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Date Posted: 21:59:54 04/04/06 Tue
Author: Woodson
Subject: Re: Blogs
In reply to: Valdênia 's message, "Re: Blogs" on 11:16:32 04/04/06 Tue

Ocorre que, segundo NARDI, existem cinco tipos de blogs, apesar do suporte ser o mesmo. Isso ocorre com os diários tradicionais, como bem lembrou a Valdênia em (Interatividade no diário tradicional <a rel=nofollow target=_blank href="http://www.voy.com/202271/139.html">http://www.voy.com/202271/139.html</a> ) quando fala do diário de pesquisas. Também existem muitos tipos de diários com suporte em um caderno como: “diário de bordo”, do capitães, diário de viajantes, etc. Assim, acredito que as práticas discursivas são tão determinantes quanto o meio em que elas ocorrem. O blog, portanto, é o lugar de várias práticas discursivas, com suas estratégias específicas.
Os textos que lemos tiveram como objeto de estudo, o meio, os gêneros, a intencionalidade dos sujeitos. Para dizer se o blog de caráter intimistas e os diários pessoais estão mais próximos ou se distanciam, temos que analisar os discursos por eles veiculados e não só seu meio. Além do mais, a comparação dos dois diários não é adequada, já que existe, nas ferramentas dos blogs, a possibilidade torná-los diários sigilosos, bastando, para isso, torná-lo um endereço secreto que você não revela e selecionar a opção “não” na ferramenta a seguir do Blogger:

“Adicionar este blog à lista Blogger?


Um blog público aparece em seu perfil do Blogger. Se você selecionar "Não", não mostraremos seu blog no Blogger.com, mas ele ainda estará disponível na Internet.”

. Então, deveríamos comparar a produção discursiva daquele indivíduo que escreve no diário público e sua versão protegida e os diários tradicionais. Também, deveríamos comparar os discursos dos outros tipos de blogs e seus equivalentes em suporte encadernado.
Outro aspecto que me chama a atenção é o fato de que esses diários tradicionais, em princípio, são dialogais. Ainda que um diário íntimo não seja público como o do blog, ele pressupõe um Eu leitor, seja ele próprio, imediato, no futuro, ou alguém que venha a encontrá-lo ou até publicá-lo. Estou lendo um estudo “Arquivar a Própria Vida” de Philippe Artières sobre um diário de um presidiário que me chamou a atenção por essas considerações:

“Sempre arquivamos as nossas vidas em função de um futuro leitor autorizado ou não (nós mesmos, nossa família, nossos amigos ou ainda nossos colegas). Prática íntima, o arquivamento do eu muitas vezes tem uma função pública. Pois arquivar a própria vida é definitivamente uma maneira de publicar a própria vida, é escrever o livro da própria vida que sobreviverá ao tempo e à morte. (...)
Mas não arquivamos nossas vidas, não pomos nossas vidas em conserva de qualquer maneira; não guardamos todas as maçãs da nossa cesta pessoal; fazemos um acordo com a realidade,manipulamos a existência: omitimos, rasuramos, riscamos, sublinhamos, colocamos em exergo certas passagens. Num diário íntimo, registramos apenas alguns acontecimentos, omitimos outros; às vezes, quando relemos nosso diário, acrescentamos coisas ou corrigimos aquela primeira versão. Na correspondência que recebemos, jogamos algumas cartas diretamente no lixo, outras são conservadas
durante um certo tempo, outras enfim são guardadas; com o passar do tempo, muitas vezes fazemos uma nova triagem. O mesmo acontece com as nossas próprias cartas: guardamos cópia de algumas, seja em razão do seu conteúdo, seja em razão do seu destinatário. Numa autobiografia, a prática mais acabada desse arquivamento, não só escolhemos alguns acontecimentos, como os ordenamos numa narrativa; a escolha e a classificação dos acontecimentos determinam o sentido que desejamos dar às nossas vidas”

Acho que o que diferencia o diário íntimo do blog, é que ele não tem, discursivamente, nada que ver com o diário tradicional porque ele não é um arquivo íntimo para ser cultuado no futuro, mas algo mais instantâneo, não tanto como um Chat, pois desenvolve um ponto de vista, porém não o elabora, e, então, não tem a marca autobiográfica que é a de ordenar o arquivamento de nossas vivências dentro de uma narrativa. Os blogs que tenho visto, não fazem isso, eles se perdem em trocas de mensagens, agrados, publicação de textos de outros e de links. Os textos, pelo menos dos alunos adolescentes são bastante próximos da oralidade e possuem uma escrita semelhante às usadas em chats. Há muito mais, uma preocupação estética da disposição das imagens e desenhos, com numa agenda que de um diário realmente. É isso, acho que os blogs estão mais para Agendas, como as que as meninas têm, que para diários.

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