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| Subject: capitalizar | |
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Author: José Mário Branco |
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Date Posted: 4/06/08 19:30:13 Bloco tenta capitalizar à esquerda do PS José Mário Branco Mudar de Vida A ocupação do espaço político da direita pelo neoliberalismo da linha “blairista” de Sócrates – com mais eficácia do que os governos PSD/CDS – tem vindo a desenvolver dois fenómenos no espectro político parlamentar: a paralisia política do PSD e do CDS-PP, que ficaram sem nada para fazer a não ser apoiar a escalada anti‑social do governo, por um lado; e, por outro, a desmoralização do eleitorado do PS situado mais à esquerda que – como todos os comentadores, e Soares, e Santana vão avisando – pode vir a ser capitalizado pelo PCP e pelo BE, cada um à sua maneira e com o seu estilo próprios. Agora mesmo, enquanto escrevemos, ouvimos Francisco Louçã, no parlamento, exigir de sua excelência o primeiro‑ministro «sensibilidade social» e «sensatez». Discurso que, nunca trazendo à luz as verdadeiras causas da crise dos pobres na sociedade do lucro, se enquadra perfeitamente nessoutra cartilha “humanista”, “sensata” e defensora de um Estado intervencionista que une, num mesmo projecto reformista, Mário Soares, Manuel Alegre, Ana Benavente, Helena Roseta e Carlos Brito. Esse projecto de unificação – em que o Bloco de Esquerda espera realizar o seu objectivo de fundo, e que é o de se tornar o parceiro “de esquerda” do PS – está em marcha. Com palavras preocupadas e unitárias, os desencantados do PS estão a ser alvo, às claras, desse chamamento do Bloco. Trata-se, diz o apelo unitário, de «um esforço político consistente para construir uma alternativa à neoliberalização gradual do país conduzida pelo bloco central», que acontece na imediata sequência do ralhete de Mário Soares ao PS governativo, e se concretiza agora numa iniciativa conjunta desse campo reformista: o comício intitulado “Abril e Maio, agora e aqui” (cujo apelo pode ser lido no site do BE em www.esquerda.net), na próxima terça-feira 3 de Junho, no Teatro da Trindade (Lisboa). Ao mesmo tempo que o PS-Governo se recusa a comentar a participação de Manuel Alegre no comício, este explica‑se dizendo que «é preciso somar a esquerda à esquerda». Tem-se falado muito da “recomposição da direita”. Mas a recomposição da esquerda promete. Nós diríamos que se perfila uma linha de “responsabilidade” (que é gerir o capitalismo prestando atenção ao perigo dos exageros), de “exigência” (que é gerir o capitalismo com mais rigor quanto aos lucros desmedidos e ao que chamam as regras do sistema) e de “esperança” (que é reabilitar o sistema de ilusões e enganos que são o serviço de protecção civil do capitalismo). Por trás de um discurso de esquerda, mas não anticapitalista, o que esses gestores da esquerda reformista querem mesmo é gerir o capitalismo em novos moldes. É essa a sua ambição de classe. [ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ] |