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Subject: O crime


Author:
Paz para a Colombia
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Date Posted: 15/03/08 11:44:54
In reply to: Paz para a Colombia 's message, "O crime" on 15/03/08 11:43:17

Quando foi assassinado, Raul Reyes estava a negociar

"Representantes do presidente Sarkozy que negociavam com Raul Reyes a libertação de prisioneiros em poder das FARC-EP, entre eles a de Ingrid Betancourt, foram avisados horas antes, por um membro do governo de Álvaro Uribe para não se reunirem com Raul Reyes nas próximas horas. Uribe estava a par das negociações e tinha dado garantias para que negociassem a libertação dos reféns. Apenas Washington apoiou o presidente colombiano."

Luís Bruschtein - 15.03.08

Num aumento vertiginoso da tensão da crise desencadeada pela invasão de militares colombianos de território equatoriano, o Equador rompeu relações com o seu vizinho e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, convocou uma reunião especial do Conselho Permanente [N. do T.: A Colômbia, que pediu desculpas ao Equador não foi condenada, mas condenou-se a invasão do território equatoriano] Entre anúncios de mobilização de tropas venezuelanas e equatorianas para a fronteira com a Colômbia, o governo deste país disse que não mobilizará as suas forças – que de qualquer modo já estão disseminadas [N. do T.: ver mapa da Colômbia, onde a azul estão as zonas onde há actividade das FARC-EP] por todo o território – mas lançou um duro ataque aos presidentes da Venezuela e equador por «conivência» com a guerrilha das FARC. Ao presidente colombiano, Álvaro Uribe caiu-lhe em cima uma enxurrada de críticas dos governos de todo o mundo por ter violado a soberania territorial equatoriana, ao mesmo tempo que faziam um apelo «à prudência» e ao diálogo. Entre as críticas, uma das mais forte veio do governo de França que, pela boca do ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, lamentou a morte do chefe guerrilheiro Raul Reyes, o número dois das FARC, e revelou que desde há vários meses estavam a negociar com ele a libertação de Ingrid Betancourt.

A forte reacção da França, cujo governo manifestou abertamente o seu mal-estar com Uribe, pôs em evidência alguns aspectos do contexto em que se deu a operação militar na zona equatoriana de Santa Rosa, a dois quilómetros da fronteira com a Colômbia, onde helicópteros artilhados reduziram a pó um acampamento das FARC, matando 20 guerrilheiros entre os que se encontravam com Raul Reyes.

De forma silenciosa, ainda que em total acordo com Uribe, o presidente Sarkozy tinha três enviados pessoais na Colômbia, desde o mês de Outubro passado, numa trabalhosa negociação com Reyes para obter a libertação da franco-colombiana e ex candidata presidencial Ingrid Betancourt. Os três negociadores franceses estavam instalados em zona próxima ao local onde se deu o ataque. No mês passado, outro enviado pessoal de Sarkozy tinha tido uma reunião com o Comissário para a Paz, Luís Carlos Restrepo, que é membro do governo de Uribe. Ao que parece, sábado [dia 1 de Março], os três negociadores encontravam-se a 200 quilómetros da zona do ataque e dirigiam-se para uma reunião com Reyes quando receberam uma chamada de Restrepo. O Comissário para a Paz advertiu-os que nas próximas horas não se aproximassem do ponto de encontro.

Em França acredita-se que há uma linha negociadora e uma outra dura no governo de Uribe. Restrepo encarnaria a ala negociadora e os sectores relacionados com as forças armadas e de segurança representariam a ala dura, que teria tido mais peso para decidir o ataque. Para além das análises políticas, os franceses não podem ocultar a sua indignação porque Uribe estava a par da negociação e tinha oferecido garantias de que não actuaria militarmente enquanto esta decorressem. Para França, a morte de Reyes no contexto da negociação, implica um obstáculo muito difícil tornear a médio prazo e responsabiliza directamente Uribe por esta situação.

Com mais ou menos ênfase, todas as expressões internacionais foram e repúdio pela intervenção militar ordenada por Uribe. O leque de posições foram desde a dureza do presidente venezuelano Hugo Chávez, que o acusou de «assassino», e «mafioso», até às do mandatário do Peru, Alan Garcia, que apelou ao diálogo, mas esclareceu que não podia deixar de criticar a violação da soberania territorial equatoriana. O único apoio franco no fórum mundial veio do governo norte-americano. Primeiro foi o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Gordon Johndroe, que expressou a sua surpresa «pela reacção estranha do Presidente Chávez». E mais tarde, uma declaração oficial do departamento de Estado que dizia: «Apoiamos o governo da Colômbia no seu combate contra organizações terroristas que ameaçam a estabilidade e a democracia».

O apoio da administração norte-americana, que foi uma excepção entre as reacções mundiais, entendeu-se melhor quando pouco depois o director nacional da polícia colombiana, general Óscar Naranjo, revelou numa conferência de imprensa que conseguiram a localização de Reyes por uma informação fornecida pela CIA. Segundo Naranjo, a agência norte-americana tinha detectado um telefone celular que Reyes usava esporadicamente. Sublinhou ainda que a informação foi entregue ás forças colombianas uns dez dias antes do dia 1 de Março. Confirmava assim que a operação levou vários dias a preparar, enquanto, inclusivamente, se desenvolviam as negociações dos franceses com as FARC e não se tratou de uma reacção defensiva, como argumentou o governo num primeiro momento.

Nesse mar de contradições, o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, expressava a sua surpresa pela «mudança» nas reacções de Rafael Correa. Disse que sábado [dia 1 de Março] Uribe explicou a Correa o sucedido e que o mandatário equatoriano tinha reagido de forma tranquila, pedindo-lhe apenas que apresentasse desculpas. «Mas no domingo, perante as declarações do presidente Chávez, Rafael Correa mudou». Sábado Uribe tinha dito a Rafael Correa que tinha sido uma reacção defensiva e que os seus soldados tinham entrado involuntariamente em território equatoriano, perseguindo os guerrilheiros que os tinham atacado. Domingo, Correa inteirou-se que os guerrilheiros estavam a dormir quando o acampamento foi bombardeado, e depois de breves consultas com outros governos chegou à conclusão que o ataque ao acampamento estava a ser planificado há vários dias. Uribe mentiu e ocultou durante todo esse tempo que preparava uma incursão em território do Equador. À fúria de Correa pela violação do território juntou-se a mentira do mandatário vizinho.

Em pouco mais de uma hora, o governo colombiano virou a sua posição de pedido de desculpas para passar a um feroz ataque contra Correa e Chávez, acusando-os de «conivência» com a guerrilha. O general Naranjo apresentou aos jornalistas um arquivo da memória dos três computadores que encontraram com Raul Reyes. Primeiro referiu-se a um correio electrónico enviado por Reyes ao secretariado das FARC – do qual fazia parte – onde dava conta de uma reunião com o ministro da Segurança equatoriano, Gustavo Larrea, em que se tinha tratado a situação dos reféns, bem como detalhes da negociação que as FARC mantinham.

Depois de ler parágrafos do documento, Naranjo insistiu em que Quito devia responder à Colômbia e ao mundo sobre «qual é o estado das relações do governo equatoriano com um grupo terrorista como as FARC, por que razão se deram entrevistas e contactos pessoais com Raul Reyes em território equatoriano ou colombiano». Depois foi Santos, o ministro da Defesa, quem acusou directamente o governo equatoriano de conivência com a guerrilha. Em declarações feitas no Equador, Larrea reconheceu que se tinha reunido em Janeiro com Reyes, «fora do Equador e da Colômbia» e que se falou exclusivamente da libertação dos reféns «como parte de um esforço que também outros países estavam a fazer.

Depois das declarações de Santos, Rafael Correa decidiu romper relações diplomáticas com a Colômbia, solicitar apoio internacional e enviou 3.600 soldados para a zona fronteiriça.

Em Bogotá, Santos e Naranjo continuaram a espremer os computadores para tirar sumo. Denunciaram que outra mensagem demonstrava que Chávez tinha doado 300 milhões de dólares à guerrilha colombiana. E finalmente, disseram que num outro arquivo, Raul Reyes dava conta que a guerrilha tinha comprado 50 quilogramas de urânio de material nuclear para desenvolver bombas sujas.

Entretanto, as chancelarias sul-americanas desenvolviam uma actividade febril. O presidente Lula da Silva do Brasil e a presidenta Cristina Kirchner falaram, cada um por seu lado, com Uribe e Correa. Os dois governos condenaram a violação territorial realizada na Colômbia, mas faziam esforços para evitar uma escalada de agressões que pudesse derivar num confronto bélico. Rafael Correa tinha solicitado uma reunião urgente da OEA para discutir a crise, mas os Estados Unidos trataram de dilatar a convocatória. Finalmente as chancelarias sul-americanas, sobretudo as da Argentina, Brasil e Chile conseguiram que Insulza [Nota do T.: Presidente da OEA]. À Colômbia será difícil insistir hoje com a sua denúncia dos contactos do equador e da Venezuela com a guerrilha, porque muitos governos participaram também nas negociações, tais como o francês, o espanhol e o suíço. E também não tem apoio na região a tese inspirada pelo presidente Bush de que a guerra contra o terrorismo não tem fronteiras nem leis. Além disso, Uribe chegará á reunião da OEA com maus antecedentes, porque também enganou muitos dos governos que ali estarão.
A azul são as zonas onde há actividade da guerrilha.
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