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Subject: PS disposto a pegar em armas


Author:
Adelino Gomes
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Date Posted: 24/11/05 14:14:43
In reply to: Adelino Gomes 's message, "Dois Portugais em vias de separação" on 19/11/05 0:19:12

(há 30 anos)


Num comício ontem na Alameda, em Lisboa, Mário Soares disse a milhares de manifestantes aquilo que milhares de manifestantes proclamaram no dia anterior numa moção, no Porto: "Se o preço da liberdade for o combate, combateremos de armas na mão."
O ministro do Comércio Externo, Jorge Campinos, apresentado, à semelhança de todos os outros oradores, por Fialho Gouveia, lamentou que já não haja "verdadeiras Forças Armadas", nem "um chefe militar que intervenha".
Lopes Cardoso, ministro da Agricultura, conotado com a ala esquerda do PS, disse, por seu lado, que os socialistas não abdicarão perante os que lhes colocam "a alternativa social-democracia/democracia popular", como não abdicarão perante os que "em nome da social-democracia, pretendem restaurar o capitalismo e o poder da burguesia".
Mário Soares encerrou o comício, referindo que o PS procura, por todos os meios, evitar uma confrontação com "os partidários da aventura". Salientou, porém, que para obterem a paz os socialistas não estão dispostos "a cair na escravidão". E lançou, então, o aviso: "Se o preço da liberdade for o combate, combateremos de armas na mão."
Conta O Primeiro de Janeiro que, prevenidos de que aquela mesma intenção fora expressa pelo povo do Porto, os manifestantes gritaram "Viva o Porto", ao que Soares ripostou: "Alfacinha de gema que me prezo de ser, disse a essa multidão que não seria necessário, pois o povo de Lisboa saberá bater-se pela liberdade."
As manifestações do Porto e de Lisboa integraram um programa de acções de rua promovidas pelo PS nas principais cidades do país "para explicar ao povo a situação político-militar", disse em Coimbra o dirigente Manuel Alegre.
A cintura industrial de Lisboa paralisa hoje, durante duas horas. Contra "qualquer alteração de direita no comando da Região Militar de Lisboa".
A Time informa que a CIA "desenvolveu extensos contactos com um grupo que pretende a secessão dos Açores portugueses". A CIA quer estar em posição de ajudar a secessão, "caso Lisboa se torne comunista", escreve a revista norte-americana.
Chegaram a Lisboa os últimos soldados de Angola. Viajaram no Niassa, que encerrou assim a página colonial portuguesa em África. O alto-comissário cessante, Leonel Cardoso, que viajou também neste navio - o último a chegar dos três barcos que transportaram o contingente português -, disse que "Angola é impossível de governar sem o MPLA", mas explicou que a sua missão era "não entregar a um" o poder. Por isso, não o entregou a nenhum dos três movimentos de libertação.
No cais de Alcântara, a aguardar os seus camaradas, encontravam-se numerosos "páras" vindos do regimento de Tancos - a unidade que o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Morais da Silva, mandou dissolver. Pretendiam convencer os soldados chegados de Angola a dirigirem-se primeiro à "casa-mãe", para aí se inteirarem de todas as implicações do processo de luta em curso.
Chegarão mesmo a dirigir-se-lhes através dos altifalantes da gare marítima, que transmitirão também uma alocução do comandante do batalhão, coronel Ramos Gonçalves, "de teor diferente" e que será aplaudida "por alguns militares a bordo", nota O Primeiro de Janeiro.
A saída será retardada por quatro horas. Já antes, informam os matutinos, o mesmo oficial frustrara uma tentativa de contacto directo com os seus homens, por parte de uma delegação de Tancos. Autorizada pela hierarquia da Marinha, a delegação embarcara numa fragata e rumara ao largo, mas não foi autorizada a subir a bordo do navio.
Quando desembarcam, finalmente, os 500 soldados, sargentos e oficiais já tomaram uma decisão: não vão para Tancos, mas para a Ota. Explicou um militar à agência Anop que "primeiro querem ser esclarecidos pelo general Morais da Silva e depois tomam uma atitude".
Ao recusar ouvir da boca dos que ficaram em Tancos as razões da luta que divide neste momento os pára-quedistas - a esmagadora maioria dos oficiais de um lado; sargentos e praças do outro -, o batalhão "africano" do general Almendra dá um contributo decisivo, sem disso ter conhecimento pleno, para o resultado de uma sucessão de acontecimentos de carácter militar, os quais - tal como as decisões de um plenário convocado por agricultores para hoje em Rio Maior - vão colocar na história do país as horas que se seguem.

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Calma!... Calma, aí... O Povo é sábio... (NT)Visitante Cínico (e quase a dormir...)24/11/05 15:23:25


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