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| Subject: Liberalismos | |
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Author: José Manuel Fernandes |
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Date Posted: 31/01/06 2:12:14 In reply to: www.comunistas.info 's message, "Uma hipótese de resposta heterodoxa à crise económica" on 26/01/06 8:41:17 Após uma campanha onde não esteve ausente, o debate sobre os liberalismos regressa por via dos blogues Na sequência das eleições presidenciais, vai uma interessante discussão na blogosfera sobre o liberalismo. Nada que surpreenda: Portugal é um país iliberal, onde tudo ou quase tudo depende do Estado ou vive amparado pelo Estado. Do pobre ao milionário. As excepções existem, mas são poucas, tão poucas que não exageramos se dissermos que estiveram de todo ausentes da campanha presidencial. Não foi só a grave situação internacional que não se discutiu: também nenhum dos candidatos questionou a nossa "Estadodependência". Bem pelo contrário, já que se algumas palavras se ouviram foi para considerar, por exemplo, que já bastava de privatizações. Blogues como Espectro, Blue Lounge, O Insurgente, Portugal Contemporâneo ou Causa Liberal, entre outros, têm trocado ideias sobre se a eleição de Cavaco Silva favorece ou não a afirmação de uma alternativa não keynesiana nem social-democrata, também não obrigatoriamente ligada à direita tradicional (que em Portugal nunca foi liberal e sempre preferiu o proteccionismo, da mesma forma que preferia o paternalismo autoritário à responsabilidade individual), antes moderna e visceralmente anti-estatista. Aparentemente os mais novos intervenientes neste debate são também os mais idealistas: acreditam que Portugal pode um dia trocar os herdeiros de Keynes pelos de Hayek, seja qual for a sua declinação contemporânea. Os mais velhos tendem a ser mais cépticos: nunca tivemos aquilo que se convencionou chamar "sociedade civil", não é agora que uma cultura de dependência quasi-eterna se vai alterar. Em sua defesa pedem-nos singelamente que recordemos a história e a actualizemos olhando para o Portugal que nos rodeia. Ora é mesmo nesse olhar que, provavelmente, se explica a clivagem. Revisitando a história, não nos movemos nem moveremos, pois nela os diagnósticos sempre foram tão certeiros como foi impotente a acção política. Para mais, acrescenta-se, como pode um país pobre ser liberal? Podem os pobres - isto é, todos nós, incluindo os ricos, que são pobres quando comparados com os ricos de outros países - viver sem o amparo do Estado e dos governos? Não podem, juram-nos, a todo o nosso passado antigo e recente parece dar-lhes razão. Os mais novos, porventura mais idealistas, também mais deslumbrados por leituras recentes, resistem. Mas fará isso deles um bando de fanáticos? Talvez haja outra forma de avaliar a interessante troca de argumentos: notar como os mais novos, os que estão a chegar ao mercado de trabalho, os que perderam a esperança do emprego garantido e já não acreditam na reforma segura, são hoje, de um modo geral, mais atrevidos, mais atreitos ao risco, estão melhor preparados e têm mais ambição. Não todos, é certo, mas basta pensar que enquanto há uma geração ter formação superior era uma garantia de sucesso, hoje mais depressa leva ao desemprego e o último lugar onde eles podem procurar emprego é nos serviços dos Estado, que estão a abarrotar. Os que vivem esta nova realidade - vivem, não teorizam - gerarão porventura um Portugal diferente. E seguramente mais liberal em todos os aspectos. PS - Uma das frases mais liberais (em todas as dimensões do termo) da semana vi-a citada neste debate e provém de um documento que ainda não li com a devida atenção, mas que suspeito dará muito que falar. A frase é: "Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda". O documento citado é a primeira encíclica de Bento XVI, Deus Caritas Est. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Re: Liberalismos e demagogias | Guilherme Statter | 31/01/06 10:42:07 |
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