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| Subject: A 'moca de Rio Maior' derrotou a poderosa 'Comuna de Lisboa' | |
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Author: FERNANDO MADAÍL |
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Date Posted: 25/11/05 13:00:34 In reply to: Adelino Gomes 's message, "Dois Portugais em vias de separação" on 19/11/05 0:19:12 (há 30 anos) Nos jornais e nos quartéis, nos estados-maiores partidários e nos comandos militares, na conversa de café dos cidadãos militantes e na análise publicada pelos observadores estrangeiros existia sempre essa vaga interrogação quem vai atacar primeiro, num País dividido ao meio, entre a "Comuna de Lisboa" e a "moca de Rio Maior"? Os militares esquerdistas que giram em torno de Otelo, os gonçalvistas que o PCP controla ou os moderados do Grupo dos Nove? A FUR (aliança entre a FSP, LCI, LUAR, MDP/CDE, MES e PRP- -BR), com ou sem a cumplicidade de Cunhal, ou o PS, com a cobertura de todos os partidos à sua direita, incluindo o MDLP? Os sindicalistas e os operários da cintura industrial de Lisboa ou os prelados e fiéis da Igreja? O campesinato da Reforma Agrária do Alentejo ou os grandes agrários do Ribatejo? Aparentemente sem comando nem estratégia, os pára-quedistas alinhados com a extrema-esquerda, que exigiam a demissão do chefe do Estado Maior da Força Aérea, Morais e Silva, ocupam as bases de Monte Real e do Montijo e ainda o Comando a 1.ª Região Aérea, em Monsanto, onde prendem o comandante, Pinho Freire. Quem os fez sair? A dúvida, com tantos anos, é desfeita pelo historiador Sánchez Cervelló (ver entrevista). Os seus adversários, além dos 123 oficiais que tinham abandonado Tancos dois dias antes, também tinham conseguido que uma companhia de páras, recém-chegada de Angola a bordo do Niassa, fosse logo para Cortegaça (Ovar), uma base portuguesa da NATO, onde seriam concentrados muitos aviões de combate, que haveriam de sobrevoar as unidades revoltosas numa demonstração de força - e alguns radicais de direita terão defendido bombardeamentos. Ao lado dos páras sublevados, sai também do quartel, nessa madrugada, o Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), de Diniz de Abreu - depreciativamente conhecido, à época, como "Fitipaldi dos Chaimites" -, que toma posição nos acessos à auto-estrada do Norte, junto ao aeroporto e na Direcção Geral de Material de Guerra, em Beirolas. A Escola Prática de Administração Militar ocupa a RTP e a Polícia Militar (comandada por Campos Andrada e também por Mário Tomé) a Emissora Nacional. Um dos postos de comando dos revoltosos funcionaria no SDCI (Serviço de Informações). O Grupo dos Nove, que desde Maio cresce em influência política, tem detalhado um plano para um contragolpe (ou, na versão dos derrotados, para um golpe). A 24 de Novembro, o Conselho da Revolução substituíra finalmente Otelo por Vasco Lourenço no Comando da Região Militar de Lisboa. Na manhã seguinte, perante o risco de uma guerra civil, o Presidente da República, Costa Gomes, continua a desdobrar-se em contactos com políticos e sindicatos, em diplomacias com militares das várias facções, ao mesmo tempo que assume o comando de todas as unidades do País e dá luz verde ao contragolpe. O posto de comando é no próprio Palácio de Belém, onde está Vasco Lourenço , com Rocha Vieira, Loureiro dos Santos e outros. No posto de comando avançado, instalado no Regimento de Comandos da Amadora - onde Jaime Neves junta aos seus homens mais cerca de dois mil oficiais e sargentos recentemente passados à reserva -, a chefia é de Ramalho Eanes, acompanhado por Garcia dos Santos (que, como no 25 de Abril, garante a eficácia das transmissões, pois na época não havia telemóveis, nem Net, nem GPS), Tomé Santos e outros graduados. Antes, porém, Costa Gomes terá mandado chamar Costa Martins, que tinha sido ministro do Trabalho de Vasco Gonçalves, procurando saber se ele estaria envolvido, como oficial da Força Aérea, na sublevação e, perante a negativa, tentará usá-lo como mediador. E os fuzileiros? Vasco Lourenço considera que, em termos de capacidade militar, tinham cerca de doze companhias de valor idêntico às duas ou três de Jaime Neves (não se contando com o reforço dos ex-comandos). Rosa Coutinho, conotado com o PCP e figura importante na recente independência de Angola, onde não escondeu o favorecimento ao MPLA, consegue a garantia de que a Marinha só actuaria sob as ordens do PR. Entretanto, Marques Júnior vai ao Copcon buscar Otelo e leva--o para Belém, onde o mítico militar fica silenciado (será acusado de traição por alguns dos insurrectos) e, a partir daí, Varela Gomes não consegue que obedeçam às suas ordens. Há a ameaça de Rio Maior barricar os acessos a Lisboa, camiões da construção civil que deviam provocar certos bloqueios, snipers à civil com listas de inimigos, fascistas e anarquistas, tudo sem bússola nem hierarquia. Nessa tarde e na manhã seguinte, os comandos ocupam a base de Monsanto, atacam a Polícia Militar (três mortos) e Diniz de Almeida rende-se em Belém. Entretanto, os dirigentes do PS partem para o Porto, onde o comando da Região Militar estava nas mãos de Pires Veloso, considerado uma peça-chave pelos que acreditavam que se deveria fazer um contra-ataque, depois da eventual queda de Lisboa. Mário Soares até telefonou a Freitas do Amaral, antes de abandonar a capital, sugerindo-lhe o mesmo caminho. Os socialistas tinham a promessa de apoio bélico do primeiro-ministro britânico, James Callaghan, para, no caso de as forças próximas do PCP ou alinhadas com a extrema-esquerda tomarem o poder, poderem marchar sobre Lisboa. Ao fim de dois dias, Eanes é abraçado pelo primeiro-ministro, Pinheiro de Azevedo, que lhe agradece o êxito da operação - dentro de meses, o tenente-coronel de óculos escuros será candidato a Belém. Pelo contrário, Melo Antunes, o líder ideológico dos Nove, "queimava" o seu futuro político, opondo-se ao revanchismo de direita e dizendo que o PCP era indispensável à democracia. Em suma, o PS e tudo o que representava a conservadora "moca de Rio Maior" impuseram o seu modelo político e económico aos comunistas e à extrema-esquerda, que sonhariam com uma utópica "Comuna de Lisboa". [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| E não há para aí uma moca ainda maior para acabar com a ideia da Ota??? (NT) | Visitante Cínico (e farto deles) | 25/11/05 16:41:11 |