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Subject: Gravidez & Aborto


Author:
C�sar Pr�ncipe
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Date Posted: 2/02/07 11:41:55

Gravidez & Aborto
Hist�rias da Santa Madre
A filha do arcebispo
por C�sar Pr�ncipe [*]

Quadro de Paula Rego, s�rie sobre o aborto. Os eleitores v�o ser chamados �s urnas para referendar a lei que se prop�e despenalizar a IVG at� dez semanas. N�o se trata de dizer Sim ao aborto, mas dizer Sim � mudan�a parcial de uma lei, sujeita a referendo. A lei vigente considera um crime a pr�tica de IVG, contemplando algumas excep��es que n�o cobrem os motivos que levam dezenas de mulheres a recorrerem anualmente � decis�o da IVG. A lei em vigor redunda numa disposi��o de terrorismo penal, como se j� n�o bastasse o desconforto das mulheres, atiradas pela lei actual para expedientes de acrescido risco. Os adeptos do n�o � altera��o da lei fazem gala em preservar um stock de adamastores para intimidar a incultura nativa.

A quest�o da penaliza��o do aborto s� foi introduzida no nosso Direito em 1852, embora seja mat�ria assente o seu recurso desde �pocas imemoriais. A toler�ncia e a puni��o nunca foram cont�nuas nem universais, como, de resto, na hist�ria de todos os costumes. O que ontem foi v�lido ou inv�lido passa ao diametralmente contr�rio segundo as bandeiras que o sistema de interesses convida a desfraldar. Na corte de Filipa de Lencastre (1387-1415), da �nclita Gera��o, uma das aias mais aconchegadas era filha de Martim Afonso da Charneca, arcebispo de Braga. Hoje, Cavaco Silva, no Pal�cio de Bel�m, acolheria, entre a nobreza servi�al, hipot�ticas filhas bastardas de membros do actual episcopado?

Mudam-se os tempos e mudam-se os templos. Mudam-se as vontades e mudam-se as verdades. A vida est� repleta de ilustra��es de contradit�rio. Seriam inesgot�veis as reposi��es de assuntos que foram sagrados e se transformaram em profanos e que foram profanos e se transformaram em sagrados. Um dos tabus: no s�culo XVII, ainda a Igreja proibia a disseca��o de cad�veres. Perdeu mais esse conflito com a Ci�ncia. Outro tabu: na ditadura fascista, o cardeal Cerejeira excomungou o progressista Felicidade Alves. H� anos, o cardeal Policarpo casou o ex-padre no Mosteiro dos Jer�nimos. Mais outro tabu: a seguir ao 25 de Abril, o Estado legalizou o div�rcio e a Igreja assinou a revis�o da Concordata.

Hoje, a Igreja Cat�lica volta a orquestrar os coros genitais. O que n�o surpreende: por regra, as Igrejas est�o desvinculadas das grandes causas da Humanidade, agarrando-se a certos refr�es suscept�veis de Esp�rito de Cruzada. E as problem�ticas do sexo (caso do amor, da reprodu��o, do preservativo ou da homossexualidade) fazem saltar bispos, cl�rigos, irm�zinhas e brigadas de beatos na reserva. Nada causa mais alarme, febre e prazer religioso do que um debate sobre o Coito ou um referendo sobre a sua Interrup��o. Se a Igreja se preocupasse assim com o Desemprego e a Fome, o Analfabetismo e a Guerra, outra seria a Pol�tica, outra seria a Economia, outro seria o respeito pelo Direito e pela Paz. Mas a Igreja quase s� reage a est�mulos destas partes sagradas.

Haja esperan�a. A Igreja Cat�lica perder�, mais tarde ou mais cedo, a sua guerra dos embri�es. A Sociedade acabar� por regular este problema de sa�de f�sica e de sa�de cultural. E os arcebispos, um dia, n�o muito longe, quem sabe, at� voltar�o a ter rebentos com direito a ficha no Registo Civil e a valorizar a massa cr�tica da Universidade Cat�lica.

[*] Escritor, jornalista

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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