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| Subject: O plano B | |
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Author: Salgado Matos |
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Date Posted: 26/12/05 22:54:02 Em 2005, os portugueses descobriram que estão na ressaca; a União Europeia descobriu que pode acabar de um dia para o outro; todos percebemos que a insegurança aumentou; e a globalização marcou mais pontos. A globalização é o comércio livre. Ora o comércio livre vence. Embora haja um aumento do proteccionismo, em nenhum país os proteccionistas conseguem ter influência. É um paradoxo: estamos a caminho de um mercado livre mundial e o preço do ouro volta a subir. Porque sobe a cotação da «relíquia macabra», na frase romântica do economista John Maynard Keynes? Porque o ouro continua a ser a mercadoria mais cara por centímetro cúbico e a mais vendável em qualquer canto deste mundo de Cristo. A mais fácil de levar quando temos que fugir - e a mais fácil de vender quando chegamos ao porto de abrigo. A principal fonte da insegurança não é a economia: é a resistência à economia. Algum Islão quer fugir ao mercado mundial. E alguma Ásia. E alguma Europa. A Europa, aliás, deixou de crescer, perde peso no mundo e convence-se que o mundo está em crise. Ora a economia mundial cresce e o mundo recomenda-se. Os referendos holandês e francês mostraram que, para dois Estados fundadores do Mercado Comum, havia União Europeia a mais - ou uma Europa errada. Num caso e noutro, um certo Islão estava no cerne aparente da insegurança. Também por aqui crescia o racismo - e o aumento do racismo é um indicador seguro de perigos futuros. Os povos tornam-se racistas quando têm medo - e, para esconjurar esse medo, inventam o bode expiatório do povo mau. Os portugueses sabem tudo isto: o proteccionismo pode voltar, a Europa pode acabar, a guerra pode regressar. Talvez por isso, aprenderam que as coisas deles não vão bem. Já não era sem tempo. Deduzimos esta aprendizagem da popularidade que dão a José Sócrates - por reconhecerem a inevitabilidade das medidas difíceis que ele tem aplicado. Os portugueses têm, porém, um ponto fraco: concebem as suas dificuldades como uma ressaca. Ressaca do Império, para uns; ressaca da Revolução, para outros. Mas ressaca. Ora o ressacado de heroína quer mais heroína; e o ressacado de Portugal quer mais lóbis, lóbis mais fortes, mais salário que não dependa da produtividade, mais Estado para diminuir a infelicidade humana e mais impostos para permitir ao Estado resolver a infelicidade humana, incluindo nesta infelicidade o insucesso escolar por falta de estudo, o desemprego por insuficiência da vontade de trabalhar e o consumo excessivo de drogas por excesso de tempo livre devido ao insucesso escolar por falta de motivação e ao desemprego por falta de predisposição psíquica para trabalhar. A ressaca é melhor que a bebedeira - mas falta-nos passar à elaboração do Plano B, que nos permitirá sobreviver se o nosso primeiro plano se revelar irrealizável. Neste particular do Plano B, a elite tem uma singular responsabilidade. Investigador de ciências políticas [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Qual élite? (NT) | Vesitante Cinico (e numa de cepticismo...) | 28/12/05 20:33:52 |