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Subject: sindicalismo e globalização


Author:
dn
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Date Posted: 9/07/06 15:05:32

Qual é o problema do sindicalismo nesta época de globalização?

Alguns continuam muito marcados pelas ideologias e, até, pelas relações com a estratégia de partidos políticos. Isso é negativo. Seria importante se começassem a ver como é que um sindicato alemão toma a decisão e sob que critérios. Porque a realidade de cada país é distinta, mas pode haver modelos a importar.

Essa apreciação aplica-se bem à realidade portuguesa?

Os sindicatos têm uma relação muito estreita com os partidos: a CGTP com o PCP e a UGT com o PSD e o PS. Nos países em que os sindicatos têm uma influência negocial elevada não há essa relação.

Mas quais são os grandes desafios do movimento sindical?

A questão pendente, em Portugal e em todo o Mundo, é que os sectores onde os sindicatos tinham a sua base de apoio estão a desaparecer ou, pelos menos, diminuíram radicalmente. E cada vez se encontra mais uma situação polarizada entre os insiders e os outsiders; os que estão dentro e os que estão fora; os que já têm trabalho, bons contratos e boas condições, e a geração mais jovem, que tem contratos temporários, menos direitos e salários mais baixos.

Como construir as pontes para unir estes grupos que estão separados?

Os sindicatos têm aqui um grande desafio, porque, se continuarem só a defender os de dentro, correm o risco de desaparecer, pois cada vez há menos insiders. Terão de procurar estratégi as para atrair os de fora e, sobretudo, preocupar-se com a transição geracional. Para os jovens, um dos temas fundamentais é, logicamente, a estabilidade - os contratos a prazo são o inimigo da estabilidade. E temos contratos a prazo nos nossos países porque são o mecanismo de flexibilidade que as empresas têm para não pagarem os despedimento. Então, vamos protegendo os trabalhadores que já estão dentro, com direito a indemnizações muito altas se forem despedidos, e esse preço estão a pagá-lo outros trabalhadores, que estão fora e que a única coisa que podem querer é um contrato a prazo, porque, caso contrário, não os contratam. Os sindicatos terão só a vertente de defender os que estão dentro, à custa de uma percentagem elevada dos trabalhadores? É um preço muito alto e um dilema ético, porque o coração do sindicalismo está na solidariedade.

Além disso, a eficácia da greve parece não ser a mesma de há dez anos?

De um ponto de vista comparado, demonstra-se que os sindicatos mais conflituosos são, em geral, os mais débeis. E são esses que recorrem à greve, à conflitualidade laboral como instrumento para conseguirem o que querem, pois não têm peso na mesa negocial para alcançarem os seus objectivos. E, depois, tentam consegui-lo na rua, fora da empresa. E a pergunta que se coloca é se esse instrumento tem sido o mais apropriado. Se analisarmos os sindicatos que mais resultados estão a obter na Europa esses muito raramente recorrem a este instrumento.

Porquê?

Porque têm peso na mesa das negociações para poderem obter o que pretendem. A greve é um sinal de debilidade, não é um sinal de força. E deve ser o último recurso. O problema é que, nos nossos países, se converteu no "instrumento" e, ao mínimo conflito, vai-se para a greve.

E essa prática tem consequências?

Em primeiro lugar, muitas vezes não se consegue o que se quer e, em segundo, isso provoca a erosão do papel da greve como a "arma nuclear" que devia ser, o último instrumento a que se recorre. E se serve, às vezes, para conseguir os objectivos a curto prazo, a médio e longo prazo é muito negativo, porque corrói a confiança e dificulta as relações com os empresários.

Actualmente, os empresários têm menos medo da greve?

Têm. Produziu-se um fenómeno que foi a mudança no equilíbrio de poder. Até há uns anos, os sindicatos que decretavam uma greve numa empresa punham o empresário numa situação muito delicada, porque não tinha mais opções do que negociar e ceder. Hoje, a situação mudou radicalmente, porque, numa economia global, muitos têm a opção de se ir embora e investir noutros países. Como tal, o poder da greve como instrumento intimidador, capaz de fazer dobrar o empresário, já não é tão eficaz como era antes. Até pode ser contraproducente, porque pode levá-lo a pensar se não deslocaliza a fábrica para a China, a Roménia ou a Polónia. E esse é outro desafio com que os sindicatos terão de se defrontar: se, ao empurrarem tanto na direcção do conflito e da greve, não estão a convidar os empresários a partir e a ir investir noutros países.

Culpa-se muito os trabalhadores pela falta de produtividade. Os empresários também não tem culpa?

Acusar só os sindicatos pela falta de produtividade é um erro gravíssimo. Os nossos empresários, em geral, continuam muito paroquiais e a pensar que a chave da sua gestão são os custos mais baixos, não a produtividade. Às vezes olhamos para os sindicatos como os retrógrados, os trogloditas, os que estão enclausurados no passado. Mas os empresários que temos não estão muito des-sintonizados desses sindicatos.

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Re: sindicalismo e globalizaçãovisitante de esquerda.12/07/06 18:38:50


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