Author:
João Valente Aguiar
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 4/08/05 1:02:16
http://retratomarxistajovem.blogspot.com
Hoje em dia ouve-se muito falar em "globalização", "neoliberalismo", "sociedade da informação", etc. Segundo alguns teóricos burgueses (Castells, Beck, Giddens), a mudança tecnológica é condição primordial, para não dizer exclusiva, nas transformações que o modo de produção capitalista tem vindo a atravessar. Para eles o conhecimento é a base da economia actual, relegando o trabalho para segundo plano.
A regressão da ideologia teórica burguesa é evidente. Se Adam Smith ou David Ricardo ainda procuravam analisar a dinâmica capitalista no quadro da lei do valor, as teorias "pós-industriais" nem isso. Nem o poderiam fazer. De outra forma, estariam a pôr em causa o domínio da classe burguesa.
Assim, existem, pelo menos, dois pontos fundamentais que a ideologia burguesa não contempla nas suas "análises":
1) não faz a diferenciação entre trabalho concreto e trabalho abstracto. Ou seja, o trabalho no capitalismo é simultânea e respectivamente produção de valores de uso - bens materiais ou imateriais com uma utilidade social - e de valores de troca. Estes provêm do carácter indistinto do gasto fisiológico de energia humana na produção de mercadorias. Este gasto de energia é contabilizado a partir de uma medida de tendência central: o tempo médio de trabalho necessário para a produção de uma mercadoria.
2) o conhecimento não é, em primeira instância, factor de produção mas fruto da produção. Quer dizer, em primeiro lugar, o conhecimento, no capitalismo, é uma mercadoria, imaterial é certo, mas produzida no seio de uma relação social criadora de mercadorias com valor de troca: o trabalho assalariado.
Um programador de software, por exemplo, encontra-se inserido numa situação de subordinação e exploração relativamente à classe capitalista. Na prática, continua a trocar a sua força de trabalho por uma quantidade de dinheiro capaz de assegurar os seus meios de subsistência, formação, qualificação e reprodução da classe. Exactamente como qualquer outro proletário.
Por seu lado, o programa informático que este operário desenvolveu é dotado de valor de troca - elemento definidor do carácter capitalista de uma mercadoria. Isto é, uma mercadoria informática tem nela incorporada uma quantidade média de tempo de trabalho social e, como é óbvio, também uma determinada utilidade social.
Assim, o conhecimento é visto pela ideologia teórica burguesa como algo imanente e determinado a priori, desvinculado de qualquer relação social. Nomeadamente, das relações de produção capitalista.
Resumindo, o conhecimento é socialmente produzido, em traços gerais, como qualquer mercadoria material. A sua posterior incorporação nos saberes e destrezas manuais e intelectuais de um trabalhador é sempre mais ou menos idêntica à introdução de um outro instrumento de trabalho no processo produtivo: transfere e reproduz o seu valor na produção de mercadorias, mas não acrescenta novo valor - propriedade exclusiva da força de trabalho.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|