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Subject: Federalismo europeu - Tentativa de esclarecimento


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 17/10/06 11:51:16

Vamos por partes:

1. Para mim "radical" (e para muito boa gente... mas não todos, claro) quer simplesmente dizer "aquele que, ou o processo que, considera as raízes (mais profundas) do(s) problema(s)".
Também para mim, "militante" quer por seu lado dizer que "sempre que posso, onde posso e com os meios de que disponho, defendo essa ideia".
Só não percebi onde é que o amigo visitante queria chegar com aquela expressão
"obsessão essa que muita das vezes leva ao abandono da própria "ideia/causa" de que se era militante/radical, ou não será assim!".

2. Quanto ao controle dos recursos naturais (e humanos?...) também para mim é evidente que o que se pretende (ou melhor, o que espero eu que se pretenda) é que sejam os efectivos produtores de riqueza a efectivarem esse controle. Imagino também que esses "produtores de riqueza" (ou simplesmente "trabalhadores") estejam ou venham a estar organizados em diversas estruturas, designadamente "Estados" (republicanos, laicos e socialistas... por exemplo – passe a ironia).
Num futuro mais remoto até é capaz de ser viável a abolição da estrutura "Estado", tal como a conhecemos hoje.
Ou seja, e por outras palavras, por mim, não estou de todo a pensar no controle dos recursos naturais e dos processos de trabalho. (peço desculpa, mas a expressão "recursos humanos" para mim tem uma conotação demasiado reaccionária e mecanico-taylorista para o meu gosto) por parte das "potências que resultam do tal equilíbrio mundial".
Estou sim a pensar no controle dos recursos naturais e dos processos laborais por parte dos trabalhadores. Como será evidente a forma como se organizam (ou organizarão) esses trabalhadores é um problema que acaba por se resolver de diversas formas e que aqui não cabe discutir.
Por mim não tenho nenhuma "fórmula mágica". Provavelmente a coisa continuará a evoluir, e entre empresas (públicas, colectivas, estatais...) como as que temos hoje, cooperativas e em auto-gestão, alguma(s) forma(s) de organização do trabalho há-de (ou hão-de) sobreviver ao teste do tempo.

3. Já agora lembro que infelizmente o equilíbrio de poder à escala mundial não é bem aquilo que todos desejam. Há muito pessoal de Direita (aqui e em muitos outros países) que acha muito natural e mesmo desejável e bem (dizem eles, claro...) que haja apenas uma só potência hegemónica.
Há mesmo quem defenda – com base em "sólidos argumentos" históricos - que o que é bom para não haver guerras e conflitos por todo o Planeta, é haver um poder central e hegemónico de poder.

4. Passando a outro tema, desculpe que lhe diga, mas numa coisa o amigo visitante se engana: Tenho perfeitamente consciência de que aquilo que eu defendo é a destruição da actual U.E.
Uma amiga minha (francesa) ficou muito chocada quando eu lhe disse que afinal – depois de alguma hesitação – eu acabaria por militar pelo "NON" no referendo ao "Tratado Constitucional".
Assim como tenho plena consciência do caracter "peregrino" da minha ideia.
Mas não é por isso (pelo caracter peregrino...) que eu deixarei de defender (sempre que possa) a minha ideia de "federalismo europeu".
Entretanto há que considerar os aspectos tácticos e os aspectos estratégicos das opções de cada um de nós. Pode-se, por exemplo, ser contra esta U.E. e no entanto votar SIM num referendo sobre um Tratado Constitucional.
A respeito da sua pergunta sobre se eu penso que "a Direita alguma vez estaria de acordo com o federalismo na Europa se esse federalismo englobasse aquilo que eu defendo", a coisa é mais complicada. Em todo o caso já ouvi um sr. deputado do PSD na AR Portuguesa a defender o "federalismo europeu" com alguns argumentos semelhantes aos meus... Ironias e contradições desta complexa teia de problemas.
Por um lado, há fissuras (ou fracturas) objectivas entre os interesses económicos da oligarquia dos EUA e das diversas oligarquias europeias (política agrícola, aço, energia, transportes, "software"...). Cabe aos cidadãos europeus em geral e aos trabalhadores em particular (e convém não esquecer que muitos destes trabalhadores pensam-se ou dizem-se de Direita) explorar ou não explorar aquelas fissuras divisivas entre as oligarquias que nos governam.
Por outro lado, a menos que se antevenham "revoluções insurrecionais" nos principais países da Europa, não estou bem a ver como vão os trabalhadores chegar aos centros do poder político na Europa da actual União Europeia. Para já, e à falta das tais "revoluções insurrecionais", só vejo as vias eleitorais e de agitação cívica.
É nesse contexto que defendo a tese de que será hoje e num futuro previsível menos difícil (repare que eu não escrevo "mais fácil"...) os trabalhadores alcançarem o poder político numa União Europeia federal, do que nos EUA. E digo isto por razões de história social, política e económica nos dois lados do Atlântico.

5. Quanto à hipótese de a China, a Rússia a Índia ou o Brasil já serem hoje "pólos (alternativos) de poder" e se há ou não muito que esperar, não discuto. Até por falta de elementos que me permitam fazer esse tipo de previsão.
Sem entrar numa de teoria da conspiração, é verdade que os maiores credores dos EUA já incluem a China e que a administração do sr. Bush bem se esforça para que o governo chinês re-valorize a sua moeda de modo a re-equilibrar as contas entre os dois países. A continuar assim, um dia destes a China é dona de metade dos EUA... Passe o óbvio exagero!!!
Em todo o caso, uma questão que aí se colocaria seria então a de saber qual a "opção de classe" das pessoa chinesas que em concreto sejam donos ou controlem os capitais financeiros chineses "investidos" nos EUA (designadamente sob a forma de "Títulos do Tesouro", que é como quem diz "Dívida Pública").

6. Quanto à questão do "E depois, qual é o problema?" parece-me que uma nossa divergência estará no contexto histórico em que são apresentadas as ideias de "federalismo".
Desde logo nem Carlos V, nem Napoleão (e MUITO menos Hitler, claro!!!) tinham propriamente em vista uma "Federação" do que quer que fosse. Houve sempre a ideia da grandeza e superioridade de um determinado Estado-Nação de que os outros seriam subordinados. Durante as guerras napoleónicas, por exemplo, Portugal foi pura e simplesmente "anexado" (sob a forma de um protectorado mal disfarçado) pelo Império Britânico.
As outras ideias de "unificação" ou "construção europeia" tinham origem em Roma e na ideia do "Sacro Império" (de que Carlos Magno se pode considerar um precursor).
Ou seja, ao contrário do que parece pensar o amigo visitante, não creio que tenha sido por causa de ideias de federações que houve guerras na Europa.
Em todo o caso hoje, se acreditarmos nas diversas declarações públicas de dirigentes políticos de diversos países "emergentes" (por exemplo, em África e na América Latina) então os "povos" desses países esperam da Europa um maior protagonismo na cena política internacional e sobretudo em alternativa ou contraponto ao poder hegemónico dos EUA.

7. Atribui-me a ideia de que
Para o meu amigo a Europa só poderá ter uma voz no Mundo se tiver uma Politica externa única, um poder politico e militar único para assim impor a sua vontade ou melhor a vontade de quem estiver o poder dessa tal Europa!
Espero que faça uma reflexão sobre este processo de intenções... É que não é de todo esse o meu "filme". Nem disse em parte alguma que era "para assim impor a sua vontade ou melhor a vontade de quem estiver o poder dessa tal Europa".
Aquilo que eu digo é que "não vale a pena os países da U.E. "estarem a mandar vir" na ONU (ou noutros aeropagos internacionais) de forma alegada ou pretensamente distinta dos EUA, se entretanto não se dotarem dos meios materiais para juntar a acção à palavra.
Não me parece que tenha passado qualquer filme desses nos écrâns dos "povos Europeus".
Ou então o amigo visitante estará a admitir que já existe (ou existiu) aquilo (a tal "federação europeia" autónoma dos EUA) que de facto nunca existiu.

8. Não percebi a expressão do "primeiro lance da escada" e do "2º andar do edifício".
Limitei-me a indicar uma outra perspectiva do problema como um todo. Não indiquei (nem por sombras!...) qualquer espécie de calendário.
Nem o "Outro" serve de referência. Além de que como é bem conhecido o "Outro" era bastante avesso a futurologia. No que diz respeito à Inglaterra – se bem me lembro, mas posso estar enganado – o "Outro" limitou-se a dizer – dirigindo-se aos países da Europa Continental – que o futuro deles provavelmente se poderia reger por aquilo que já tinha acontecido em Inglaterra (o processo de industrialização).
Em todo o caso, muma outra coisa tem também o amigo visitante razão: o futuro aos Povos pertence!

9. Também não percebo onde quer chegar com a expressão "apanhar as canas antes de deitar o fogo… ou não será?"
Para utilizar a sua imagem, diria eu que para "deitar o fogo" começa-se por arranjar os fósforos e preparar o material (a tal "federação"). Só depois é que se pode "deitar o fogo" (e eventualmente "apanhar as canas"...).
É que se não for assim (primeiro "arranjar os fósforos e preparar o material" à escala de uma "federação europeia") os defensores do sistema que temos podem sempre recorrer aos bombeiros da vizinhança para apagar os "fogos nacionais".

10. Quanto ao resto da sua mensagem, tem toda a razão em apontar os culpados na guerra da Jugoslávia, mas no já caso da guerra civil de Espanha penso que se calhar não se dá conta de como essa guerra civil pode ter sido um bom exemplo do "internacionalismo armado", o qual exemplo pode contrariar o seu pessimismo acerca de uma eventual passividade com que (pelos vistos é isso que presume) os "povos do Norte" aceitariam ir fazer guerra aos "povos euroafricanos do Sul", só porque "eles" (os oligarcas) mandavam.

11. Fico-me com a ideia de que – para o amigo visitante - a melhor saída para a situação actual será uma de?... Algo que esteja "fora do sistema" ?...

12. Quanto à Europa não ser uma civilização homogénea, há MUITO que se lhe diga. E depende do que se tomar como "termos de referência". No que diz respeito às línguas nacionais, é capaz de haver menos línguas nacionais na União Europeia a 25 do que há na União Indiana ou na Federação Russa ou mesmo na China... A África do Sul – com apenas 45 milhões de habitantes - tem 11 línguas oficiais.
No que diz respeito às crenças religiosas... no que diz respeito aos "ritos", aos "heróis" e às "tradições"... nunca mais parávamos.
Vai ver que somos muito mais homogéneos do que aquilo que normalmente se pensa. É tudo uma questão de se ver a "coisa" de mais perto ou de mais longe... Quando nos EUA até muitos britânicos se sentem europeus.
Por outro lado – e viajei bastante e convivi com muitos cidadãos de diversos países – nunca ninguém nesses países do Norte olhou para mim "de cima da burra".
Mas acredito que haja quem o faça... Ou queira fazer... Lá como cá.

Ah, para acabar.
R: Infelizmente não conseguiu!
É capaz de haver aqui um mal entendido. Eu não tinha propriamente a intenção de o convencer. Ou a si ou a quem quer que seja...
Tinha apenas a intenção de esclarecer o meu pensamento acerca do federalismo para a União Europeia. Pelos vistos isso parece que consegui... Pelo menos em relação a algumas das ideias. Se não fosse assim, (se o amigo visitante não tivesse entendido algumas das minhas ideias) julgo que não teria certamente estado aqui a gastar o seu latim para as rebater...

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