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Subject: Re: Citação de Marx (Grundrisse) - VI - Em resumo e conclusão


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 5/02/06 12:52:40
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Citação de Marx (Grundrisse)" on 29/01/06 21:03:47

E para descanso do Dr. Paulo Fidalgo e de algum médico João Semana que por aqui venha (como se eles estivessem muito preocupados com isto…).
Mas para ler com alguma dose de ironia.
Então é assim:
A distinção entre trabalho "produtivo" e trabalho "improdutivo" tem muito interesse de um ponto de vista da gestão empresarial (normalmente, mas não só, na famigerada "esfera da produção"). Mas também só tem interesse se tivermos em conta o caracter não-dicotómico dessa distinção. E muito em particular o caracter permanentemente contingencial dessa distinção.
Já disse isto aqui antes, mas à vezes é preciso repetir.
Um dos êrros (ou melhor, uma das insuficiências) da vulgata marxista é pensar que "só o trabalho produtivo" é que dá origem à "mais-valia". Pois é verdade, mas não chega como explicação.
E não chega porque ainda não se inventou um sistema de coordenção e registo de actividades que dispense a intervenção de trabalhadores convencionalmente considerados "não produtivos" (os quadros e os administrativos, por exemplo).
Seria muito mais eficaz para a análise pensar em termos de "maior ou menor contributo" para o produto final por parte de cada membro do colectivo empresarial. O tal continuum de gradação entre o "absolutamente produtivo" - o limite matemático dessa função - o "absolutamente improdutivo" - também o limite matemático oposto dessa mesma "função de produção". Não confundir com a "função de produção" dos economistas convencionais...
Entretanto, e voltando à "produção de mais valia" por parte de trabalhadores ditos "improdutivos", deve ser por isso que no plano da linguagem corrente, comum, popular, se divulgou tanto a expressão do tipo "fulano é uma mais-valia para a equipa". O Mourinho, por exemplo, não está dentro do campo a jogar futebol, mas sem ele o nosso F.C.Porto está com alguns problemas e o Chelsea ganha quase tudo....
Há uns adeptos da vulgata marxista que partilham com MUITOS gestores não marxistas (ou mesmo visceralmente anti-marxistas) a ideia de que para aumentar a produtivdade (e portanto a mais-valia per capita...) importa reduzir os trabalhadores "improdutivos" e aumentar os trabalhadores "produtivos".
É.... de facto é assim.
Cá por mim também já passei alguns anos a fazer a "reconversão" de trabalhadores "improdutivos" em trabalhadores "produtivos".
O problema é que, repito, ainda está por inventar um sistema de coordenação de actividades (cada vez mais variadas e dispersas no tempo e no espaço) o que faz com que continuaremos, por mais uns tempos, a ter que "aturar" muitos trabalhadores "improdutivos".
Mas se esses trabalhadores "improdutivos" acabam por ser imprescindíveis (enquanto não se inventa um utópico sistema psico-social da auto-gestão perfeita) então para que serve a distinção entre trabalhadores "produtivos" e trabalhadores "improdutivos" ?...
Claro que somente para efeitos de gestão e de maximização da taxa de produtividade societal.
Por outro lado, a co-existência de trabalhadores "produtivos" e trabalhadores "improdutivos" tanto acontece na chamada "esfera da produção", como na chamada "esfera da circulação".
Ah... ah... cá estou eu a meter o pé na argola... Trabalhadores "produtivos" na "esfera da circulação" ?!?!...
É assim, de vez em quando foge-me a escrita para a realidade pragmática de todos dias.
Como se sabe – até na vulgata marxista... – é na esfera da circulação que se "materializa" (ou não...) sob a forma de vendas = dinheiro, a massa das mais-valias produzidas na "esfera da produção". Assim sendo, ter-se-ia que a totalidade dos trabalhadores na "esfera da circulação" seriam trabalhadores "improdutivos".
Então, se um profissional (por exemplo, de Medicina) estiver muito interessado em obter um diploma de trabalhador produtivo (de modo a que não o chateiem mais com a conversa de que é um "trabalhador improdutivo"), a primeira coisa a fazer é ir trabalhar para a "esfera de produção". E depois quando chegar a esse sítio mágico e "surreal" (quer dizer "sub-real"), mas cinzento ou a preto e branco (como nos "Tempos Modernos" do Chaplin) deve procurar uma ocupação onde possa contribuir directa e indubitavelmente para produção de mais-valia.
Por exemplo em vez de estar (como se calhar estava) num Hospital do Estado (na presunção - nada garantida – de que estaria na "esfera da circulação"(1)) e aí a dirigir os trabalhos de uma equipa médica e a participar em reuniões de coordenação e gestão de actividades (logo tudo duplamente "trabalho improdutivo"), então vai ter que procurar emprego numa clínica privada que venda serviços de saúde a membros activos da força-de-trabalho. Isto porque se for uma clínica para vender esses serviços aos burgueses capitalistas (ou aos respectivos conjugues mais ou menos parasíticos) então enganou-se na porta, entrou num vortex espacio-temporal e regressou à esfera da circulação.
E cuidado, não diga que é muito bom gestor hospitalar ou coordenador de equipas médicas... Arrisca-se a que o contabilizem (malandros dos gestores empresariais) na malfadada categoria dos trabalhadores "improdutivos".
Portanto já sabe. Uma vez lá na esfera de produção, quando bater à porta da tal clínica privada (de uma Companhia de Seguros, por exemplo) que só vende serviços de saúde aos membros (in)activos da força-de-trabalho, ao chegar à secção de "Recursos Humanos", identifique-se como "operário especialista em medicina".
Tá garantido, recebe logo um carimbo de "trabalhador produtivo" e os seus custos são contabilizados na rubrica geral de "capital variável" lá da clínica e não em (faux) "frais de production".
A tal companhia de seguros, como uma ligação tipo “vortex espacio-temporal bem conectada à esfera da produção, contribui para “sacar algum” (muitos alguns...) aos membros activos da força-de-trabalho e para re-encaminhar esses "muitos alguns" (grão a grão...) para o circuito financeiro-monetário da "esfera da circulação" (através do tal vortex espacio-temporal) por lá ficando esses fundos – na esfera da circulção - à espera de melhor aplicação.
É claro que ao nível do sistema social como um todo, (repito, ao nível da produção social total, dos 6.600.000.000 que parece que já somos), "isto" (a "produção da clínica privada que vende serviços de saúde a membros (in)activos da força-de-trabalho) acaba por ter que ser contabilizado como "trabalho improdutivo". O seu custo tem sempre (vulgata marxista dixit) que ser deduzido do excedente económico total (ou agregado societal das mais-valias todas).
Mas isso já não é consigo. O diploma de trabalhador produtivo já ninguém lho tira...
A não ser que tropece nalgum inspector da brigada de fiscalização do rigor visível da vulgata marxista... O qual lhe explica, com a paciência típica dos inspectores, que em rigor, aquilo que a mais-valia que o "sôtôr" produziu, era mais-valia que já tinha sido produzida (e vinha camuflada nos salários) e que o os malandros dos trabalhadores produtivos tinham conseguido sacar – por artes marcio-sindicais ou outras – aos seus legítimos proprietários. Aquela classe de "improdutivos" a que esses malandros chamam de burgueses capitalistas.
(1) - Em alguma vulgata marxista o Estado está de fora das "esferas" (deve ser quadrado), seja da "produção", seja da "circulação". Ou então está nas duas, ao mesmo tempo. Mas para discutir isso melhor, é preciso mais tempo e eu agora não estou com pachorra.

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Subject Author Date
Em resumo e conclusão:estás a km do que chamas a vulgata marxista. Nem sabes o b-a-ba! (NT)Ex-militante(verificando que estás longe e não chegas lá) 5/02/06 19:28:01


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