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Subject: E NÃO ERA GRANDE ESPINGARDA…


Author:
António Vilarigues
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Date Posted: 8/11/06 18:54:11

E NÃO ERA GRANDE ESPINGARDA…

EPC
Tenho um “fraquinho” pelo Eduardo Prado Coelho (EPC), enquanto político.


Desde logo porque foi o protagonista principal (éramos três), da mais surrealista reunião que até hoje tive no PCP. E já lá vão mais de 30 anos e uns bons milhares de reuniões.


Depois sempre me fascinou a facilidade e a velocidade com que EPC muda de ideário político. E de força política.


Finalmente deve-se-lhe a descoberta, há alguns anos, de uma das mais “assassinas” concepções politica e filosófica. EPC não se engana nas suas análises. A realidade, essa sim, é que se engana.


”Jerónimo de Sousa disse coisas espantosas, que parecem dos anos 40: que o Partido Comunista Português era um partido marxista-leninista, baseado no pensamento de Marx, Engels e Lenine. Aqui ficamos boquiabertos. O que é isto quer dizer no limiar do séc. XXI? O pobre Engels nunca foi grande espingarda, e estava já esquecido nos livros de história da filosofia. Sem Marx, esse, sim, genial, Engels não existia. Para quê evocá-lo ritualmente? E o Lenine, que tem ele a dizer sobre a política do nosso tempo? Nada, evidentemente.” Escreveu bem ao seu estilo EPC na edição do PÚBLICO de 6 de Setembro.


Fica por explicar o que andava EPC a fazer num tal Partido em meados dos anos 70 do século XX. Enfim, contradições.

Engels
Sou um marxista-leninista heterodoxo. Entre Marx e Lénine prefiro Engels. Pelo estilo de escrita e pela forma de exposição. E, obviamente, pelos conteúdos.


Coube-lhe, na divisão de trabalho com Marx, abordar fundamentalmente as concepções filosóficas da nova doutrina do socialismo científico. Fê-lo nas suas obras mais conhecidas, “Ludwig Feuerbach”, “Anti-Duhring”, “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, “Dialéctica da Natureza”, bem como nas obras redigidas em conjunto com Marx e na inúmera correspondência.


O que não o impediu de ser o editor (a partir dos apontamentos de Marx e após a morte deste) dos Livros II e III de “O Capital”. E de ter deixado preparado o Livro IV (“Teorias da Mais-Valia”). Que não conste dos livros da história da filosofia não espanta. A menos que sejamos ingénuos ao ponto de acreditar na sua imparcialidade. Talvez EPC devesse estudar o que José Barata Moura tem publicado sobre materialismo dialéctico e histórico.

Filosofia
O marxismo-leninismo é também uma representação filosófica do mundo e do conhecimento do mesmo. São conceitos fundamentais do materialismo filosófico os de matéria e de movimento como modo de existência da matéria. Os de espaço e o tempo como forma de existência da matéria. O de consciência como propriedade da matéria altamente organizada, ou seja, a capacidade de pensar do homem como produto do desenvolvimento da matéria viva. A importância do trabalho e da linguagem no desenvolvimento do pensamento humano.


Por sua vez a dialéctica materialista coloca em primeiro plano o encadeamento universal, as leis do movimento e o desenvolvimento do mundo objectivo, a forma como estas leis se reflectem na consciência do homem.


Referimo-nos à conexão universal dos fenómenos e à relação causa e efeito. Às modificações quantitativas e qualitativas na natureza e na sociedade. À divisão em contrários como fonte principal do desenvolvimento. Ao desenvolvimento dialéctico do inferior para o superior. À dialéctica como método de conhecimento e transformação do mundo.


A dialéctica, disse Lénine, é a teoria marxista do conhecimento. Ela estuda a prática como fundamento e fim do conhecimento. O conhecimento como reflexo do mundo objectivo. A doutrina da verdade e a prática como critério da verdade. Os conceitos de necessidade e liberdade.


E Engels não era “grande espingarda”. É caso para dizer o que seria se o fosse… Quanto a Lénine fica para a próxima.


EPC tem pelo menos um mérito. Não faz como 99% dos críticos do marxismo-leninismo que pensam (ou pensavam) que este se reduz à concepção do centralismo democrático. EPC só não percebe que o marxismo-leninismo é, nas palavras de Álvaro Cunhal, “ (…) uma poderosa arma para a análise e a investigação que permite caracterizar as situações e os novos fenómenos e encontrar para uns e outros as respostas adequadas.”

Blogosfera
EPC não viaja na blogosfera. Por opção perfeitamente aceitável. Também eu prefiro deliciar-me com um bom livro. Mas olhe que navegar em alguns blogues é um divertimento. Abundam a iliteracia, as falácias e o atrevimento provocado pela ignorância. Alguns exemplos.


Há colaboradores do PÚBLICO que mantêm o nível quando escrevem nos blogues. Casos, nomeadamente, de Pacheco Pereira e Vital Moreira. Outros hão, no entanto, que baixam o seu grau de exigência duma forma impressionante. Refiro-me a quase todos (há excepções) os autores do Blasfémias.


Um editor do “DN” (a quem se exige um pouco mais de cuidado) escreve sobre o que não sabe. E fá-lo cheio de arrogância. Para seu (dele) conhecimento o Estado Israel não tem Constituição (tal como a Inglaterra) e considera que a sua origem é divina. Não há separação da Igreja e do Estado. São os rabis (equivalente dos sacerdotes católicos), quem decide da atribuição da nacionalidade, do casamento, do divórcio, do conteúdo do ensino. A laicização do Estado é, neste século XXI, um problema fracturante e transversal a toda a sociedade israelense.


Há quem afirme que no raciocínio silogístico A é = a A (???). E que a lógica dialéctica é monopólio dos comunistas. Olhem que não. Basta ler qualquer obra de referência sobre gestão de sistemas de informação (portuguesa ou americana) para ver o raciocínio dialéctico em acção.


Há quem tenha descoberto que sou dirigente do PCP, o que não sou, nem nunca fui. E que escrevi (???) que fui educado na “URSS de Brejnev”, onde me teriam feito uma lavagem ao cérebro (ao melhor estilo dos argumentos da PIDE/DGS). O banqueiro João Rendeiro, meu colega de turma nos bancos do liceu durante cinco anos, que se precate. Um dia destes ainda o acusam de perigoso agente do KGB.


A minha formação foi feita em Portugal. Na clandestinidade (onde nasci e permaneci até aos 3 anos e meio), na legalidade e de novo na clandestinidade (dos 17 anos até ao 25 de Abril de 1974). Dos 5 aos 15 foi feita em grande parte a visitar a minha mãe, Maria Alda Nogueira, nas prisões de Caxias. Separados ou por um corredor, ou por vidros. Uma hora por dia e apenas aos fins-de-semana. As visitas eram das 10h às 11h portanto incompatíveis com o horário escolar. E o contacto físico era apenas 3 vezes por ano (as chamadas “visitas em comum”) nas datas festivas do Natal e anos. Era assim no Portugal de Salazar e Caetano para quem lutava para que houvesse liberdade e democracia.


Só para terminar. Nunca chamei fascistas aos autores da Revista Atlântico. Mais uma invencionice.


Especialista em Sistemas de Comunicação e Informação



2006-11-03

António Vilarigues

anm_vilarigues@hotmail.com

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Replies:
Subject Author Date
Eh pá, ó Vilarigues. Tu só repetes mentirolas de caça... Sabes tu o que é caçar?vou ali volto já 8/11/06 23:24:22
De facto é preciso o sr. EPC ter muita lata!Guilherme Statter 9/11/06 0:36:29


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