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Subject: A globalização é apenas uma fuga para a frente


Author:
José Mário Silva e Rui Coutinho
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Date Posted: 24/05/06 11:58:13

Em Lisboa para a apresentação do seu livro (As Aventuras da Mercadoria) e para uma conferência na Universidade Nova, Anselm Jappe falou ao DN sobre a "crise do capitalismo" e a necessidade de combater os perigos da globalização, embora sem ceder, como outros, à "lógica do sistema".

P- Em As Aventuras da Mercadoria, revisita as ideias de Marx sobre a crítica do valor. Porquê este regresso ao Marx mais económico e menos político?

R- Nos últimos anos, ouvimos muitas vezes dizer que o pensamento de Marx está ultrapassado e que há muitas coisas que já não podemos explicar com o pensamento de Marx. A verdade é que, se uma análise simplesmente sociológica já não funciona, o Marx que determinou as categorias de base do capitalismo - a lógica da mercadoria, do trabalho abstracto, do dinheiro - ganhou actualidade, porque essa lógica que então nascia ampliou-se mais e mais.

P- Neste livro resume o trabalho de vários pensadores marxistas contemporâneos que estavam dispersos e inacessíveis ao leitor comum.

R- O que eu fiz foi resumir o essencial do que dois ou três autores disseram, acrescentando as minhas próprias considerações, fazendo depois algumas ligações com autores mais antigos, como Lukács ou Rubin. Reconheço uma dívida intelectual em relação a outros, mas a verdade é que não somos mais do que uns dez autores, ao todo, a trabalhar nos últimos anos sobre estes temas.

P- O seu livro defende que já estamos a viver a crise final do capitalismo. No entanto, o que vemos nos países desenvolvidos é o contrário disso: uma demonstração de força. Cada vez se consome mais, de forma mais rápida e com estratégias comerciais mais agressivas. Considera que este paradigma do "sucesso" económico é uma ilusão?

R- Podemos dizer que há alguns produtos, como os telemóveis ou as viagens aéreas, que custam cada vez menos, devido aos avanços tecnológicos, tornando-se acessíveis a um número maior de pessoas. Mas se observarmos bem, em paralelo, temos o desemprego sempre a subir. Há um sentimento generalizado de insegurança em relação ao futuro. E se as pessoas consomem freneticamente, é porque têm a sensação de que tudo é precário, de que tudo vai terminar de um dia para o outro.

P- É a ansiedade da "humanidade supérflua".

R- Exacto. E isto atinge não apenas os pobres, mas também as classes médias. Durante muito tempo, pensou-se que mais depressa morreríamos de tédio que de fome. A realidade está a encarregar-se de desmentir essa profecia.

P- Mesmo assim, aparentemente a catástrofe final ainda não chegou...

R- Não se trata de um processo apocalíptico. Mas o certo é que o sistema está hoje muito mais em crise do que nos anos 70: a produção verdadeira, a acumulação de capital real, perdeu importância face à acumulação de capital fictício, nas bolsas e na especulação imobiliária.

P- Há quem diga que a globalização foi a tábua de salvação do capitalismo.

R- Para mim é apenas uma fuga para a frente.

P- A crise do capitalismo será sempre uma crise global. Isso não dificulta a luta contra o sistema?

R- É verdade. Mas isso não quer dizer que a solução passe pela reforma do sistema que existe. Pelo contrário. Como dizia um colaborador da revista Krisis, a globalização é como um barco que já não tem combustível e que continua a navegar apenas porque vai queimando, a pouco e pouco, as tábuas do convés. É evidente que as saídas se tornaram mais difíceis. Temos pela frente uma tarefa ciclópica, de grande fôlego, que requer tempo e não passa apenas pelo próximo slogan para a manifestação de amanhã.

P- O seu livro tem mais de 280 páginas, mas só quatro dessas páginas é que procuram esboçar uma alternativa. Não lhe parece pouco?

R- Eu não quis construir uma alternativa mas apenas lembrar, com a citação final de Aristóteles sobre a "vida boa", que sempre houve na História pessoas com vontade de construir uma existência que não esteja completamente submetida à economia.

P- Não deixa de ser irónico que termine um livro sobre o presente com a frase de alguém que viveu há mais de dois mil anos.

R- O que eu quis foi mostrar que se queremos pensar de forma diferente, não temos que inventar uma utopia e partir do zero.

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Re: A globalização é apenas uma fuga para a frenteturista24/05/06 14:00:46


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