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Subject: A política está "muitas vezes ao serviço de grupos e interesses ilegítimos", adverte Arnaut


Author:
Margarida Gomes
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Date Posted: 13/12/05 18:15:13



Fundador do PS critica partidos por estarem transformados em "máquinas de conquista de poder e agências de emprego"

O ex-grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), António Arnaut, mostrou-se ontem preocupado pelo facto de "os grandes valores éticos" parecerem arredados da sociedade e da administração pública e deixou claro que "o problema fulcral" consiste em "conciliar a ética com a política".
"A preocupação individual pelo sucesso, o nepotismo, a ânsia desmedida de enriquecimento, a corrupção, a mediocridade, a falta de escrúpulos e do sentido de servir a causa pública, tornam o mundo numa selva, onde predomina a lei do mais forte, ou num pântano, onde reina a regra do salve-se-quem-puder", declarou o ex-ministro dos Assuntos Sociais do II Governo Constitucional liderado por Mário Soares.
Ao discursar numa conferência sobre O Estado de Direito, Autoridade e Ética, no Ateneu Comercial do Porto (ACP) - a primeira que proferiu publicamente depois de ter cessado o seu mandato como grão-mestre do GOL em Setembro passado -, Arnaut empenhou-se em retirar da história exemplos que provam que "a política está, muitas vezes, ao serviço de grupos e interesses ilegítimos que menosprezam a lei, a verdade e a razão". "Galileu foi obrigado a retractar-se pela Inquisição, em 1633, por ter afirmado, contra a doutrina da Igreja, que a Terra move-se à volta do Sol; Lyssenko, cientista soviético, teve de renunciar, em 1984, às suas teses, em nome do materialismo dialéctico, que foi ao extremo de "decretar" que a biologia de Mendel era burguesa...", disse durante a conferência, integrada no 136.º aniversário da fundação da biblioteca do ACP.
"Nos tempos que correm, de ultraliberalismo à solta, que devasta, como um tornado, a paisagem natural e humana, a acção política é frequentemente antiética porque se submete às ditaduras dominantes: a económica, que, através dos lobbies, condiciona os governos; a tecnocrática, que, através da teia de burocracia e do corporativismo, emperra a administração; a mediática, ligada aos grandes grupos económicos, que explora a credulidade popular e a vaidade de certos governantes, determinando as suas decisões, criando factos políticos e fazendo até, ela própria, eleger os titulares dos órgãos de soberania...", ajuizou. Por estas razões, entende que se assiste "à demissão da autoridade do Estado e, em consequência, a uma crise do regime democrático".
Cáustico na avaliação, Arnaut não poupa os partidos políticos, acusando-os de estarem "transformados em máquinas de conquista do poder e agências de emprego para os seus apaniguados". E diz que (...) "todo o poder é efémero e só se justifica se tiver por objectivo o bom e o justo". Esta ideia - observa - implica que "os partidos não façam promessas demagógicas nem intrigas de bastidores, defendendo na oposição o contrário do que defendiam no Governo, ou vice-versa; que os ministros tenham convicções e que acreditem no que fazem; que os deputados interpretem os sentimentos profundos da comunidade; que os juízes julguem com prontidão e independência; que os professores ensinem; que os funcionários públicos tenham consciência de que existem para os cidadãos, enfim, que as chamadas forças de segurança actuem em conformidade com a lei, com a exigência ética, isto é, com rigor e temperança".
Apesar de "vivermos uma época de conflitualidade, de transição e de descrença, agravada pelos flagelos da droga e da sida", o militante n.º 4 do Partido Socialista acredita que o "Estado social de direito seja, no Portugal de Abril, esperança, e garantia da realização progressiva dos ideias ético-constitucionais da liberdade, igualdade e fraternidade", uma trilogia que, desde a Revolução Francesa, constitui "a marca identificadora da civilização moderna".

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