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Subject: O culto do trabalho nortenho!


Author:
Itelvino Rodriguez
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Date Posted: 6/02/06 21:43:17

O culto do trabalho nortenho!


Já que se encontra na moda alvitrar sobre a estupidez humana portuguesa, dispus, também eu, de algum tempo para exprimir meia dúzia de bitaites sobre este mote. Como não conheço a sociedade portucalense na sua totalidade, fico-me apenas pela divisão que entendo melhor, podendo esta tese ser estendida a quem por direito decida enfiar a carapuça!

Uma coisa é certa: a julgar pelos resultados das últimas presidenciais, devemos no mínimo concluir, que não somos tão inteligentes como gostaríamos! Mas isso fica para outra altura.

No teatro laboral, adjacente ou fora dele, as concepções sobre a filosofia do trabalho nortenho, assentam num culto quasi religioso de dádiva, sofrimento e dor! Não importa a tarefa, produtividade ou mesmo o lucro, o que interessa é a dedicação auto-escravizante com que nos entregamos à causa! É um fenómeno acima de tudo cultural, proveniente do conservadorismo reminescente a 48 anos da dura tirania a que fomos subjugados. No entanto, dadas as terríveis semelhanças, seria completamente injusto não atribuir também elevado mérito ao catolicismo, que duma maneira ainda bem presente, instiga a uma vida sofrida, comportada e à inerente sacralização do trabalho!

Assim, esta filosofia produz, não filósofos mas seres alienados, de uma maneira geral, muito mais infelizes que os seus antepassados, que ao menos, no final da árdua cruzada, lhes era atribuído o paraíso! Ora, a estes novos ordeiros, a litle bit americanizados e pouco praticantes da fé cristã, não será certamente concedido o mesmo angélico fim que o dos seus queridos pais! É a vida! (expressão popular reaccionária)

Mas tracemos de forma sintética o retrato de um típico conservador, a ver se não encontramos nesse indivíduo várias semelhanças com a nossa própria pessoa! Não é obrigatoriamente necessário, militar-se no PP, ter-se comportamentos homofóbicos assumidos e bater semanalmente na nossa companheira. Um conservador do sec. XXI, moderno (olha lá o paradoxo!), possui características muito para além da compreensão. Mas desde que consuma uma boa dose de hipocrisia, o título fica assegurado! No contexto profissional, deverá portar-se de uma forma altamente crítica a todas as funções, mesmo aquelas que desconhece e não faz a mínima ideia para que servem! Em primeiro lugar, pelos seus colegas directos, ao quais numa atitude clínica se atesta um certificado de incompetência em todas as matérias a concurso. De seguida, porque o que fazemos é sempre de uma importância olímpica, sobranceiramente suprema e particularmente custosa, varremos de alto a baixo os restantes ofícios, aos quais apenas os calaceiros aspiram! “Essas lides de importância menor, não auferem nenhuma mais-valia ao produto final” É também muito importante, emanar uma aparência permanentemente ocupada de afazeres e responsabilidades. Elevado espírito de penitência e uma colecção de maus olhares sempre prontos a atingir qualquer indivíduo, preguiçoso, que cometa o pecado de dormir aos sábados de manha!(Vai trabalhar malandro!) Para equilibrar, não fosse o excesso de ego e o nariz empinado provocar-nos uma ruptura no pescoço, sofremos de uma hiper-inveja patológica, por tudo o que nos rodeia, incluindo até, certos seres inanimados! Vizinhos, família e “amigos”, são todos objectos de ciúme, ferruncho e escárnio. Por vezes, mais do que as admitidas por qualquer uma das religiões, satisfazemo-nos, orgasmicamente, com a perda de emprego de outrem, um rompimento amoroso de longa duração ou outro tipo de insucesso alheio.

Assim, oscilamos entre uma comportamental agressividade moralista, com que julgamos os nossos congéneres depreciativamente e um descompensado sentimento de inutilidade, ciumeira e pequenez!

Vivendo-se na zona do país onde mais se trabalha, ordinariamente, extra, e até durante a infância, com os salários mais baixos de Portugal (42% abaixo dos alfacinhas), não será pois de estranhar que o trabalho, mais que uma obrigação, seja um ente idolatrado entre nós! O exasperado culto deste valor, assim como o conservadorismo profundo, é uma prática moralmente compelida, para uma devida aceitação pela comunidade local! Uga Buga!


Itelvino Rodriguez
email: cerf@portugalmail.pt
sitio: www.carapau.pt.vu

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