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| Subject: Re: Cavaco vai ganhar , a culpa é da esquerda, mas que esquerda?. | |
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Author: astérix o barbaro |
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Date Posted: 4/01/06 16:47:24 In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Cavaco vai ganhar. Porquê ?" on 3/01/06 18:55:11 > >es-box3-logo.0.jpg"> > >Cavaco vai ganhar. Porquê ? > > >Não vale de nada fingir que não estamos a perceber que >Cavaco vai ser o próximo Presidente da República em >Portugal. >Importante é percebermos a natureza dos erros >cometidos pelos partidos de esquerda que tornaram este >resultado praticamente inevitável. Pelo menos podemos >aprender alguma coisa. > > >Os antecedentes > >Nos últimos anos os partidos de esquerda ajudaram a >reforçar a imagem de especialista rigoroso que Cavaco >sempre tentou cultivar. > >Ainda recentemente, com o engodo de derrubar Santana >Lopes, a palavra de Cavaco era citada, enaltecida e >apresentada como indiscutível. >Tal foi, por exemplo, o caso do artigo publicado no >Expresso acerca da "boa e da má moeda". Se dão a >Cavaco o poder de definir a boa e a má "moeda" então é >porque consideram que ele está num plano superior e é, >ele próprio, uma "moeda" muito boa. > >O mesmo sucedeu no episódio em que Cavaco recusou, >hoje percebe-se porquê, a inclusão da sua fotografia >num cartaz da campanha para as legislativas. Foi >apresentado pela esquerda como um acto de coragem e um >empobrecimento dos apoios a Santana. >Ora se a exclusão de Cavaco diminuía a força de >Santana é necessário concluir que Cavaco tem muito >valor. > >Apesar dos alertas que alguns, como eu, foram lançando >a esquerda continuou a "engordar" o prestígio não só >de Cavaco como dos seus apoiantes mais destacados >(caso caricato da “liberdade de expressão” de Marcelo >contra a TVI e de Manuela Ferreira Leite contra Bagão >Félix). > >Esta política insensata, que se dispôs a pagar >qualquer preço em troca da cabeça de Santana, vai >agora a dar os seus frutos. > >É o que acontece quando não se tem qualquer projecto >que não seja ganhar as próximas eleições, e quando não >se tem qualquer argumento que não seja a dramática >diabolização do adversário. > > >A escolha do candidato do PS > >Quer se goste quer não o candidato escolhido pelo PS >tem sempre a pretensão de ser aquele em que a >esquerda, mesmo engolindo sapos, se vê forçada a >convergir numa hipotética segunda volta. A escolha de >Mário Soares como candidato presidencial é, nessa >perspectiva, um verdadeiro "hara-kiri" para a >esquerda. > >Essa escolha deve-se, antes de mais, às guerras >internas no Partido Socialista; Sócrates e os seus não >podiam admitir que um adversário, que há poucos meses >disputou a liderança do PS, acabasse entronizado na >Presidência da República. >As outras figuras prestigiadas que o PS poderia lançar >na corrida presidencial (por exemplo Vitorino ou >Constâncio) não se disponibilizaram, e isso foi >interpretado pelo eleitorado como o reconhecimento, >por eles, da inevitabilidade da vitória de Cavaco. > > >Mário Soares é um candidato inconveniente por várias >razões: > >- A idade. Quer se queira quer não, constitui >um problema. A probabilidade de uma pessoa com 81 anos >ter problemas de saúde incapacitantes, na duração de >um mandato presidencial, é muito elevada. > >Embora Soares aparente boa forma física já vai >revelando preocupantes sinais de senilidade, que se >revelam na sua impaciência no trato com os jornalistas >e no desprezo pelas regras de conduta socialmente >consagradas, como foi patente no debate com Cavaco. > >Só por isso muitos portugueses considerarão um risco >votar em Soares. > >- A repetição do exercício de um cargo, >especialmente no topo da carreira, é em geral >considerada aberrante. O homem da rua resume isso na >expressão "o Soares já lá esteve". > >- A guerra com Alegre. Mário Soares ainda hoje >fala da inexistência de candidatos disponíveis como >razão da sua candidatura, o que corresponde a >desconsiderar de forma um tanto grosseira a >candidatura de Alegre. > >Ora as sondagens têm mostrado que Alegre seria numa >segunda volta, a única que verdadeiramente interessa, >um adversário mais difícil para Cavaco. > >Depois desta crispação Soares terá muita dificuldade >em recuperar os votantes de Alegre para uma hipotética >segunda volta. > >- A imagem de Soares. Mal ou bem os portugueses >criaram de Soares uma imagem de falta de rigor, de >amiguismo como critério político (confirmado pela >história incrível dos telefonemas dos amigos europeus >a dizer mal do Cavaco), de retórica em vez de >soluções, em suma, o "nacional-porreirismo" em todo o >seu esplendor. > >Ao fim de vinte anos de presidências desse tipo os >portugueses parecem querer experimentar um estilo >diferente, já não lhes basta que o presidente seja >bonacheirão e se passeie descontraídamente entre o >povo. >Por enquanto parecem querer apenas alguém mais >exigente e austero (lá está o Eanes a apoiar Cavaco). >Esperemos que o degradar da situação e a >insensibilidade dos “políticos” não os leve, dentro de >algum tempo, a exigir um estilo claramente >autoritário. A história pode repetir-se. > > >A campanha > > >A campanha eleitoral de Soares, da forma como vem >sendo conduzida, teria que se considerar completamente >desastrada se o objectivo real fosse a derrota de >Cavaco mas pode ser entendida no quadro da resposta à >"dissidência" de Manuel Alegre. > >Há vários traços equívocos na campanha de Soares: > >- A visão minimalista do papel do Presidente, que é >apresentado como figura decorativa, contradiz os >"papões" associados à eventual eleição de Cavaco. > >- A pretensão de ser um candidato unificador dos >portugueses que é desautorizada pela proliferação de >candidatos na própria área socialista e pelo discurso >“fracturante” baseado na dicotomia direita/esquerda. > >- A tentativa de se apresentar como o único candidato >capaz de forjar consensos e evitar crispações que é >desmentida pelo radicalismo dos anátemas e a >deselegância dos ataques e insinuações de índole >pessoal. > >- A desvalorização de Cavaco como primeiro-ministro, >esquecendo que ele próprio era o Presidente nesse >período, o que mostra um Soares incapaz de assumir a >inevitável co-responsabilidade pelo bom ou mau que >realmente tenha então acontecido. > >- A dramatização do “perigo da direita” enquanto a >maioria parlamentar do PS realiza as mesmas políticas >que Santana Lopes foi acusado de tencionar executar e >que deram a maioria a um Sócrates que parecia saber >como evitá-las. > >O apoio do primeiro-ministro em funções não é coerente >com o "altermundismo serôdio" do candidato Soares. O >discurso de Soares, que parece ter como objectivo >ganhar as "primárias" da esquerda, não tem qualquer >fundamento na sua acção política passada. > >Todas estas incoerências permitem a Cavaco aparecer >como alguém que quer ter um papel activo na superação >da crise actual e que, estando mais próximo da >política do governo, garante a estabilidade >institucional de forma mais convincente. > >Cavaco pode assim continuar a afirmar, formalmente, o >seu respeito pelos poderes presidenciais consignados >na constituição já que Soares se encarrega de >alimentar a esperança dos muitos que gostariam que >Cavaco não estivesse a ser totalmente sincero. > >Cavaco beneficia dessa ambiguidade e dos votos que ela >representa. - Isto de se dizer de partidos de esquerda, não é nada, tenha juizinho e ponha os nomes aos bois... [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
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