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Subject: Ex-chefe do grupo armado AUC, COLOMBIA


Author:
Claudia Jardim
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Date Posted: 13/08/08 16:32:15

Paramilitar colombiano admite ter assassinado mais de 3 mil pessoas

– Ex-chefe do grupo armado AUC revelou que o grupo actuava em

cumplicidade com as autoridades locais para promover os assassinatos –



Claudia Jardim

Brasil de Fato



O ex-chefe paramilitar colombiano Hebert Veloza admitiu ter sido responsável junto com o seu grupo armado pelo assassinato de mais de três mil pessoas entre os anos de 1994 e 2003. «Calculo que os meus dois grupos assassinaram 3 mil pessoas ou mais. Muitos deles eram atirados ao [rio] Cauca», respondeu ao ser questionado quantas pessoas havia matado.



HH, como ficou conhecido Veloza, também reconheceu que morreram mais inocentes que culpados. «Mas assim é a guerra», afirmou em entrevista ao jornal colombiano El Espectador publicada neste domingo. «Matámos muita gente só pelo facto de que eram apontadas», em referência às pessoas que são identificadas como colaboradores ou simpatizantes das guerrilhas colombianas.



MASSACRES



HH, que foi considerado como um dos mais temidos chefes das paramilitares Autodefesas Unidas de Colombia (AUC), disse ter utilizado a “decapitação” para aterrorizar as comunidades. «Quando chegamos a Urabá decapitámos muita gente, era uma estratégia para promover o terror, para que tivessem mais medo de nós do que da guerrilha».



O paramilitar ingressou no controverso programa de desmobilização encabeçado pelo governo de Álvaro Uribe, mas perdeu a sua condição de “desmobilizado” quando fugiu e teria reingressado nos cartéis armados. Agora, encontra­‑se preso e aguarda o andamento do seu processo de extradição para os Estados Unidos para ali ser julgado pelo crime de narcotráfico.



O ex-chefe paramilitar revelou também que o grupo actuava em cumplicidade com as autoridades locais para promover os assassinatos. «Em Urabá, quando começámos, deixávamos os corpos onde as pessoas eram mortas», relata. «Depois de um tempo, o poder público começou a pressionar e (disseram) que nos deixariam continuar a trabalhar, mas tínhamos que fazer desaparecer as pessoas. Assim, começaram a surgir as fossas comuns», afirmou.



«Assassinávamos pessoas todos os dias, em todos os municípios de Urabá», acrescentou. Foram nestes mesmos departamentos (estados) de Córdoba e Urabá que se constituíram em 1998, sob o auspício do Estado colombiano, as AUC com o objectivo de combater as guerrilhas FARC e ELN.



PARAPOLÍTICA



Na entrevista, HH confirmou as ligações de políticos, militares e polícias colombianos com os paramilitares ao afirmar que «os políticos utilizaram as Autodefesas para alcançar os seus objetivos». «Fazem qualquer coisa para chegar ao poder. Procuravam­‑nos para que os apoiássemos, sabendo que éramos ilegais», afirmou.



Mais de 60 congressistas da base governista de Álvaro Uribe estão a ser investigados pela Corte Suprema de Justiça e pelo Ministério Público colombiano por vínculos com paramilitares. Deste grupo de parlamentares, 30 já foram condenados e estão na cadeia.



O escândalo da parapolítica ocorre a meio de uma tentativa de reforma do Judiciário que visa implementar a “imunidade parlamentar” na actual legislatura, facto que na opinião de analistas poderia coibir o julgamento de outros envolvidos com paramilitares.



Ainda na entrevista, o ex-chefe paramilitar HH afirmou que, com a sua extradição e a de outros chefes da extrema­‑direita armada para os Estados Unidos, as vítimas «ficarão sem as verdades». «Uma guerra tão longa e tão atroz não se conta em um mês ou dois meses. Há gente que diz que a verdade não está a ser contada», disse. HH revelou que «há muitos militares que estão incomodados» em referência às possíveis declarações dos ex­‑chefes paramilitares que estão presos.

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