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Subject: Perguntas não feitas a Cavaco e a Soares


Author:
Jos´Manuel Barroso
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Date Posted: 28/12/05 12:36:16
In reply to: Vasco Graça Moura 's message, "O desprestígio da República" on 28/12/05 12:21:24


Quando, no dia 20, assistia ao debate entre Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva algumas questões se me colocaram. Frente a frente (ou lado a lado) estavam dois homens com diversas experiências e vivências políticas, quase sempre cruzadas. Por estranho que pareça, essas experiências cruzadas de ambos não foram nunca exploradas no decurso do debate. E como isso teria sido determinante para esclarecer o que cada um deles entende sobre o uso dos poderes presidenciais!

Soares foi primeiro-ministro em duas situações difíceis para o País e sempre tendo na cúpula do Estado um Presidente interveniente, o general Eanes. No final dos anos 70, Soares dirigiu um Governo minoritário e, depois, por pressão de Eanes e face à situação de quase bancarrota do Estado, foi conduzido a um Governo de coligação disfarçada com o CDS (um golpe de rins que lhe causou alguns danos no interior do PS). Feito o acordo com o FMI, essencial para o País, as divergências naturais entre os programas do PS e do CDS vieram ao de cima, este rompeu a coligação e Eanes demitiu Soares - não tendo em conta ser o PS o partido maioritário e convocando eleições intercalares, que deram a vitória à AD de Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Ribeiro Telles.

Em 1983, Soares regressaria à chefia do Governo, dirigindo uma grande coligação PS/PSD, de novo sob ameaça de bancarrota do Estado e para negociar mais um acordo salvador com o FMI. Mas, também, assinando esse outro acordo salvador da adesão de Portugal à CEE (hoje, União Europeia). Quando Cavaco Silva ganha o congresso da Figuei- ra da Foz e coloca a Soares condi-ções draconianas para manter o Governo PS/PSD, este casamento político desfaz-se e o Presidente Eanes convoca novas eleições. Cava- co ganha-as, com maioria relativa e forma o Governo minoritário do PSD.

Um ano depois, partindo de sondagens de 8%, Soares ganha as presidenciais de 1986 a Freitas do Amaral, apoiado por Cavaco, na segunda volta. Na Presidência, Soares quer atingir três objectivos manter a estabilidade, sem prescindir da "moderação" do Presidente; garantir um segundo mandato; destruir o PRD de Eanes, que roubara metade do eleitorado do PS. Quando uma coligação parlamentar PS/PRD derruba Cavaco, Soares dissolve o Parlamento. Castigou, assim, o PS e o PRD - mas Cavaco obtém a maioria absoluta (maior do que Soares esperava) e torna o PRD num partido residual.

Mesmo sem gostar de Cavaco, Soares respeita as regras do jogo, visando, sobretudo, a sua reeleição e a recomposição do PS. Reeleito, Soares é surpreendido pela segunda maioria absoluta de Cavaco. De mãos livres, tenta fazer o que os líderes socialistas (Constâncio e Sampaio, que Belém considerava fracos) não haviam conseguido preparar a alternativa ao PSD. Soares torna-se numa espécie de líder de facto da oposição, é o tempo dos vetos presidenciais, das presidências abertas anti-Governo, do apoio aos descontentamentos (o "direito à indignação"). Cavaco entende ter terminado um ciclo, retira-se. Soares vence, sai de Presidente, dando posse a um Governo socialista.

Afastado da política partidária e depois de ter perdido umas presidenciais que não podia recusar, sem perder a face perante o centro-direita, Cavaco espera o seu tempo. Dez anos. Em que dá aulas, publica livros, fala dos males nacionais, prepara a sua vez. Está "de fora". Mas intervém no PSD, quando considera isso útil. No tempo da coligação PSD--CDS/PP, presidida por Santana Lopes, toma posição contra o Governo, por via dos seus mais chegados ou por artigos de jornal.

E daqui decorre a questão inicial, o que não foi perguntado. Se Cavaco for eleito, com um Governo de maioria clara, vai cooperar "de facto" com o Governo ou, em tempos de decisões difíceis e impopulares, mas necessárias para o futuro do País, tenderá a ser, "de facto", um crescente líder da oposição, como o foi Soares no segundo mandato? Que fará de diferente, ele que tão claramente criticou o comportamento de Soares nesse mandato? E se Soares for eleito e as coisas, na área do PS, correrem mal ou forem difíceis para o Governo? Intervirá, indirectamente, como o fez com Constâncio e Sampaio, escreverá artigos sobre a moeda boa e a moeda má? Ou apoiará um líder que tem uma visão do Estado social mais próxima das soluções do Norte da Europa do que da visão "sulista" e que governa em situação não muito mais fácil da que governou Soares em 1977 e em 1983?

Seria interessante ter ouvido respostas de Cavaco e de Soares a estas questões.

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Pois é... Mas a pulitika em "bochechês" é assimVisitante Cinico (e numa de tristeza...)28/12/05 12:37:13


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