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Subject: Re: Como em Chicago nos anos trinta


Author:
América Latina
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Date Posted: 19/01/08 11:26:05
In reply to: Visitante aburrido 's message, "Como em Chicago nos anos trinta" on 15/01/08 20:40:53

Um jornalista sueco está na mira do governo e dos paramilitares colombianos



Ernesto Carmona *





O correspondente sueco para a América Latina, Dick Emanuelsson, está na mira dos serviços governamentais colombianos e dos seus aliados paramilitares por supostos vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias (FARC), estabelecidas há quase meio século. As ameaças aparecem como “artigos de opinião” de um tal Ernesto Yamhure Fonseca, no semanário El Espectador, de Julio Mario Santo Domingo, magnata cervejeiro e de linhas aéreas, da oligarquia colombiana que co-governa com o presidente Álvaro Uribe.



No dia 15 de Dezembro [1], El Espectador deu de novo espaço a Yamhure para apontar Emanuelsson como «coordenador de agitação mediática a favor das FARC na Europa e “embaixador” desse grupo terrorista». Emanuelsson respondeu que «nem vivo, nem trabalho na Europa desde 2000, mas na América Latina, continente que cubro a tempo inteiro como jornalista».



Emanuelsson abandonou a Colômbia há dois anos, precisamente por temor a um assassinato, mas o longo braço mafioso não tem hoje fronteiras. «Esse sinistro personagem promete-me que se ponho um pé em território colombiano serei detido como guerrilheiro porque diz que pertenço à guerrilha e que o meu chefe é Raúl Reis, enquanto o Secretariado paga o meu salário. Insta­‑me desmobilizar­‑me para acudir à Lei de Justiça e Paz, feita para legalizar o poderio narco-mafioso que actualmente reina no país», disse Emanuelsson.



Na lógica dos poderes que co-governam a Colômbia – incluindo o embaixador dos EUA, William Brownfield –, uma amizade com as FARC fabricada pelos meios de comunicação justifica um assassinato que nunca se aclara. As falsas imputações “tranquilizam” a opinião pública e desqualificam as futuras vítimas. A mentalidade oligárquica colombiana tem uma lógica criminosa implacável, fortalecida pela sua aliança com os poderes narco­‑mafioso e o império universal do delito dos tempos de Bush.



COINCIDÊNCIAS ALARMANTES



Emanuelsson foi acusado por Yamhure de ser «embaixador das FARC na Europa» e de organizar e instigar os terroristas nesse continente, embora viva do outro lado do planeta. «Até me acusam de coordenar as doações dos velhos partisanos dinamarqueses e agora também as doações dos sindicalistas para a guerrilha». Emanuelsson afirma que «estão­ a atacar­‑me descaradamente a partir da Colômbia, país que deixei há dois anos e sobre o qual não voltei a escrever quase nada: usaram-me como pretexto para atacar, em geral, toda a oposição no exterior e também no interior, como uma cortina de fumo sobre os profundos problemas e crises que atravessa neste momento o regime uribista».



As ameaças contra Emanuelsson recrudesceram precisamente quando a senadora liberal Piedad Córdoba denunciava nos EUA que existe um plano para assassiná‑la em Caracas depois de boicotar o seu papel mediador humanitário entre a guerrilha, o governo de Uribe e o presidente Hugo Chávez, ao mesmo tempo que o ministro da Defesa Juan Manuel Santos – da família proprietária do diário El Tiempo – se sentia aludido como autor intelectual do plano de assassinato denunciado pela legisladora colombiana. Tudo isto durante a iminente libertação de três pessoas em poder das FARC: Clara Rojas, que foi a candidata vice­‑presidencial de Ingrid Betancourt, o seu filho Emmanuel – nascido em cativeiro – e a ex­‑congressista Consuelo González de Perdomo.



O jornalista sueco assinalou que nas duas últimas décadas foram assassinados na Colômbia 123 jornalistas, deles 23 no governo de Virgilio Barco Vargas (1986-1990), 32 no de César Gaviria (1990-1994), 17 sob Ernesto Samper (1994-1998), 30 com Andrés Pastrana Arango (1998-2002) e 21 durante o actual mandato do reeleito Álvaro Uribe Vélez (2002-2006 e 2006-2010). «Perguntamo-nos, além disso, quantos foram ameaçados?, quantos tiveram que ir para o exílio para proteger as suas vidas?, quantos se foram do país porque descobriram o rasto de organismos secretos e narco-paramilitares?», reflectiu o correspondente sueco.



«Este país não é nada seguro para os jornalistas», sublinhou Emanuelsson. «Aqui assassinam inclusive colombianos denunciados como “ponte na compra de armas às FARC”, mas absolvidos por falta de provas pelo Ministério de Segurança. O dono de um café Internet foi esfaqueado a dez minutos de minha casa e de forma profissional por dois sicários que actuaram fria mas muito eficazmente».



ABERRAÇÃO NO EL ESPECTADOR



«É aberrante que seja precisamente El Espectador o que se presta a que um suposto jornalista aponte o dedo aos jornalistas, verdadeiros jornalistas, e a outras pessoas. E não só que aponte, mas que ameace de morte», escreveu Emanuelsson. A artilharia “jornalística” de Yamhure ameaça também o europarlamentar Jens Holms, uma organização sueca chamada Colombianätverket, a ONG britânica Justice for Colombia, a Associação Jaime Pardo Leal e, entre outros, o médico Hernando Vanegas, refugiado na Costa Rica e reassentado na Suécia pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Segundo Emanuelsson, Vanegas não aceitou uma oferta de “trabalhar” com a polícia colombiana para entregar os membros da comissão internacional das FARC, que – eventualmente – o médico encontraria em eventos internacionais.



Para Emanuelsson, «assim actuam os sicários: primeiro preparam o terreno, lançam tendenciosas mentiras, denunciam os sectores de oposição ou personalidades “incómodas” – são os sicários morais, de microfone ou imprensa – e depois vem o assassinato, realizado pelo sicário material. Assim assassinaram em 1986 o jornalista Guillermo Cano Isaza, então director do diário El Espectador. Rumores iam e vinham, até que o assassino contratado ceifou uma vida com altos princípios éticos». Segundo Emanuelsson, «o curioso é que agora se descobre que “personagens muito amigos” de José Obdulio Gaviria – primo de Pablo Escobar Gaviria e assessor político de Uribe – através do seu irmão, sacaram o livro de cheques que pagou aos sicários de Cano».



«O assassino moral – Ernesto Yamhure – já atirou a pedra», assegurou Emanuelsson. «Agora virá o sicário para assassinar. De que maneira? De qualquer maneira. Por isso qualquer morte que não seja natural, seja produzida por um atropelamento de automóvel, por simulação de assalto, o assassinato por um louco, um atropelamento pelo Metro ou um afogamento inexplicável, será imputável a Ernesto Yamhure e ao seu chefe, Álvaro Uribe Vélez. Inclusive qualquer morte “normal” deverá ser plenamente investigada», assinalou.



Para Emanuelsson, quem assassinou Cano Isaza foram «membros da máfia, a mesma máfia que hoje está no Palácio de Nariño. O seu assassinato está impune, como milhares e milhares na Colômbia. Só que agora os mafiosos são educados em universidades caras do estrangeiro e qualificados para se apoderarem do estado, com a vénia da oligarquia e do império».



QUEM É ERNESTO YAMHURE?



Ernesto Yamhure Fonseca não é um jornalista, mas um “politólogo”. Segundo o seu próprio currículo, graduou­‑se em 2000 na Universidade Colégio Maior de Nossa Senhora do Rosário, com uma tese que obteve «menção meritória». Descreve-se como «Consultor e analista político» que trabalhou como analista político especializado em «comunicação política». Ou seja, uma espécie de agente de inteligência «com formação universitária»... mas na Colômbia.



O seu padrinho foi Carlos Holmes Trujillo, um caudilho liberal do Vale do Cauca que herdou o negócio familiar da caudilhagem do seu pai. Yamhure assessorou Trujillo como candidato a governador do Cauca em 2003, mas o seu protector perdeu as eleições. Como consolo, Uribe Vélez nomeou o fracassado caudilho Trujillo como embaixador na Suécia e lá apareceu como seu secretário o seu ex assessor Yamhure (2004-2006), agora travestido em “diplomata”. Segundo as suas próprias palavras «como servidor público diplomático da Embaixada da Colômbia junto do Reino da Suécia, tive a responsabilidade de atender aos assuntos de tipo político da Missão tais como Direitos Humanos, Política de Segurança Democrática e Política de Paz do Governo Nacional. Para tal efeito, sustentei diálogo permanente com autoridades do Governo sueco, com representantes de ONG e jornalistas desse país» [2].



Mas na realidade o “diplomata” Yamhure dedicou-se à espionagem dos emigrados e refugiados colombianos residentes na Suécia e na Europa, a tratar de interessar a polícia sueca nas actividades dos seus compatriotas expatriados e a ameaçar cidadãos suecos que não coincidiam com as suas inclinações políticas, como ocorreu com o próprio Emanuelsson. Quando, em 2005, aportou a Estocolmo o navio escola Gloria, mais famoso pelos seus contrabandos de cocaína do que pelos seus méritos náuticos, o politólogo converteu­‑se em “fotógrafo de coberta”, dedicando­‑se a captar imagens ao vivo e em directo de um grupo de manifestantes colombianos que fez uma demonstração contra a nave. Então, o jornalista Emanuelsson fotografou o fotógrafo, in fraganti. E desde então não suporta quem fez abortar o seu trabalho de “inteligência” na embaixada colombiana.



Segundo Yamhure, «por ocasião de uma visita do ARC Glória à Suécia, em Julho de 2005, os fanáticos da ANNCOL e da Associação Jaime Pardo Leal – escritório de lobby das FARC – organizaram uma manifestação no porto onde atracou o navio escola. Teve-se conhecimento, por parte de um membro da colónia colombiana, que os foragidos planeavam tomar de assalto a nave. De forma preventiva, em plena luz do dia e do casco do benemérito veleiro, tirei umas fotografias dos possíveis amotinados que projectavam alterar a ordem pública e pôr em risco o rio de turistas que faziam fila para abordar». Parece que o espião-fotógrafo-politólogo Yamhure fez um bom trabalho, porque Uribe acaba do premiá­‑lo designando­‑o como seu embaixador na Holanda.



______

* Ernesto Carmona é jornalista e escritor chileno, conselheiro nacional do Colégio de Jornalistas do Chile e Secretário Executivo da Comissão Investigadora de Atentados a Jornalistas (CIAP) da Federação Latino­‑americana de Jornalistas (FELAP).



[1] Ernesto Yamhure, Réplica a un terrorista, El Espectador, 15/12/2007.

[2] http://aspirantes.presidência.gov.co/documentos/18317.pdf

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