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| Subject: Re: A morte de Vasco de Carvalho antigo Sec.Geral do PCP | |
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Author: www.comunistas.info |
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Date Posted: 23/08/06 20:24:01 In reply to: www.comunistas.info 's message, "A morte de Vasco de Carvalho antigo Sec.Geral do PCP" on 23/08/06 20:22:58 >Faleceu Vasco de Carvalho! >Aos 97 anos, faleceu hoje, 23/8/06, Vasco de Carvalho, antigo Secretário Geral do PCP, grande personalidade do >movimento comunista e do movimento cooperativo. Nos >anos 40, numa situação de graves dificuldades >políticas e de enorme vulnerabilidade aos golpes da >polícia, Vasco de Carvalho assume a liderança do PCP, >para ser mais tarde afastado durante a reaorganização >dos anos 40. Um processo de grandes enfrentamentos, de >desconfianças e mesmo de prováveis provocações >policiais, levou a seu afastamento das >responsabilidades partidárias, mas manteve-se fiel à >ideia comunista, pugnou pela sua renovação e >dedicou-se ao movimento cooperativo onde foi uma das >mais influentes figuras ao longo do século XX. > > > > > >(a notícia da homenagem promovida o ano passado) > >Homenagem a Vasco Carvalho > >e as contradições no campo comunista! > > > >por Paulo Fidalgo, 26/06/05 > > > > > > > >Foi com emoção que a sucessão de oradores desfilou nos >elogios ao camarada Vasco de Carvalho durante a >singela homenagem promovida ontem, dia 25/06/05, no >museu da Resistência e da República. > > > >A tragédia de Vasco de Carvalho enquanto obreiro >comunista de uma sociedade nova evoca, tal qual >Bukharine o grande bolchevique, um dia disse, à beira >do seu fuzilamento a mando de Estaline, que “a >bandeira rubra que transportais leva nela gotas do meu >sangue”. Neste caso, a construção comunista em >Portugal transporta também um imenso rol de >sofrimentos e dramas onde não pontificam só os golpes >do adversário de classe. Pontificam igualmente os >choques e contradições entre agentes concretos da >história, convencidos com as certezas que a arrogância >e o sectarismo tantas vezes conferem. Convencidos >portanto que um projecto impreciso e cheio de >contingências como é a invenção do futuro, teria >afinal um formato acabado e definitivo onde não >caberiam dúvidas nem soluções diferenciadas. Tal era a >aragem de realismo que vinha do «socialismo estatal» >da URSS de Estaline. > > > >Pacheco Pereira, um conservador sem qualquer >indulgência para com as ideias comunistas, mas com um >saber autorizado sobre história do movimento operário, >disse na sessão de homenagem que estava pesadamente >crivado de tensões o contexto da crise que levou à >reorganização dos anos 40. E levou à defenestração da >direcção, onde Vasco de Carvalho era o primeiro >responsável, de resto com toda a legitimidade formal >vigente nos procedimentos electivos do PCP. > > > >Estava marcado pelo controlo estrito da Internacional >do qual o PCP era uma secção, pelas purgas na URSS, o >ascenso do fascismo no mundo e foi, especialmente, >marcado pela conduta da URSS no pacto >germano-soviético, vertido depois para a táctica da >Internacional com a sua posição, no mínimo, de >equidistância entre Hitler e as democracias burguesas. > > > >A viragem tacticista – no sentido em que abdica de uma >ligação estreita a objectivos transformadores por >troca com vantagens de conjuntura - de Estaline, >rompeu abruptamente com toda a condução do VII >Congresso da Internacional onde tinha sido lançada com >enorme sucesso a linha das frentes antifascistas. A >ruptura percebida como golpe na construção de uma >política unitária de resistência e combate ao fascismo >mergulhou os comunistas em todo o mundo numa profunda >crise e, nos confrontos da reorganização dos anos 40, >pesou certamente esta confrontação na arrumação dos >grupos. > > > >Foi notório – e não há razão para pensar que a >história escrita por Pacheco Pereira neste domínio >seja para duvidar - por outro lado, o peso das >denúncias de ilícito político e de infiltração >policial com que o grupo vencedor conduziu a sua >argumentação contra a direcção legítima de Vasco de >Carvalho. Tal como em tempos bem recentes, a discussão >nos anos 40 do século XX, substituiu o confronto de >teses políticas pelos choques pessoais e pelo >levantamento de suspeições de traição ou de provocação >do «inimigo de classe» e da polícia. > > > >A acusação pelo grupo vencedor da reorganização de 40 >aos camaradas da direcção Vasco de Carvalho, de serem >provocadores infiltrados pela polícia política, é uma >das páginas mais negras da luta política em Portugal. >Assim como a sua expulsão do PCP. > > > >Por isso, a homenagem reabilitadora agora efectivada é >uma muito tímida reparação ao papel heróico de quem, >nas mais adversas condições, foi capaz de manter um >mínimo de ligação e organização entre os militantes e >as organizações clandestinas. Nem o ridículo das >acusações prosseguirem aquando da prisão pela PIDE de >Vasco de Carvalho e de outros dirigentes, fez a >calúnia recuar. E os camaradas que então arrostaram >com a mais negra das infâmias, nunca conseguiram >alcançar condições mínimas para se defenderem. Só >recentemente e de passagem, Álvaro Cunhal assumiu o >erro de como foi o chamado «grupelho provocatório de >40» tratado naquela época. > > > >Contribuíram para tão kafkiano ambiente as sucessivas >quedas de dirigentes nas mãos da polícia e a própria >queda da tipografia do «Avante». Porventura, por >graves insuficiências de segurança com que se >defrontava o PCP na época. E também, disse-o Pacheco >Pereira, por infiltração policial em dois elos >concretos bem identificados hoje: o comité local de >Lisboa e a estrutura de direcção no exterior. > > > >Na homenagem, para além do enaltecimento da figura >heróica de Vasco de Carvalho e dos muitos camaradas >caluniados pela agressividade da luta de grupos e >pelas contradições do campo comunista, apenas se deu >relevo aos episódios e peripécias de tal afrontamento. >O único momento de alguma reflexão política apareceu >com a evocação dos contextos das vésperas da segunda >guerra mundial. > > > >Não dispomos por isso de informação sobre a natureza >ideológica e de projecto que eventualmente poderiam >explicar as dissensões também. Só podemos por isso >especular em torno da natureza mais estrutural que >poderia subjazer a tal drama. > > > >Foi por exemplo notório, no desenrolar da homenagem, a >ênfase dos oradores no impressionante currículo de >cooperativista de Vasco de Carvalho. E da sua amizade >e convívio com António Sérgio, por muitos considerado >o patrono do cooperativismo português. > > > >Sublinhou-se, de passagem, a ideia de um modo de >produção cooperativo como caminho possível para >orientar a edificação de uma nova economia. Entre >cooperativas, uma expressão que contêm associado um >conceito jurídico de propriedade, e modo de produção >cooperativo que, independentemente da forma jurídica, >contém uma aplicação no controlo pelos produtores >associados do produto excedentário originado no >processo produtivo há, com certeza, um certo colapso >que pode originar ambiguidades. Cooperativas e modo de >produção cooperativo não são exactamente a mesma >coisa, embora possam de facto sobrepor-se. > > > >Quando falamos do modo de organizar a produção e as >relações de produção segundo uma modalidade >cooperativa estamos a usar uma expressão sinónima de >comunismo ou sistema comunitário. Não estamos >necessariamente a fixar a relação jurídica de >propriedade que se costuma ligar à ideia de >cooperativas. Ora, o que é central ao conceito de >cooperativa e por maioria de razão ao modo cooperativo >de produção é o controlo laboral (pelos próprios >produtores) da riqueza produzida. > > > >Se bem que os ventos de Outubro de 1917 trouxessem a >brisa cooperativa na agricultura, percebeu-se muito >cedo o deslize progressivo do modo de produção na URSS >para um patamar de capitalismo de Estado. Entende-se >por capitalismo de Estado aquele modo de produção que >é dominado pelas categorias económicas do capital, >como acumulação de excedentes e manutenção estrita do >assalariamento dissociado do valor dos excedentes, >controlados pelo Estado e pelo governo. Os níveis de >alienação do trabalho mantêm-se muito elevados, tal >como no capitalismo privado, excepto quando vigora uma >intensa mobilização ideológica. > > > >O que aconteceu nos anos trinta em diante é que o >movimento comunista substituiu progressivamente as >ideias de socialismo reapropriador do sobre-produto, >desde sempre nucleares em Karl Marx e Lenine, por um >conceito de capitalismo de Estado. E nem sequer o >colocou no plano de uma etapa forçada num processo de >construção multi-etapas. Pura e simplesmente fez do >capitalismo de Estado um sinónimo de socialismo. > > > >Durante décadas, como sabemos, o capitalismo de Estado >parecia uma resposta eficaz a tarefas inadiáveis de >desenvolvimento, de regeneração nacional, e por isso >foi esmagadora a sua vitória no campo comunista. Mas a >ideia de um socialismo reapropriador continuou a ser >empunhado por muitos e no caso presente, ele é central >à ideia cooperativa que Vasco de Carvalho abraçou na >sua vida. É de admitir que a tensão entre >reapropriação e controlo estatal dos excedentes >arrancados ao trabalho assalariado nunca tenha sequer >sido verbalizada como tendência de pensamento >estruturada nos choques da reorganização de 40. Mas >pelo percurso de Vasco de Carvalho, e pela hostilidade >que o PCP moveu a muito do seu trabalho no movimento >cooperativo e, depois do 25 de Abril, na Associação >dos Inquilinos, é mais do que notório que entre o >comunismo de Vasco de Carvalho e comunismo pensado na >Soeiro Pereira Gomes vai uma grande distância. > > > >Assume por isso uma enorme relevância para a causa da >renovação do projecto comunista a homenagem a Vasco de >Carvalho. Não é apenas, e muito significado teria se >apenas o fosse, uma reparação dos prejuízos morais e >pessoais que vitimaram o nosso camarada. É muito mais >do que isso! É recolocar no centro da agenda comunista >a discussão fulcral do projecto, do que queremos >fazer, para onde queremos ir e de como imaginamos ser >possível edificar um mundo novo. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
| Subject | Author | Date |
| O Elogio Fúnebre de Vasco de Carvalho | ARIS | 25/08/06 19:13:24 |