VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 1[2]34 ]


[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

Date Posted: 08:49:23 03/26/11 Sat
Author: Silveira/Pel
Subject: Miss SC

Não vi pessoalmente o Miss Santa Catarina, nem qualquer vídeo mais completo sobre o seu desenrolar. Do pouco a que tive a oportunidade de assistir, deu para constatar que é um concurso que conseguiu reunir um bom número de belas candidatas, e que as três primeiras colocadas, além, talvez, da representante de Concórdia, têm boas condições de representar o seu estado em qualquer dos certames de Miss Brasil.

Não vou me prender em considerações quanto ao desentendimento havido entre missólogo do Oeste catarinense e a organização do concurso estadual, porque me faltam elementos para uma convicção a respeito. Vou, no entanto, tecer alguns outros comentários baseado em auspiciosas informações que me chegaram através dos voys verde e azul.

Uma dessas diz que o critério usado pela comissão julgadora para a escolha da vitoriosa não teria sido o de notas, mas o do voto uninominal de cada membro do júri em sua candidata favorita. Se assim foi, mais uma vez cumprimento a organização do concurso pela opção adotada, que viabiliza uma escolha limpa e realmente democrática da candidata que reúne a preferência do maior número de jurados. Ao contrário deste, o sistema de notas pode abrir caminho a trambiques de membros do júri eventualmente mal intencionados, comprometidos com a escolha de uma candidata que não reúna o favoritismo da maioria, e que podem prejudicar sua vitória, atribuindo-lhe notas bem baixas que a impedirão de obter o número maior de pontos e, consequentemente, a vitória. Pelo sistema de voto direto, poderá até haver uma má escolha, mas ela terá sempre a legitimidade de representar a preferência da maioria dos membros do comissão julgadora. O máximo que poderá haver aí é incompetência desta, o que já é uma outra história, mas não será o resultado da conduta desonesta de uma minoria de seus membros, impondo-se indevidamente sobre o pronunciamento majoritário de metade mais um de seus integrantes.

As outras considerações que vou fazer serão a respeito da entrevista com as finalistas, a partir da matéria de JG/ES sobre o Miss SC, veiculada pelo voy azul. Antes quero dizer que gostei muito deste seu relato, que me pareceu lúcido, equilibrado nos elogios e nas críticas, sem aquele tipo de espinafração achincalhante ou destrutiva. Vou tão somente comentar informações suas a respeito da entrevista, sem qualquer propósito de crítica ao que escreveu, mas, a partir daí, principalmente como um elogio a mais à organização desse certame estadual.

JG observou que uma das finalistas, a despeito de sua resposta ser a melhor, mesmo assim ficou em quinto lugar, por serem mais belas as outras quatro selecionadas. Daí, tomo a liberdade de deduzir que a organização do Miss SC, talvez, propositalmente, não tenha dado o costumeiro peso ao conteúdo da resposta a essa única pergunta, embora tenha continuado incluindo no roteiro final do certame essa insensível, incoerente, inadequada, inconsequente, injusta, duvidosa e perversa prática dos certames de beleza de realização dessa mini entrevista, a qual, sempre que continuar sendo utilizada, precisa sê-lo com o mais extremo cuidado.

Digo insensível, porque nos induz a esperarmos demais dessas jovens ainda despreparadas do ponto de vista cultural, assim como emocionalmente frágeis, também pela pouca idade, para terem de responder de improviso a qualquer tipo de pergunta frente a incontáveis ouvintes ou telespectadores, sem falar que suas respostas, a maioria das vezes previsivelmente medíocres, ainda fornecem uma falsa constatação ou comprovação daquela tão propalada "burrice" das misses, portanto, servindo de combustível para justificar as prevenções das feministas, dos repórteres que as seguem e de todos os demais detratores dos concursos de beleza. Quanto a nós, os seus apreciadores, não deveríamos pactuar ingenuamente com esse tipo de coisa.

Considero uma pergunta incoerente quanto aos objetivos a serem alcançados, porque não se está escolhendo uma comunicadora de massa ou uma formadora de opinião, cuja profundidade de respostas politicamente corretas devam servir de guia para o público em geral, mas tão somente e acima de tudo, beldades cuja comunicabilidade, facilidade de expressão, boa dicção, belo timbre de voz podem, sim, serem avaliados nesse contato das finalistas com o público, porém, ainda bem mais profundamente, na entrevista com os jurados, através de mais de uma pergunta, onde elas estarão expostas a menor tensão emocional, e onde se poderá ter uma idéia melhor de seu nível intelectual;

Inadequada, porque a praia de uma miss não era, nem deveria ser jamais o microfone e sim as passarelas e as câmeras dos fotógrafos, dos cinegrafistas, das telas de televisão. Reitero que miss não tem que ser uma comunicadora de massa, nem uma formadora de opinião, ao contrário do que parece que as feministas pretendem das misses, mas não costumam esperar das manequins, nem das modelos fotográficas. Diga-se de passagem que é com estas modelos e manequins que as misses têm suas maiores afinidades, e não com as comunicadoras, em geral. A grande diferença das misses para as manequins, no entanto, está no fato de que, quanto a estas, ninguém está interessado em seu desempenho intelectual ou verbal e ainda podem ganhar milhões ao longo de suas atividades profissionais, ao contrário das misses, no ano apenas em que permanecem como tal. Existe, portanto, dois pesos e duas medidas entre o muito mais que se exige das misses e aquilo que costuma ser cobrado das manequins e modelos profissionais. E nós não deveríamos ficar indiferentes, quando lemos ou ouvimos na imprensa falada ou escrita ironias e deboches contra as misses, enquanto a favor de famosas manequins e modelos fotográficas costuma ser feita toda a sorte de paparicação.

Inconsequente, porque leva as candidatas mais ciosas de sua boa preparação, talvez o caso da Miss Blumenau, pelo que JG escreveu, à decoreba de respostas ao maior número possível e imaginável de perguntas, transformando ainda essas misses, aos olhos dos mais exigentes, em sensuráveis papagaias de respostas mal e mal digeridas, tudo isto, no afã de se sairem o melhor possível nesse momento que parece ser tão decisivo para definir a vencedora de um concurso que não tem porque se envergonhar de ser, acima de tudo, de beleza.

Injusta, porque, por maior que seja o propósito de equidade da organização de um certame de beleza, muito dificilmente esta conseguirá formular cinco perguntas de igual grau de dificuldade, para serem sorteadas a cada finalista, até por ser algo muito subjetivo; uma mesma pergunta poderá parecer tão fácil a alguém, quanto difícil a outrem. Tanto é real essa disparidade que, no ponto de vista de JG, a pergunta que foi sorteada para a Miss Blumenau seria mais fácil de ser respondida com fluência do que a formulada à representante de Itajaí, o que até poderia ter favorecido a candidata vencedora.

Pergunta de resultados duvidosos, porque a boa ou má performance de uma candidata na resposta a essa única pergunta significa uma amostragem muito precária de suas potencialidades intelectuais, porque muito bem pode se embasar em fatores casuais, desde que lhe tenha sido feita uma pergunta de assunto, para ela, ou muito familiar ou desconhecido. Seu bom ou mau desempenho, portanto, é um indicativo de pouco peso para se aquilatar seu real preparo cultural e até sua facilidade de expressão. Sem falar que ela também pode ter sido influenciada por seu estado emocional, naquele curto momento. E só este último fator pode explicar o medíocre desempenho de Priscila Meireles no Miss Brasil Universo a uma pergunta fácil, porque de caráter pessoal, justamente para alguém como Priscila, cujo preparo intelectual para uma jovem de sua idade era indubitável, tendo-se em vista já ter ultrapassado com êxito a dificílima barreira de um vestibular de medicina. Esta mesma Priscila, no entanto, já deve ter se saído muito bem na resposta à pergunta que lhe foi formulada no Miss Terra, por ela vencido. Vejam o absurdo, se ela foi prejudicada naquele Miss Brasil Universo apenas pela má qualidade dessa sua única resposta. Por outro lado, Aryane Colombo, considerada brilhante em sua resposta no mesmo certame nacional, pelo que me consta, não se saiu bem nesse quesito, no Miss Internacional. Tanto Priscila, como Ariane, portanto, são provas mais do que eloquentes do caráter duvidoso e relativo da resposta a essa única pergunta, que tanto pode ser brilhante, como comprometedora, para uma mesma candidata, em função das variáveis momentâneas e dominantes que a tiverem envolvido, por ocasião de sua resposta.

Finalmente, perversa, porque possibilita que, em decorrência dessa pergunta, e não interessa a razão da péssima resposta, nem se foi ela balbuciante ou sem qualquer sentido, que candidatas sejam lançadas ao ridículo e tenham aquele seu minuto infeliz jogado aos quatro ventos para, volta e meia, ainda servir de escárnio, tanto aos apreciadores, como aos detratores dos concursos de beleza em geral. É o caso, por exemplo, daquela bela finalista de um Miss Paraná, cuja imagem ficará estigmatizada para sempre, por aquela sua má resposta. As organizações dos certames de beleza precisam fazer de tudo a seu alcance para evitar esse tipo de situação, a tais jovens que ainda se dispõem a participar de um certame de beleza.

O Miss Santa Catarina pode até ter tido lá as suas falhas, não sei, mas por ter adotado o voto uninominal de cada jurado em sua candidata preferida e por ter pouco valorizado o teor da resposta das finalistas a essa única pergunta, dá claros sinais de que esse emperrado mundo miss, que há décadas vive atolado na mesmisse de práticas rotineiras, burras e ineficazes, sem sequer questionar a sua validade e eficácia, finalmente começa a deixá-las de lado em busca de maior eficiência e credibilidade. Aplausos, portanto, à organização do Miss Santa Catarina, que ainda logrou seu objetivo maior, o de eleger uma das grandes favoritas ao próximo Miss Brasil.


Que fique muito claro, não estou pretendendo que suprimam esse contato verbal do apresentador do concurso com as cinco finalistas, este que é também o contato mais próximo dos espectadores do concurso com as cinco ainda aspirantes ao título máximo. Tudo o que desejo é que este momento da entrevista, que tem tido razões para ser esperado pelas candidatas com a mais justificável, ainda que bem disfarçada apreensão, possa ser vivido por estas cinco vitoriosas sobreviventes como um momento pleno de alegria e de descontração. Que, nesta oportunidade, elas possam se expressar de forma mais leve, mais solta, mais descontraída, através da qual também nós possamos continuar avaliando a comunicabilidade, a facilidade de expressão, o timbre de voz, a dicção de cada finalista, sem que sobre elas pese essa espada de Dâmocles de uma pergunta de teor totalmente desconhecido, sobre qualquer assunto e que elas ainda terão de responder de improviso, sob intensa pressão emocional. E para que este propósito seja atingido, existem inúmeras variáveis, que eu estou longe de pretender esgotá-las.

Acho que o melhor de tudo não seriam perguntas, nesse momento. Lembro-me que no Miss Internacional de que Vera Braunner participou, que todas as finalistas (não tenho certeza se só estas) precisavam fazer um pequeno discurso, sobre o qual todas as candidatas tinham prévio conhecimento e até podiam levá-lo decorado. Parece-me que esta fórmula foi por muito tempo usada no Miss Universo, até talvez o surgimento das feministas, às quais as organizações dos concursos resolveram dar ouvidos. Dirão essas que, por esse "speach", as candidatas transformam-se em papagaios repetidores de um texto que pode nem ter sido elaborado por elas. Mas é uma fórmula que não é traumática, e através da qual a candidata mostra igualmente a sua desenvoltura e tudo o mais, em termos de comunicabilidade, que se deve esperar de uma miss. Sem falar que as organizações dos concursos podem previamente propor um determinado tema para que seja desenvolvido por elas, em tantos minutos, na hipótese de chegarem às finalistas, tema este que tanto pode ser considerações gerais ou específicas sobre seu país, sobre seu estado ou cidade, de acordo com o nível do certame, ou sobre assuntos palpitantes que galvanizem a opinião pública mundial ou nacional ou municipal. Ou podem propor um ou mais temas para que elas os preparem devida e previamente, sobre os quais seja proposta, aí sim, uma pergunta a cada uma das finalistas, cuja resposta seja o mais fácil de explanar. Tudo isto, sem diminuir a importância da entrevista dos jurados com todas as candidatas, onde, aí sim, o contato com as candidatas pode ser bem mais profundo.

Uma outra alternativa foi a do Miss Brasil vencido por Gislaine Ferreira, onde a organização do concurso forneceu as perguntas previamente às candidatas, antes da entrevista ser realizada. Isto foi criticadíssimo, como se uma desonestidade tivesse sido cometida, como se estivessem querendo nos ludibriar. Não vejo a coisa por este prisma. Como professor universitário, jamais fui para uma aula ou a uma palestra sem ter a matéria específica a ser desenvolvida o mais possível preparada, para que estivesse o mais apto a responder a toda a sorte de perguntas em torno daquele assunto. Por que a essas jovens e inexperientes misses é que se pode esperar e até exigir que elas estejam aptas a responder, e ainda de improviso, sobre todo e qualquer tipo de assunto, desde os pessoais, os existenciais, os políticos, sociais, ambientais, os culturais, e mais ainda, perante centenas de pessoas desconhecidas e milhões de telespectadores? E mais uma coisa. A cada início deste bate bola com as finalistas, o condutor do certame devia deixar muito claro que o objetivo daquele contato verbal não tinha por escopo mensurar o grau de preparo intelectual ou cultural das candidatas, até porque elas ainda terão uma vida inteira pela frente para o aprimoramento destes dotes, mas que, já conhecendo a comissão julgadora cada candidata através de uma entrevista muito mais alentada, que o presente momento tem por objetivo possibilitar que todos os seguidores do concurso tenham uma idéia do grau de comunicabilidade, de facilidade de expressão, de desenvoltura, do timbre de voz, da dicção de cada uma das finalistas. Acho que isto colocaria finalmente os pingos nos iis, para a comissão julgadora e para todos os que acompanham o concurso.

Acho que é mais do que hora das organizações dos certames de beleza, em todos os seus níveis, conscientizarem-se de que devem fazer tudo o que lhes for possível para preservar a imagem dessas jovens inexperiente, ainda pouco preparadas no terreno cultural e que se dispõem a participar de um certame de beleza, evitando práticas que contribuam para corroborar o preconceito que costuma pesar sobre estas misses . Elas merecem a nossa admiração, o nosso respeito e que suas imagens sejam de todos os modos resguardadas... E só assim os concursos de beleza também estarão se dando o devido o respeito, perante a opinião pública mundial.

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]

[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT-8
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.