicação de "princípios" como o da "liberdade" aos responsáveis pelo planejamento e derrocada do governo cubano em cumplicidade com o Ministério de Assuntos Exteriores dos Estados Unidos converteria Cuba em outro Chile - onde Allende foi derrubado por Pinochet - e conduziria a uma inversão das conquistas populares da revolução.

Há princípios mais básicos que a liberdade para funcionários cubanos a soldo do império, e são a segurança nacional e a soberania popular. Existe uma certa atração, sobretudo entre a esquerda progressista estadunidense, pelas vítimas do Terceiro Mundo, por aqueles que sofrem derrotas, assim como uma aversão pelos revolucionários que tem êxito. Ao que parece, os intelectuais estadunidenses progressistas sempre encontram uma desculpa para evitar comprometer-se com a revolução. Se o Estado joga um papel importante na economia ou ocorrem mobilizações em massa, sacam o velho refrão do "stalinismo" e falam de "ditaduras plebiscitárias", e se as agências de segurança prevêem satisfatoriamente a atividade terrorista, falam de "estado policial repressor".

O fato de viver na nação menos politizada da terra, com um dos aparatos sindicais mais servis e corruptos do Ocidente e sem nenhuma influência política fora dos campus universitários, faz com que os intelectuais dos Estados Unidos não tenham nenhum conhecimento prático ou experiência das ameaças cotidianas e da violência que pesa sobre os governos revolucionários e sobre os ativistas da América Latina. Seus conceitos políticos, os critérios que esgrimem para condenar ou aprovar qualquer atividade política não existem em nenhuma parte, exceto em suas cabeças, em seu agradável progressista entorno universitário, onde desfrutam de todos os privilégios da liberdade capitalista e não correm nenhum dos riscos contra os que os revolucionários do Terceiro Mundo devem defender-se.

Um pouco de modéstia, queridos intelectuais prestigiosos, críticos e defensores da liberdade. Façam uma introspecção e perguntem-se se gostariam de cair nas mãos de uma organização terrorista com sede em Miami. Perguntem-se se lhes resultaria agradável estar sentados em um café de um dos principais hotéis turísticos de Havana e subitamente explodisse uma bomba, um presentinho dos terroristas que tomam cerveja com Jeb, o irmão do Presidente. Pensem no que é a vida em um país que está no número um da lista negra do regime imperial mais violento que já existiu desde a Alemanha nazista. Se o fazem, talvez suas sensibilidades morais atenuariam suas condenações da política de segurança cubana e poderiam contextualizar seus escrúpulos morais.

Quero concluir estas linhas estabelecendo meus próprios "imperativos morais", dedicados aos intelectuais críticos.

O primeiro dever dos intelectuais da Europa e da América consiste em opor-se a seus próprios dirigentes imperiais que pretendem conquistar o mundo.

O segundo dever consiste em esclarecer as questões morais implicadas na luta entre militaristas imperiais e a resistência popular/nacional e em repudiar a postura hipócrita que compara o terror de massas de um com as restrições justificadas e às vezes excessivas de segurança de outro.

O intelectual crítico deve estabelecer normas de integridade política e pessoal a respeito dos fatos e questões, antes de emitir juízos morais.

O intelectual crítico deve resistir à tentação de converter-se em "herói moral do império" pelo fato de negar-se a apoiar as lutas vitoriosas populares e os regimes revolucionários, que não são perfeitos e que carecem de todas as liberdades postas à disposição dos intelectuais impotentes e incapazes de ameaçar o poder (que, por isso, gozam do direito de reunião, de discussão e de crítica).

O intelectual crítico deve negar-se a ser juiz, o fiscal e o jurado que condena aos progressistas que tem a coragem de defender os revolucionários. O exemplo mais ridículo tem sido o grosseiro ataque de Susan Sontag contra o novelista e prêmio Nobel colombiano Gabriel Gárcia Márquez, a quem acusou de falta de integridade e de ser um apólogo do terror cubano (sic). Sontag proferiu suas acusações difamatórias em Bogotá (Colômbia). As brigadas da morte colombianas, que trabalham com o regime e com os militares, tem matado mais sindicalistas e jornalistas que em qualquer lugar do mundo, e o fazem por muito menos que por ser "um apólogo" do regime de Castro. Trata-se da mesma Sontag, que foi partidária entusiasta da invasão imperial estadunidense e do bombardeio da Ioguslávia, apóloga do regime fundamentalista bósnio e testemunha silenciosa da matança e das limpezas étnicas de sérvios e outras etnias em Kosovo. Desprezível integridade moral! O inestimável sentido de superioridade que possuem os intelectuais de Nova York fazem com que Sontag possa apontar com o dedo Gárcía Márquez e fique convencida de que fez de fato uma grande declaração moral.

Os intelectuais da Europa e dos Estados Unidos não deveriam confundir sua própria inutilidade política e sua posição inconseqüente com as de seus colegas, os intelectuais comprometidos latino-americanos. Há lugar para o diálogo construtivo e o debate, mas nunca para os ataques pessoais ofensivos contra indivíduos que vivem diariamente ameaçados.

Aos intelectuais críticos é fácil ser "amigos de Cuba" nos bons tempos de celebrações, quando os convidam a dar conferências. É muito difícil ser "amigo de Cuba" quando um império ameaça a ilha heróica e coloca suas pesadas mãos sobre seus defensores.

É em tempos como os atuais - com guerras permanentes, genocídios e agressões militares - quando Cuba necessita a solidariedade dos intelectuais críticos, solidariedade que está recebendo de todas as partes da Europa e, em particular, da América Latina. Já está na hora de que nós, nos Estados Unidos, com nossos ilustres e prestigiosos intelectuais progressistas, de sensibilidades morais majestosas, reconheçamos que há uma revolução vital, heróica, que luta para defender-se contra o gigante do norte e, modestamente, deixemos de lado nossas importantes declarações, apoiemos esta revolução e nos unamos aos milhões de cubanos que acabam de celebrar o primeiro de maio com seu líder, Fidel Castro.

(Traduzido por Vera Lúcia Conceição Vassouras)

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