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| Subject: O fratricídio | |
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Author: João Morgado Fernandes |
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Date Posted: 24/01/06 13:03:09 Atordoada, a esquerda discute o que não tem grande discussão. A vitória de Cavaco Silva, como o seu arqui--inimigo Santana Lopes gostava de dizer, "estava escrita nas estrelas". Cavaco, por características que lhe são próprias e por aquele grãozinho de sorte que a História às vezes concede, há muito que tinha escancarada a porta de Belém. O tempo encarregou-se de limar as arestas de arrogância que se lhe haviam colado à pele nos dez anos de Governo. Os malefícios de doses excessivas de diálogo e um certo "deixa andar" que marcaram a última década da política portuguesa se encarregaram disso. Os governos cavaquistas emergem agora como referencial quase solitário de estabilidade e desenvolvimento - até a inexplicável debandada guterrista deixou os socialistas sem ânimo ou orientação para defenderem o que de positivo a sua governação conseguiu. E nem Cavaco, na sua longa premeditação de uma década, poderia adivinhar que, neste Janeiro de 2006, o País estaria, exangue, ávido de tecnocratas que lhe façam esquecer os dissabores da política. Já tinha um primeiro-ministro eleito à esquerda, mas sempre disponível para, em nome da eficácia, deixar a ideologia em sossego. Terá agora um Presidente que - espera o País - será o seu complemento directo. O país que votou (e o que gostaria de ter votado...) Sócrates foi decisivo para a eleição de Cavaco. Contra a evidência presidencial de Cavaco, atestada em anos e anos de sondagens, a esquerda pouco podia. E foi-se convencendo da necessidade de encontrar um cordeiro para o sacrifício da derrota honrosa. No Verão, o voluntarismo de Mário Soares veio, mais que incomodar a contabilidade de Cavaco, despertar a esquerda para o combate suicida. É inútil remexer na pequena história dos últimos seis meses - a esquerda não tinha, nunca procurou seriamente ter, uma alternativa credível a Cavaco. Pode, agora, rediscutir novamente todos os cenários. As sondagens - e, desta vez, poucos motivos temos para delas desconfiar - sempre deram Cavaco como eleito, à primeira ou à segunda volta, independentemente de quem a esquerda lhe pusesse pela frente. Há quem, à esquerda, exulte com a vitória à tangente de Cavaco. Pura ilusão. Essa pode ter sido a única bênção destas eleições para esse campo político - uma segunda volta, com os candidatos disponíveis, teria originado um autêntico fratricídio. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Um grupo parlamentar cheio de 'alegristas' | Pedro Correia | 24/01/06 13:04:18 |