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Subject: O efeito Alegre


Author:
Portugal para Todos
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Date Posted: 26/11/05 23:53:47

O efeito Alegre
[Cipriano Justo/Expresso, 26.11.2005]

Mas também não é de menosprezar o facto de esta candidatura ter recuperado um vasto conjunto de pessoas que de há alguns anos a esta parte se tinham afastado da actividade política activa.

TOMANDO como bom o argumento invocado por Mário Soares de que resolveu candidatar-se à Presidência da República porque havia um certo sentimento no eleitorado de que Manuel Alegre seria facilmente derrotado por Cavaco Silva, o facto é que se tem verificado que a sua decisão não está a colher a receptividade que ele, os seus apoiantes e o líder do PS esperavam.

A circunstância de não ter conseguido explicar cabalmente o recuo para o seu tão enfatizado «Basta!», a forma majestática como resolveu ultrapassar o seu camarada de partido e o impulso para repetir pela terceira vez o exercício do cargo de Presidente da República tornaram-se os factores subjectivos mais importantes para a resistência que está sofrer por parte de importantes sectores do eleitorado de esquerda. Contudo, para este eleitorado, a principal fragilidade demonstrada por Mário Soares foi a subordinação a um conjunto de medidas já tomadas pelo Governo do seu partido, lançando uma legítima sombra de suspeição sobre a coerência das ideias que ultimamente vinha defendendo. Assim como não é convincente a sua declaração, no arranque da pré-campanha eleitoral, no passado dia 7 de Novembro, em Coimbra, de que na base da sua decisão teria estado uma súbita alteração da situação política. A situação a que supostamente Mário Soares se estaria a referir não sofreu alterações significativas desde Dezembro de 2004, ela tem vindo a degradar-se, sim, desde o segundo mandato de António Guterres, já lá vão cinco anos.

Com tantos tropeções, Mário Soares não poderia ter começado da pior maneira a sua campanha pré-eleitoral, sabendo ele como é importante um cordão umbilical com bons sinais vitais para a sobrevivência da espécie. Este desempenho teve um desenvolvimento particularmente demonstrativo da inquietação que se apossou da sua candidatura, quando António Vitorino, em declarações ao EXPRESSO, vem aconselhar a desistência das restantes candidaturas do campo da esquerda a favor da Mário Soares, argumentando com uma alta probabilidade de a eleição presidencial se decidir à primeira volta. Quanto a nós, mais do que um coro de recriminações mútuas entre os candidatos de esquerda, o que António Vitorino está a procurar prevenir desde já é o impacto que os resultados eleitorais de Manuel Alegre possam vir a ter dentro do Partido Socialista. Porque, nas entrelinhas, para ele, a vitória de Cavaco Silva já faz parte do dia seguinte.

A decisão de Manuel Alegre de apresentar também a sua candidatura, na sequência de algumas sondagens que o colocavam, de início, a poucos pontos percentuais de Mário Soares e claramente acima de Jerónimo de Sousa e de Francisco Louçã, veio criar um pólo político para onde pode convergir um eleitorado muito heterogéneo, desde o eleitor que previsivelmente se ia abster por considerar Soares, Jerónimo e Louçã candidatos emanados de uma lógica exclusivamente partidária, ao que confia genuinamente nas competências de Alegre para o exercício do cargo, até aquele que vê nele um bom frenador do encarniçamento do Executivo de Sócrates com a classe média.

Apesar de lhe poder ser sempre apontada a fragilidade que mais tarde veio a cair sobre Mário Soares - aguardar pela voz do líder do partido em vez de criar uma dinâmica que tornasse, desde o início, a sua candidatura irreversível -, a relevância substantiva da sua candidatura reside na circunstância de poder estreitar consideravelmente a possibilidade de Cavaco Silva ser eleito na primeira volta, de por essa via criar as condições para a sua derrota na segunda volta e dessa maneira relançar um processo de mudança que vá mais além do que umas quantas medidas de cariz predominantemente tecnocrático.

Mas também não é de menosprezar o facto de esta candidatura ter recuperado um vasto conjunto de pessoas que de há alguns anos a esta parte se tinham afastado da actividade política activa. Este é um dos efeitos colaterais da candidatura de Alegre que vêm enriquecer a democracia.

Se estes considerandos só nos colocam ainda no plano da análise da conjuntura eleitoral, importa ir mais além, às consequências de uma vitória de um dos candidatos do campo da esquerda, que é isso que mais interessa aos portugueses.

Desde já adiantamos o que consideramos dever ser o principal desígnio, numa conjuntura que presumivelmente durará alguns anos, de qualquer dos candidatos de esquerda que venha a ser eleito: interpretar a Constituição e fazê-la cumprir, prioritariamente, à luz das necessidades de quem vive do seu trabalho, de quem recebe menos do que o ordenado médio nacional, dos que não têm uma habilitação profissional, dos que não cumpriram a escolaridade obrigatória, dos desempregados e dos excluídos.

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Subject Author Date
O efeito Alegre?!... Tanta gente a querer salvar o país...Visitante Cínico (e a gosar que nem um cabinda)27/11/05 0:25:25
Uma pessoa lê isto escrito pelo Justo e pasma!Margarida27/11/05 0:38:59
Este ainda não caçou o lobo mas já está a vender-lhe a pele!Margarida27/11/05 0:44:51
Só superado pelo último anúncio do Louca: "A minha é a única candidatura socialista"Margarida27/11/05 15:59:03


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