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| Subject: O PS bota-abaixo | |
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Author: Fernando Madrinha (Expresso, 14 Outubro 2006) |
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Date Posted: 14/10/06 20:26:47 Há um PS francamente incomodado com o Governo do PS. Um PS que aplaude os sindicatos dos professores e vai, ou gostaria de ir, às manifestações da CGTP. Um PS estatista, nostálgico e fixado nos ‘direitos e conquistas’, que considera pura blasfémia pôr-se alguém a verificar quanto eles custam, como se financiam e se são ou não sustentáveis nos tempos que correm. É um PS que detesta os tecnocratas, porque têm a mania de fazer contas, e não percebe que um ministro lhes dê ouvidos. Esse PS, que, lá no fundo, é irmão gémeo do PCP e do Bloco de Esquerda, despreza o facto evidente de o mundo, a economia e a sociedade terem mudado muito nas últimas décadas. Não percebe que tais mudanças obrigam a repensar os slôganes, as frases feitas e, sobretudo, as políticas dos últimos 30 anos. É um PS benfazejo e pródigo com os recursos do Estado. Está-se nas tintas para que essa ‘conquista’ chamada Serviço Nacional de Saúde se tenha tornado um sorvedouro de dinheiro, um campo fértil a negociatas e corrupções de todos os tipos, um Serviço que em muitos casos presta um mau serviço e que, nos casos em que funciona - e chega até a ser exemplar - podia prestar um serviço ainda melhor se fosse gerido com mais rigor e exigência. Em vésperas de um Congresso que não devia sofrer por falta de assunto, esse PS cansado da insistência do Governo em tornar-se impopular por querer mudar algumas coisas que estão mal, explodiu, indignado, com o descaro dos tecnocratas e do ministro da Saúde, o qual se esforça por pôr alguma ordem e racionalidade no sistema - ainda que o faça, por vezes, com a delicadeza do elefante na loja de porcelanas. Um dos motivos de escândalo é a criação de uma taxa de internamento hospitalar. E, realmente, quando se ouve o anúncio de uma decisão destas, sem mais explicações, a primeira reacção é de recusa. Afinal, ninguém vai para o hospital de livre vontade, como quem tira uns dias ou umas semanas de férias. Mas, vendo depois o que está em causa, o alvoroço perde sentido. Segundo o ministro, a taxa não será superior a cinco euros por dia - um terço de um bilhete dos mais baratos para o futebol; não vai ser paga por todos, pois ficam de fora, logo à partida, 45% dos utentes do SNS que já hoje estão isentos de taxas moderadoras. Além disto, o ministro admite que, assim que for encontrada uma fórmula fiável de provar os rendimentos, quem ganhe menos de um certo valor mensal pagará menos do que os tais cinco euros. E, em qualquer caso, a taxa desaparece a partir dos 14 dias de internamento. Isto quer dizer que ninguém pagará mais de 70 euros, na pior das hipóteses, e só os pagarão aqueles que, em princípio, têm condições para os pagar. Pode-se sempre argumentar que a Constituição aponta para um SNS ‘tendencialmente gratuito’ - e esta ‘tendência’, de facto, é outra. Mas nem o que o ministro da Saúde pede é um escândalo, nem os cidadãos gozam de todos os direitos que esse livrinho milagroso chamado Constituição ‘garante’ a todos os portugueses. Esta sensibilidade bota-abaixo que existe no partido do Governo começa a dar sinais de impaciência. Pode tornar-se o mais perigoso travão ao esforço reformista de Sócrates. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| irritação pela demarcação de uma parte do PS | paulo fidalgo | 15/10/06 17:40:37 |