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Subject: 17. Ainda a determinação do curso da História - 2


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 7/12/06 0:15:24
In reply to: Guilherme Statter 's message, "17. Ainda a determinação do curso da História - 1" on 6/12/06 18:50:23

17. A estrutura social – tal como indicado na primeira proposição – é determinada pela sua fundação ou base económica. De acordo com este princípio, o curso da sua história é determinado por esta fundação económica.

Uma outra perspectiva ainda a considerar (se quisermos continuar a ir "ainda mais fundo" nos níveis de determinação da geografia relativamente à História) será o da distribuição da fertilidade natural dos solos (determinada pela geologia, chuvas e ventos ao longo de milhões de anos...) assim como o efeito condicionante (para não escrever "determinante") da localização de cada território relativamente ao circuito planetário de ventos e correntes marítimas.
Assim Portugal – situado na extremidade sudoeste da península europeia da massa continental conhecida como Eurásia - estaria como que "destinado" (para não escrever "determinado"...) a estar na origem das grandes navegações marítimas que levaram os Europeus aos outros continentes. Para isso aproveitaria os ventos e correntes predominantes, de Norte para Sul (os quais perto do Equador levam naturalmente à "descoberta" do Brasil...).
A este respeito e a propósito do papel "determinante" ou "determinado", respectivamente da (super)estrutura social e da estrutura ou fundação económica (e, por maioria de razão, da fundação ou base geográfica do território ocupado), refira-se a questão de se explicar porque razão foram os Europeus (para o caso os Portugueses), a navegar até à Índia e à China e não foram os Chineses a navegar até à Europa, dando a volta ao continente africano.
É conhecida a polémica entre Gunder Frank e Wallerstein relativamente à "idade" do sistema-mundo (segundo a respectiva concepção comum àqueles dois autores...). Enquanto que Wallerstein fala de um sistema-mundo (o "moderno" sistema-mundo com 500 anos de idade), Gunder Frank interroga-se: "Sistema-mundo, 500 ou 5.000 anos?".
Em qualquer dos casos ambas as abordagens se referem ao "sistema-mundo" constituído pela massa continental da Eurásia, com extremidades na Bacia do Mediterrâneo e na China. Sendo estas extremidades ligadas entre si por antiquíssimas rotas comerciais que nos tempos mais modernos vieram a ser conhecidas pelo nome genérico de "Rota da Seda".
Relativamente à questão acima referida de se explicar o porquê do protagonismo dos Portugueses nas "Descobertas" marítimas, Wallerstein avança com uma explicação ao nível da superestrutura. Diz aquele autor que enquanto o almirante chinês Zheng He (que viajou até ao Canal de Moçambique) estava dependente da autorização imperial da dinastia Ming e da sua burocracia de mandarins, os reis de Portugal não tinham que pedir autorização a ninguém para se lançarem na aventura empresarial da busca de uma rota mais barata para o comércio "das especiarias e da seda"...
Parece-me que, se se quiser "esgravatar" um pouco mais abaixo nos diversos níveis de análise, seria possível (é apenas uma hipótese...) encontrar mais alguns elementos ou dados ao nível da geografia e da distribuição planetária das massas continentais e dos ventos e correntes marítimas que facilitam ou dificultam a navegação transoceânica. Elementos esses que ajudariam a explicar o porquê das navegações portuguesas e porque razão o actual sistema-mundo tem o Inglês (em vez do "Chinês" ?...) como "língua franca" dos negócios internacionais.
Se olharmos para um qualquer mapa-mundo com indicação das principais correntes oceânicas e olharmos também para mapas mais detalhados quer do mar da China quer do Atlântico norte talvez nos venhamos a aperceber do condicionalismo (para não dizer "determinismo") que a Geografia tem imposto ao desenrolar do processo histórico...
É caso para dizer, se considerarmos que a geografia tem tido - de forma tão evidente - um papel determinante do desenrolar da história humana, se considerarmos também que a base económica de uma qualquer fracção social da sociedade humana acaba por estar dependente do território ocupado, como se poderá ainda discutir/duvidar do papel determinante que - em última instância (como assinala Althusser...) tem a base económica em relação à configuração social ou superestrutura???
Deveria também ser evidente que, num segundo momento histórico e analítico, o próprio desenvolvimento histórico (social e económico) dá origem à reflexão social (emergência da ciência e da tecnologia) em todas as sociedades humanas e, em consequência, ao refluxo (efeito sistémico de retro-acção...) da superestrutura sobre a estrutura.

Voltando então à "vaca fria" da "tese" nº 17 do sr. C. Wright Mills...
17. A estrutura social – tal como indicado na primeira proposição – é determinada pela sua fundação ou base económica. De acordo com este princípio, o curso da sua história é determinado por esta fundação económica.
A (super)estrutura social começa mesmo por ser determinada pela base territorial e ambiental de acordo com a situação geográfica. Também nesse sentido, se é verdade que a (super)estrutura social de qualquer fracção "nacional" da sociedade humana, começa por ser determinada pela sua fundação ou base económica, também não deixa de ser verdade que – em consequência do próprio processo histórico – o curso da História, a partir de um certo momento (a tomada de consciência por parte dos membros da sociedade) deixa de estar determinada (de forma "cega" e/ou "inelutável") por parte da "base económica". Ou seja, a partir do momento em que as sociedades humanas se apercebem do curso da História, deixa de haver "determinismo". Parafraseando Marx e Engels, ao fim e ao cabo (em ultima instância...) são os homens que fazem a sua própria História, naturalmente limitados ou condicionados às circunstâncias materiais em que se encontrarem...

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