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| Subject: Re: Citação de Marx (Grundrisse) - II | |
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Author: Guilherme Statter |
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Date Posted: 31/01/06 23:28:41 In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Citação de Marx (Grundrisse)" on 29/01/06 21:03:47 Voltando ainda a esta interessante (por vezes com ares de bizantina) questão das diferenças entre trabalho "produtivo" e trabalho "improdutivo", gostaria de salientar alguns aspectos (a que aliás já me referi ainda que de passagem) mas que me parecem mais estranhos. Direi mesmo, insólitos. Por exemplo, o caracter dicotómico da classificação. Aqui onde está dicotómico pode também ler-se "definição formal" (ou metafísica...) de uma qualquer coisa ou entidade. Se bem me lembro, a "dialéctica" é suposta ser (entre outras coisas) um método de estudo que propõe uma abordagem dinâmica e flexível ao caracter sempre em mutação das "coisas" e dos seus "contrários". Ou seja, algo de muito diferente (e eu diria mesmo, muito mais produtivo... sem piada) do que a distinção dicotómica entre duas "categorias opostas" de "trabalho". Já vi num trabalho de um senhor marxista esta distinção muito interessante: numa linha de montagem (imaginemos a Auto Europa) as actividades dos operários que laboram na linha de montagem dos automóveis corresponderiam a "trabalho produtivo". Mas, no caso dos operários que se ocupam da manutenção da linha de montagem propriamente dita, já não. Por acaso (?) calhou a esse nosso "marxista" (de aviário?...) colocar a linha divisória entre trabalho "produtivo" e "improdutivo" entre dois grupos distintos de operários. Se calhar iria colocar também na categoria de "trabalhadores improdutivos" os estagiários a quem (na Honda era assim que faziam aqui há uns anos atrás) entregavam umas esfregonas e outros instrumentos de limpeza para garantir que todo o espaço de trabalho da linha de montagem estivesse impecavelmente isento de problemas que pudessem perturbar o trabalho dos operários propriamente "produtivos" (na asserção do nosso "marxista") contribuindo assim para manter a sua elevada produtividade (acidentes = zero). Aqui há uns anos tive que visitar uma linha de montagem da Scania em Södertälje. Foi uma experiência interessante também de um ponto de vista de distinção entre trabalho "produtivo" e trabalho "improdutivo". Os trabalhadores supostamente "produtivos" ("estacionados" em cada baia ou estação das 44 de que se compunha a tal linha de montagem) passavam 1/5 do tempo (+ ou -) a jogar às cartas ou a ler e a conversar em grupos. Isto porque estavam sujeitos ao ritmo mecânico – controlado por computador – do trânsito dessa famigerada linha de montagem. Parece que havia lá umas operações que tinham que ser feitas com MUITO mais cuidado que outras e os engenheiros ainda estavam a aperfeiçoar a sincronização perfeita de TODAS as actividades. Parece que andam nisso há décadas (ali e não só) a ver se conseguem a fábrica ideal: sem trabalhadores (produtivos ou não produtivos... mais uma vez, sem piada) Mas voltando à tal visita. Enquanto os trabalhadores "produtivos" descansavam um 1/5 do tempo útil supostamente dedicado à laboração, havia uma classe de trabalhadores que não paravam. Eram os tais da manutenção da linha de montagem (essa não se mexia...). Assim como o pessoal que tinha a seu cargo as limpezas (do espaço fabril) e o pessoal encarregado da manutenção (reposição de stocks...) das diversas máquinas de bebidas e comidas espalhadas pelo tal espaço fabril. Depois havia os inspectores de qualidade (não eram "chefes", eram só trabalhadores...) e estavam bem sincronizados com a chegada dos veículos prontos para cada inspecção. A qual já estava pré-programada (num gabinete de estudos onde uns engenheiros "improdutivos" tinham concebido a rotina da inspecção de modo a sincronizá-la com o ritmo de chegada dos veículos). E por fim havia os "experimentadores" ou "pilotos de ensaios" que levavam os camiões acabadinhos de montar para uma pista de provas onde se entretinham a testar as máquinas. Durante horas. Também não paravam mas, como "não acrescentavam valor" a cada veículo testado (até já estava concluído!) eram evidentemente "improdutivos". Claro que do ponto de vista dos accionistas (?...) da Scania, todos os trabalhadores (a começar no engenheiro-director geral e a acabar nos vigias que controlavam o acesso às instalações) eram "produtivos". Todos eles eram participes no processo de produção de algum (bastante) sobreproduto ou mais-valia que a direcção da Scania depois esperava recuperar na VENDA a concretizar num futuro mais ou menos próximo. Aquilo (os camiões...) não eram feitos por encomenda... A estória da (dicotómica) distinção entre trabalho "produtivo" e "improdutivo", ainda não acabou. Mas por hoje fico-me por aqui. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Isso, isso, disfarça o engasganço com a tosse e o pigarro... (NT) | Ex-militante (vendo como Lenines e Estalines se engasgaram) | 1/02/06 15:19:15 |