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Subject: Re: Combustíveis e luta de classes ou o ABC da crise


Author:
Guilherme da Fonseca-Statter
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Date Posted: 28/05/08 19:48:29
In reply to: Fernando Penim Redondo 's message, "Combustíveis e luta de classes" on 28/05/08 15:46:27

É sempre interessante constatar que algumas pessoas de bom senso sempre acabam por começar a "pôr o dedo na ferida". Ontem tive ocasião de ouvir um sr. jurista muito bem cotado na nossa praça (José Miguel Júdice) e creio que insuspeito de "marxismo" - e a propósito da "crise" - a dizer esta coisa espantosa: "Se calhar, afinal o Marx tinha razão"... Julgo não me enganar aqui na exactidão da frase.
Por outro lado, no mesmo programa, o sociólogo António Barreto junta-se também àqueles que começam agora a falar de "capital especulativo". Mas sem esclarecer muito bem (ou de todo...) de onde é que vem esse malfadado "capital especulativo". Terá caído dos céus aos trambolhões como castigo divino para os pecados da Humanidade?
O economista "maldito" (de tanta heterodoxia) Gunder Frank, escreveu um dia que não comparava as previsões dos economistas convencionais às previsões dos astrólogos porque isso seria um insulto para os astrólogos... Vem isto a propósito de alguns economistas e sociólogos marxistas andarem há muitos anos a prever esta crise. Utilizando para isso os rudimentos de análise marxista que se aprenderiam (quando se quisesse aprender, claro) num qualquer hipotético primeiro ano de "Economia Política" (coisa pecaminosa e que convém não ensinar... É, nisto estamos ainda num período pré-Copérnico). Os outros economistas, os tais da escola neoclássica do nosso (salvo seja...) neoliberalismo, ou riam ou ignoravam esses "profetas da desgraça". E, claro, faziam outras previsões. As tais, dos astrólogos...
Mas, manda a verdade que se diga que nem seria preciso recorrer ao marxismo para perceber minimamente o que está a acontecer. Bastavam os ensinamentos de Keynes. Mas esse, como disse um dia o sr. Stigliz. "deve andar às voltas no túmulo".
O marxismo explica a coisa apenas de forma directa, mais abrangente e sem necessidade de recorrer a algumas das "engenhosidades analíticas" do keynesianismo.

Então é assim:
(1) Em qualquer fase histórica do processo capitalista de produção e acumulação há sempre produção de valor excedente (vulgo, "mais-valia")
(2) Esse valor excedente é, por definição, apropriado pelos detentores do Capital (alguns até são também trabalhadores...).
(3) Parte desse valor excedente vai para impostos, outra parte vai para consumo (mais ou menos ostentatório) das classes ou grupos "detentores do Capital"; incluem-se aqui as "doações" a Fundações e outras benfeitorias do mecenato institucional. Outra parte, finalmente, é suposta ir para renovação e/ou investimento em novas aplicações (por sua vez também reprodutivas).
E é aqui, nesta terceira categoria de destinos do valor excedente, que "a porca começa a torcer o rabo".
(4) Uma das manifestações da lei da tendência decrescente da taxa de lucro é justamente o "encolher das fronteiras" ou o "esgotamento progressivo das oportunidades de investimento".
(5) Com o aumento (cada vez maior e mais expressivo) da produtividade social total, o montante do valor excedente agregado total tende a continuar a aumentar.
(6) Cabe então perguntar para onde é que vai esse " valor excedente agregado total" que vai aumentando todos os anos?
Esta é a pergunta chave e crucial que todos deviam ser capazes de perguntar.
No jargão do show-biz americano é aquilo a que eles chamam "one million dollar question". Nesta fase do campeonato deveriam antes dizer "one billion dollar question", mas enfim...
Pois, é muito simples.
Vai ficando por aí a pairar, pelos circuitos electrónicos da Rede SWIFT, pelos circuitos clandestinos da droga e da economia criminal e, facto crucial, sempre em busca de aplicações "financeiras" lucrativas... É o famigerado capital especulativo.
Quando "aterra" nos circuitos da "nossa" economia real (vindo lá da estratosfera dos tais circuitos mais ou menos clandestinos, mais ou menos escondidos) dá origem a movimentos inflacionistas.
Mais dinheiro em busca da mesma quantidade de coisas, bens e serviços.
É assim que se entra nas espirais descendentes da estagnação e recessão económica.
Simples, não é?!
Mas como as coisas simples às vezes são perigosas para os "poderes estabelecidos", vá de arranjar uns bodes expiatórios - muito mais visíveis - como o crescimento da procura por parte de países como a China ou a Índia.

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Subject Author Date
Eu gostei.visitante29/05/08 10:39:30


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