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Subject: Fabuloso


Author:
Zé Andrade
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Date Posted: 9/01/06 23:25:28
In reply to: ANTÓNIO BARRETO 's message, "O exemplo vem de cima" on 9/01/06 19:47:36

>O BCP, o BES, o PS e a Iberdrola estão de parabéns.
>Após longos meses, talvez anos, de negociações
>difíceis, conseguiram desenhar uma solução para a EDP,
>com repercussões a prazo para toda a energia
>portuguesa. Os esforços concertados de Manuel Pinho,
>deputado socialista, de Manuel Pinho, ministro
>socialista da Economia e de Manuel Pinho,
>ex-funcionário do Espírito Santo; de António Mexia,
>presidente indigitado da EDP, de António Mexia,
>ex-ministro social-democrata da Economia, de António
>Mexia, ex-presidente da Galp, de António Mexia,
>ex-presidente da Transgás e de António Mexia,
>ex-funcionário do Espírito Santo; de Joaquim Pina
>Moura, presidente da Iberdrola, de Joaquim Pina Moura,
>deputado socialista, de Joaquim Pina Moura,
>ex-ministro socialista e de Joaquim Pina Moura,
>ex-funcionário do BCP, deram frutos neste início de
>ano novo, em cima da grande festa da Epifania!
>O Grupo Espírito Santo, em particular, merece
>felicitações. Dia após dia, acumula vitórias. É um
>grande grupo económico e financeiro português. Um
>centro de decisão nacional. Tem ganho sucessivamente
>todas as partidas em que se tem envolvido. Na PT. Na
>Galp. Agora na EDP. Nos diamantes. No off shore. No
>Brasil. Na venda à ENI das suas partes na Galp, nos
>tempos de Pina Moura no governo. Na compra de
>participações na EDP, nos tempos de Pina Moura na
>Iberdrola e de Manuel Pinho no Governo. O BES sabe o
>que faz. Sempre.
>Também Pina Moura merece especial saudação. Este homem
>não brinca em serviço. Nunca. Mesmo quando muda de
>serviço.
>Finalmente o governo e os socialistas. Foram eles que
>conceberam, desenharam, escolheram e nomearam.
>Tentaram, modestamente, convencer a opinião de que o
>mercado produzira esta solução, mas toda a gente
>percebeu que tudo se deveu à sua decisão e aos seus
>interesses. Na ausência de uma política energética
>conhecida, na falta de um plano de longo prazo para a
>energia portuguesa, o governo e alguns socialistas
>decidiram, corajosamente, substituir o mercado e tomar
>as decisões que se impunham.
>
>Já a acção do Presidente da República pode ser
>considerada ambígua. Teve uma intervenção no processo,
>mas não se sabe qual. Pode concluir-se que ficou
>esclarecido e que juntou os seus esforços aos do
>governo, dos socialistas, de Manuel Pinho, Pina Moura,
>António Mexia, BCP e Espírito Santo? É razoável pensar
>isso.
>Só fica uma sensação estranha: como classificar este
>método presidencial? "Ser chamado a Belém" é uma coroa
>de glória. Significa que algo de importante está em
>curso e que esse alguém tem alguma coisa a dizer. Para
>a imprensa, saber que alguém foi chamado a Belém, é o
>princípio de uma grande notícia. Há qualquer coisa no
>ar. Para o Presidente da República, chamar alguém a
>Belém é mostrar o seu poder, exibir a sua preocupação.
>Quando alguém é chamado a Belém, o país retém a
>respiração. É de tal modo importante chamar alguém a
>Belém, que a maior parte dos candidatos à presidência
>revelou já, entre as páginas em branco dos seus
>programas, que tenciona chamar alguém a Belém cada vez
>que haja preocupação de maior. Mas não escondo uma
>conclusão: quando alguém é chamado a Belém, não só não
>se sabe o que se passa, como é certo que nada se
>passará.
>
>Todo este caso, da EDP à energia, faz ressuscitar o
>saboroso problema das nossas relações com Espanha. O
>que estimula as reacções emotivas. Ora, se os
>espanhóis tomarem conta da electricidade, paciência! É
>porque merecem. E porque os empresários portugueses
>são ignorantes e preguiçosos. E talvez tenhamos
>melhores serviços e energia mais barata! Se os
>espanhóis tomarem conta das telecomunicações,
>paciência. É porque podem. E porque os capitalistas
>portugueses não têm meios nem visão. E é quase certo
>que teremos serviços de mais qualidade e chamadas mais
>baratas. Se os espanhóis tomarem conta do gás e dos
>petróleos, paciência. É porque têm capacidade. E
>porque os capitalistas portugueses gostam pouco de
>trabalhar e de correr riscos. É bem possível que
>venhamos a ter gasolina mais barata, gás mais em conta
>e assistência a domicílio mais competente.
>A conquista económica de Portugal pela Espanha tem
>sido desejada pelos portugueses e apoiada pelos
>governos. Os espanhóis compram imobiliário porque há
>quem o venda. Vendem mercadoria de toda a espécie
>porque há quem lha compre e quem, nos supermercados,
>prefira os produtos espanhóis de superior qualidade.
>Adquirem acções nas empresas que lhes interessam, na
>banca, no comércio, na construção civil, na celulose e
>nas obras públicas, porque encontram vendedores e
>governos complacentes. Entraram ruidosamente na
>electricidade, no gás, na energia eólica, na imprensa,
>nos telefones e na televisão porque encontraram
>parceiros fáceis, assim como governos rendidos. O
>principal destino dos portugueses em férias é a
>Espanha. O maior grupo de visitantes estrangeiros em
>Portugal é o de espanhóis. O principal fornecedor das
>nossas importações é a Espanha. O primeiro cliente de
>Portugal é a Espanha. O principal investidor é a
>Espanha. Talvez seja a Espanha o principal destino
>actual da emigração temporária portuguesa. Há também
>milhares de trabalhadores que, todos os dias, se
>deslocam para trabalhar em Espanha. Assim como
>inúmeros portugueses que, vivendo perto da fronteira,
>escolheram as cidades espanholas para comprar as suas
>casas, mais baratas, para se fornecerem nos
>supermercados, mais variados, para festejarem nos
>restaurantes espanhóis, mais acessíveis. Sem falar nos
>nossos concidadãos que vão a Espanha ao médico, à
>farmácia e ao analista. Já há mais portugueses no
>Prado do que nas Janelas Verdes. E no museu de Arte
>Antiga, são mais os visitantes espanhóis do que
>portugueses. Todos estes são sinais de que o mercado,
>o consumidor, o bom povo, a classe média e o utente
>ratificam a conquista. O agrado é generalizado. As
>vantagens para o consumidor indiscutíveis. É provável,
>como já se viu com o Corte Inglés, que os costumes
>portugueses, graças à influência espanhola, mudem mais
>rapidamente. A longo prazo? Não sabemos. O que
>acontecerá com as liberdades e a independência? Não
>sabemos. Para já, sabemos que eles são melhores e mais
>ricos. Porque trabalham para isso e defendem os seus
>interesses. E nós não. Nem uma coisa nem outra.

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Replies:
Subject Author Date
Y arriba Espanya....Visitante Cinico (e a pensar em emigrar - para Madrid...)10/01/06 12:28:13


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