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Subject: As teses de Schmidt e as de Mitterrand


Author:
Fernando Madaíl, DN, 02/08/05
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Date Posted: 2/08/05 12:40:59
In reply to: Fernando Madaíl, DN, 02/08/05 's message, "Europa socialista influencia a Revolução dos Cravos" on 2/08/05 10:19:35

As teses de Schmidt e as de Mitterrand

Fernando Madaíl, DN, 02/08/05

Divisão. Contra o programa comum, Soares rompeu com o PCP

Um dos aspectos menos abordados na transição democrática em Portugal, sublinha Juliet Sablosky, foi o efeito que o relacionamento entre o PS e o PCP teve no posicionamento estratégico dos socialistas europeus. Na década de 70, lembra a autora de PS e a Transição Para a Democracia (Notícias), havia duas tendências distintas enquanto os sociais-democratas escandinavos e germânicos, em que pontificavam Palme e Schmidt, desconfiavam dos comunistas, os socialistas da bacia mediterrânica, cujo rosto mais visível era Mitterrand, acreditavam no "programa comum".

Mesmo no interior do SPD alemão, uma peça-chave no processo português, também se digladiavam, como relembra Sablosky - a facção mais anticomunista de Helmut Schmidt, que estava no poder, e a de Willy Brandt, que se tinha distinguido como o chanceler da ostpolitik relativamente ao Leste e que acreditava numa aproximação, sobretudo com o PCI de Berlinguer, que então procurava o "compromisso histórico" com a Democracia Cristã de Aldo Moro.

No Mediterrâneo, além dos espanhóis do PSP de Tierno Galván e do PSOE de Felipe González (fundiram-se em Outubro de 1976, com uma ajuda portuguesa, conta Rui Mateus), havia ainda o PASOK grego, formado em Setembro de 1974. E Papandreau dizia que os partidos francês e italiano eram socialistas, enquanto sociais-democratas alemães, trabalhistas ingleses, partidos operários dinamarquês e holandês eram "partidos do capitalismo moderno" (O Socialismo e a Europa Mediterrânica, Iniciativas).

E mesmo Soares, respondendo a uma pergunta de um jornalista do Le Nouvel Observateur, publicada a 24 de Fevereiro de 1975 (e incluída no livro Democratização e Descolonização. Dez Meses de Governo Provisório, Dom Quixote), negava que o seu modelo fosse a Alemanha Federal "Queremos um verdadeiro socialismo e não apenas um capitalismo corrigido nos seus aspectos mais odiosos. Mas [também] não queremos um capitalismo de Estado, de fachada socialista."

A influência 'son ami' desde o exílio parisiense, acentuada pelo apoio imediato dos PSF em 1974, também levou Mário Soares a acreditar que podia manter o programa comum que assinara, em Novembro de 1973, com Álvaro Cunhal. As vicissitudes do PREC e o seu conhecido "instinto político" rapidamente o fizeram mudar de rumo. De tal forma que, explica Sablosky, até o modelo de estrutura do PS foi decalcado do partido de Olof Palme. E, sustenta um dirigente socialista da época, foi Schmidt quem "pagou a democracia portuguesa".

"Portugal atraiu a atenção quer dos partidos do Norte quer do Sul, cada qual procurando que o seu modelo de socialismo ali vingasse após a ditadura", conclui Sablosky. O despique surdo entre Schmidt e Mitterrand acabaria por ser, na época, favorável ao alemão. E, no entanto, o francês nunca abandonaria a sua tese, acabando por levar os comunistas de Marchais (quase tão estalinista como Cunhal) ao poder, acabando por lhes dar o seu secreto "abraço do urso" - a forma preconizada para, através de uma aliança, melhor os neutralizar.

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Subject Author Date
"Sustenta um dirigente socialista da época, foi Schmidt quem "pagou a democracia portuguesa". Pois.João Luís 2/08/05 22:57:58


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