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| Subject: O BE é a refundação da esquerda. | |
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Author: bloquista. |
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Date Posted: 1/10/06 18:47:36 In reply to: Francisco Sarsfield Cabral 's message, "Refundar a direita ou a esquerda?" on 30/09/06 18:13:51 > > >Regressou no Verão o debate sobre a refundação da >direita em Portugal. O tema é velho: diz-se há muito >que meio século de ditadura conservadora, a que pôs >fim uma revolução militar hegemonizada pela esquerda, >obrigou a direita portuguesa a um low profile. > >É um debate bizarro. Primeiro porque, como explicou >Rui Ramos (Público, 20-9-06), a clandestinidade >ideológica favorece os actuais partidos de direita, >pois lhes proporciona flexibilidade táctica. "À >direita haveria apenas bom senso." > >Depois, porque quem está verdadeiramente sem norte e a >precisar de refundação não é a direita, mas sim a >esquerda. > >Ainda antes do colapso do comunismo, a direita teve >uma enorme vitória com M. Thatcher e R. Reagan, que >tornaram obsoletas muitas posições clássicas da >esquerda - desde as nacionalizações até à subordinação >aos sindicatos. Tal vitória deslocou para a direita o >centro da discussão política. > >Blair não enjeitou o essencial da herança de Thatcher, >nem Clinton o de Reagan. Decerto que, após a >insensatez neoconservadora que Bush filho acolheu, nos >EUA o pêndulo está agora claramente a oscilar no outro >sentido. O populismo de esquerda campeia no Partido >Democrático. Mas ninguém espera um regresso à esquerda >colectivista. > >Contra o que muitos esperavam, o colapso do comunismo >não veio abrir terreno para a afirmação da esquerda >socialista democrática. Afinal, "com o marxismo >desapareceram não apenas os disfuncionais regimes >comunistas e os seus iludidos apologistas no Ocidente, >mas também todo o esquema de pressupostos, categorias >e explicações criado ao longo dos últimos 150 anos e >que considerávamos de esquerda" (Tony Judt, The New >York Review, 21-9-06). Assim, a generalidade dos >actuais Governos socialistas, de Blair a Sócrates >passando por Lula ou Zapatero, tem seguido políticas >económicas de direita. Alguns socialistas, >reclamando-se de uma esquerda dita moderna, tentam >marcar a diferença face à direita na área dos "temas >fracturantes": aborto, uniões homossexuais, etc. Mas é >curto, dadas as questões que a globalização e as novas >tecnologias trouxeram. > >A globalização económica tem provocado reacções >violentas com grande expressão mediática. Só que aí se >misturam esquerdistas desprovidos de qualquer >alternativa realista ao capitalismo global com >reaccionários proteccionistas que querem travar >importações dos países pobres. É folclore a mais e >pensamento político e económico a menos. Daí a >inoperância prática dos "alter-mundialistas". > >O capitalismo global conseguiu resultados notáveis ao >tirar da miséria extrema centenas de milhões de >pessoas (na China, na Índia, etc.) e ao promover um >forte crescimento económico em vastas zonas do globo >até há pouco estagnadas no subdesenvolvimento (até de >África vêm agora sinais de esperança). Mas há o >reverso da medalha. > >Nada que surpreenda. A revolução industrial iniciada >na Grã-Bretanha há dois séculos abriu a porta a uma >enorme prosperidade. Mas teve tremendos custos >sociais, com a proletarização de milhões de >camponeses, que abandonaram a agricultura para irem >trabalhar nas fábricas em condições arrepiantes. Basta >ler os romances de Charles Dickens. > >Hoje, a globalização e a generalização das novas >tecnologias, além de reduzirem a fome no mundo, >aumentam sem dúvida a prosperidade geral. Mas geram >novos custos de transição e novos sacrificados pelo >progresso, problemas para os quais a esquerda ainda >não tem resposta. O regresso ao agravamento das >desigualdades é um desses custos. Depois da >democratização económica promovida nos países >desenvolvidos pelo capitalismo industrial até por >volta de 1970, as disparidades de riqueza voltaram em >força. E, com elas, regressou também uma >estratificação social que lembra o mundo >pré-industrial. > >A entrada no mercado da China e da Índia colocou >centenas de milhões de trabalhadores em competição, >travando a subida de salários dos trabalhadores nos >países ricos. E estes, ao contrário dos empresários e >do capital, dificilmente se podem deslocar. A >globalização alterou a balança entre capital e >trabalho, em prejuízo do segundo. > >Além disso, um capitalismo global sem enquadramento >político mina a própria democracia, pois os Estados >têm cada vez menos poder perante quem manda na >economia. > >Não basta berrar contra a globalização, aliás >inevitável e positiva. É preciso encontrar soluções >viáveis para estes problemas. Onde está a esquerda? [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| Isso é que era bom... | comuna | 2/10/06 8:52:53 |