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| Subject: Incontáveis massacres do tipo My Lai no Iraque | |
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Author: Dahr Jamail |
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Date Posted: 9/06/06 1:48:28 In reply to: US Marine Corps 's message, "Aconteceu em Haditha" on 8/06/06 17:20:50 Incontáveis massacres do tipo My Lai no Iraque Dahr Jamail * Truthout 30/05/2006 http://infoalternativa.org/autores/jamail/jamail012.htm A actual agitação mediádica em torno do que chamam “My Lai iraquiano” tornou-se frenética. O relevo dado a estes marines dos EUA que chacinaram pelo menos 20 civis em Haditha no passado mês de Novembro faz lembrar o estertor mediático em torno do “escândalo” de Abu Ghraib em Abril e Maio de 2004. E no entanto, tal como no caso de Abu Ghraib, enquanto os holofotes dos médias estão apontados para o caso específico de Haditha, um sem número de atrocidades são cometidas todos os dias e são convenientemente ocultadas do público em geral. As torturas não acabaram pelo simples facto de os médias terem decidido, mesmo que vergonhosamente tarde, dar cobertura à história, e as agressões diárias contra civis iraquianos por forças dos EUA e forças de “segurança” iraquianas apoiadas pelos EUA também não pararam por isso. Já neste mês, recebi uma notícia do Iraque onde se podia ler: «No sábado, 13 de Maio de 2006 às 10 da manhã, forças dos EUA acompanhadas por elementos da Guarda Nacional Iraquiana atacaram casas de iraquianos em Al-Latifya, bairro do sul de Bagdade, com um intenso bombardeamento de helicópteros. Isso obrigou as famílias a fugir para o Al-Mazar e para os canais de água para se protegerem do violento bombardeamento. Os sete helicópteros aterraram para perseguir as famílias em fuga… e mataram-nas. O número de vítimas eleva-se a mais de 25 mártires. As forças estadunidenses prenderam mais seis pessoas, incluindo duas mulheres chamadas Israa Ahmed Hasan e Widad Ahmed Hasan, e uma criança chamada Huda Hitham Mohammed Hasan, cujo pai fora morto durante o bombardeamento». O relatório da ONG iraquiana chamada Rede de Monitorização dos Direitos Humanos no Iraque (MHRI) prosseguia: «As tropas não ficaram por aqui. Realizaram um ataque em 15 de Maio 2006, também apoiado por elementos da Guarda Nacional Iraquiana. Mais uma vez atacaram as casas das famílias e prenderam uma série delas, enquanto outras fugir. Atiradores furtivos estadunidenses usaram então as casas assaltadas para alvejar mais iraquianos. A razão dada para este crime foi o abatimento de um helicóptero numa zona próxima desta, onde se deu o ataque». Os militares dos EUA acharam por bem relatar o incidente como uma ofensiva em que abateram 41 “insurrectos”, orientação efectivamente papagueada pela maior parte dos médias. No mesmo dia, o MHRI também relatou que, no bairro Yarmouk de Bagdade, forças dos EUA fizeram um raide contra a casa de Essam Fitian al-Rawi. Al-Rawi foi morto, assim como o seu filho Ahmed; então os soldados confirmadamente removeram os dois corpos juntamente com o sobrinho de Al-Rawi, que foi preso. Do mesmo modo, na cidade de Samarra, em 5 de Maio, o MHRI relatou que «soldados estadunidenses entraram em casa do senhor Zidan Khalif Al-Heed depois de um ataque contra soldados estadunidenses feito a partir das proximidades da casa. Os soldados estadunidenses entraram na casa e mataram a família, incluindo o pai, a mãe e a filha, aluna do 6º ano, e ainda o filho, que padecia de deficiências mentais e físicas». Esta mesma organização, o MHRI, também calculou entre 4.000 e 6.000 o número de civis iraquianos assassinados durante o ataque feito pelos EUA, em Novembro de 2004, contra a cidade de Faluja. Números que, comparados com os de Haditha, os fazem parecer bem pequenos. Os meios de comunicação dominantes, em vez de referirem casos como estes, apresentam Haditha como um dos incidentes pouco frequentes que «constituem um desafio grave à capacidade dos EUA para controlarem a guerra do Iraque, como indicara o escândalo da prisão de Abu Ghraib». Marc Garlasco, da Human Rights Watch, disse recentemente aos jornalistas: «O que aconteceu em Haditha revela-se como um assassinato puro e simples. O massacre de Haditha será lembrado como o My Lai iraquiano». Depois, há a realidade diária da limpeza sectária e étnica no Iraque, que está a ser levada a cabo por forças de “segurança” apoiadas pelos EUA. Exemplo recente disso foi apresentado por um representante da Associação Voz da Liberdade pelos Direitos Humanos, outra ONG iraquiana, que enumera as continuadas atrocidades resultantes da ocupação dos EUA. «O representante … visitou a aldeia de Fursan (Bani Zaid) com a secção de al-Madayin do Crescente Vermelho iraquiano. A aldeia, com 60 casas, habitadas por famílias sunitas, foi atacada em 27 de Fevereiro de 2006 por grupos de homens vestidos de negro e que se deslocavam em carros do Ministério do Interior. A maior parte dos aldeões escaparam, mas oito deles foram capturados e imediatamente executados. Um deles era o imã da mesquita da aldeia, Abu Aisha, e outro era um rapazinho de 10 anos, Adnan Madab. Foram executados dentro do quarto onde estavam escondidos. Muitos animais (ovelhas, vacas e cães) foram também mortos a tiro pelos homens armados. A mesquita da aldeia e a maior parte das casas foram destruídas e incendiadas». O representante obteve essa informação através de quatro homens que tinham fugido ao massacre e agora regressavam para contar os pormenores. Todos os outros sobreviventes tinham partido para Bagdade em busca de refúgio. «Os sobreviventes que regressaram para contar os pormenores guiaram o representante e o pessoal do Crescente Vermelho até ao local onde os corpos haviam sido enterrados. Eram corpos de homens, mulheres e de um dos bébés da aldeia». Acerca deste caso, o director do MHRI, Muhamad T. Al-Deraji, disse: «Esta situação é apenas uma parte de um problema mais vasto que é orquestrado pelo governo… a demora em proteger mais aldeões destes ataques só pode fazer aumentar o número de tragédias». Arun Gupta, jornalista de investigação do jornal New York Indypendent do New York Independent Media Center, tem escrito muito sobre as milícias e os esquadrões da morte apoiados pelos EUA no Iraque. Ele é também ex-editor do Guardian Weekly em Nova Iorque e escreve frequentemente para o Z Magazine e o Left Turn. «O facto é que, embora eu ache que, até certo ponto, as milícias podem ter escapado ao controlo dos EUA, são os EUA que treinam, armam, financiam e abastecem todas as forças de polícia e militares, e que lhes dão o apoio logístico fundamental», disse-me ele esta semana. «Por exemplo: houve informações, no princípio do ano, de que uma unidade de militares estadunidenses apanhara um “esquadrão da morte” a operar no interior da Patrulha Iraquiana das Estradas. Houve as habituais afirmações de que os EUA nada tinham a ver com essa gente. É uma mentira total. Os jornalistas estadunidenses são preguiçosos. Bastava terem investigado um pouco mais e encontravam por ali montes de material que provaria como os EUA tinham organizado a patrulha das estradas, e tinham organizado uma escola de treino específico para ela, e a tinham armado, e tinham construído todas as suas bases, etc. Tudo isto se encontra em documentos do governo, por isso é irrefutável. Mas eles dizem aos médias que nós não temos nada a ver com essa gente e nem se dão ao trabalho de ir verificar. Em qualquer caso, para mim esta história é significativa porque mostra como os EUA tentam ocultar o seu envolvimento». Uma vez mais, como no caso de Abu Ghraib, alguns soldados dos EUA estão a ser investigados acerca do que se passou em Haditha. A história das “algumas maçãs podres” vem sendo repetida com o objectivo de esconder o facto de que os iraquianos são massacrados em cada dia que passa. A directiva “atirar primeiro, perguntar depois”, que, na realidade, está em vigor desde o início da guerra do Iraque, cria o “gosto pelo gatilho” nos soldados estadunidenses e nos esquadrões da morte iraquianos, por eles apoiados, que não têm qualquer respeito pelas vidas do povo iraquiano. No entanto, em vez de se levar a julgamento altos funcionários do governo de Bush que dão as ordens, incluindo o próprio Bush, pelos crimes de que muito certamente são culpados, temos este cerimonial de “enforcamento público” de um punhado de soldados rasos pelos crimes que cometeram no terreno. Numa entrevista à CNN em 29 de Maio, acerca do massacre de Haditha, o Chefe do Estado-Maior Interarmas, general Peter Pace, comentou: «Vai demorar algumas semanas a completar essas investigações, e não deveríamos antecipar os seus resultados. Mas deveríamos, de facto, como dirigentes, assumir a responsabilidade de nos mexermos e de irmos falar às nossas tropas, assegurando-nos de que elas compreendem que o que 99,9 por cento delas andam a fazer, isto é, combater com honra e coragem, é exactamente o que delas esperamos». Este é o mesmo Peter Pace que, questionado por Tim Russert, no Meet the Press de 5 de Março passado, respondeu: «Eu diria que eles estão a ir bem. Não vou ostentar um sorriso de orelha a orelha, mas diria que estão a ir muito, muito bem em todos os aspectos…» As coisas não «estão a ir muito, muito bem» no Iraque. Houve inúmeros massacres tipo My Lai e nós não podemos acusar 0,1 por cento dos soldados no terreno por assassinarem nada menos de 250 mil iraquianos, quando, para começar, foi precisamente a orientação política do governo de Bush que deu origem à ocupação falhada. _______ * Dahr Jamail é um jornalista independente que passou mais de 8 meses reportando a partir do Iraque ocupado. Ele apresentou provas dos crimes dos EUA no Iraque perante a Comissão Internacional de Inquérito sobre Crimes Contra a Humanidade Cometidos pela Administração Bush, na cidade de Nova Iorque em Janeiro de 2006. A sua página é dahrjamailiraq.com. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |
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| Os militares dos EUA escondem muito mais Hadithas | Aaron Glantz; Alaa Hassan | 9/06/06 1:51:18 |