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Subject: A França levou Nicolas Sarkozy à presidência da República.


Author:
Ignacio Ramonet
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Date Posted: 11/06/07 12:25:25

Ignacio Ramonet
Le Monde diplomatique
Há algo de fascinante nesta espécie de marcha do tigre que em França levou Nicolas Sarkozy à presidência da República. O inegável génio político de que deu provas ao longo da campanha, a mescla de voluntarismo, autoridade, personalização, provocação, nacionalismo e liberalismo, conjugada com uma brilhante arte oratória e uma temível inteligência das comunicações de massas, permitiram-lhe, graças também ao apoio maciço do poder mediático e do poder económico, impor-se com uma manifesta nitidez.
O que depois espantou foi a desenvoltura intelectual que o levou a sentenciar no debate sobre as linhas de demarcação que separam a direita e a esquerda. Perguntavam-se alguns analistas se tais linhas, desarrumadas pela globalização liberal, teriam ou não mudado. Sarkozy decidiu sem hesitar. Provando, pela composição do seu primeiro governo, que o perímetro da direita passou de facto a incluir uma boa parte do Partido Socialista, em todo o caso a sua ala “social-liberal”. A este respeito, o novo executivo (onde quatro membros – Bernard Kouchner, Eric Besson, Jean-Pierre Jouyet e Martin Hirsch – vêm da esquerda) limita-se a reflectir a direitização da sociedade francesa. Uma direitização paradoxal, tendo em conta que o sofrimento social tem continuado a aumentar. E que desde 1995 as lutas sociais se mantêm vivas no mundo do trabalho, duramente atingido pela precarização, a subcontratação, as deslocalizações e o desemprego.
A era do gaullismo chega ao fim, substituída pela era do sarkozismo, ou seja, por um populismo francês que – cativando todas as direitas através duma ilusão de movimento e abertura, qualificados como “modernos”, ou mesmo “progressistas” – se propõe congregá-las a todas, dos lepenistas aos sócio-liberais, sem esquecer os centristas. E cujas principais fontes de inspiração são estas: o modelo republicano conservador nos Estados Unidos, Silvio Berlusconi em Itália e José María Aznar em Espanha. Três experiências, diga se de passagem, recentemente desaprovadas pelos eleitores destes países.
O novo insucesso da esquerda constitui, em primeiro lugar, uma derrota intelectual. Acabou por se revelar suicida não ter construído, por imobilismo, por estar separada das camadas populares ou por incapacidade, uma nova teoria política para a construção de uma França mais justa, quando todas as estruturas da sociedade têm vindo a ser convulsionadas, desde há quinze anos, pelo brutal desmoronamento da União Soviética e pelo incremento devastador da globalização neoliberal. A esquerda perdeu a batalha das ideias. E isso desde que a sua experiência governamental a levou a bloquear os salários, a encerrar fábricas, a suprimir empregos, a liquidar as zonas industriais e a privatizar uma parte do sector público. Em suma, desde que aceitou a missão histórica, contrária à sua essência, de “adaptar” a França à globalização, de a “modernizar” à custa dos assalariados e em proveito do capital. Está nisso a origem da derrota actual.
Atribuir aos grandes media – que hoje constituem o principal aparelho ideológico do sistema – a responsabilidade desta derrota remete para o queixume infantil ou para a impotência. Porque a nova hierarquia dos poderes, estabelecida pela globalização neoliberal, coloca evidentemente no topo, como primeiro poder, o poder económico e financeiro, seguido do poder mediático, mercenário do anterior. Esta dupla dominante controla o poder político. O qual, nas democracias de opinião pública, na era da globalização, só se conquista com o consentimento cúmplice dos dois primeiros.
A “esquerda da esquerda” também não teve em conta esta evidência, mostrando as mais das vezes, apesar da riqueza das suas propostas, um espectáculo consternador de desunião e egotismo. Para a esquerda como um todo, esta derrota é decisiva. Assinala o fim de um tempo. E obriga-a a uma indispensável refundação. Para por fim edificar, como presentemente se diz na América Latina, um “socialismo do século XXI”.

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Subject Author Date
Oh da guarda !!!che-che11/06/07 12:35:25


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