| Subject: "Eu amo-te" |
Author:
Adro Crow
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Date Posted: 16:44:53 07/21/01 Sat
Sentada num banco de jardim, plantado naquele lugar entre algumas arvore como se ele mesmo se trata-se de uma, pensava. No que? Em nada! Olhando o horizonte, onde o verde da relva acabava e começava o azul do céu, formando uma mística linha de cor indefinida, deixava-se estar, ali, onde nada acontecia... onde nada era a palavra chave!
Com a mão esquerda acariciava o banco, uma madeira velha que se fala-se teria muito para contar, desde o sol que enraiva em si, da lua que iluminava as noites que os casais, ali sentados, faziam juras de amor eternas, até a chuva que cai-a sobre ele escorrendo por entre as ranhuras, feitas por um punhal qualquer, de alguém que cravará ali “eu amo-te”! Pensou (e ai deixou de pensar em nada), pensou que aquela exclamação era para ela! Que alguém no mundo a amava, que viera até ali cravar os seus sentimentos, num mero banco de jardim, que esse mesmo alguém também contemplou a paisagem, que esse alguém também ouviu a historia que o banco tinha para contar! “eu amo-te” não seria um pouco insano escrever num lugar tais palavras, sem se identificar? Mas afinal quem és? E que é que tu amas? E porque ali naquele jardim? Não é mais fácil dizer isso olhando nos olhos? Encostando dois corpos ardentes, duas bocas flamejantes, e momentos antes do beijo prenunciar essa exclamação?
Mas ela sabia que isso era impossível na sua realidade, deixando o banco de jardim, ela sabia que ninguém a amava como ela desejava, que ela por mais que ama-se alguém, nunca teria esse alguém! Sim ela já tinha amado! Esse verbo, Amor, não soa bem no passado, porque quem ama, ama para sempre, esse amor pode até diminuir, mudar de nome, mas ele existe sempre.............existe sempre no coração! No coração? Não, errado! O coração é apenas um órgão cheio de músculos que serve para bombear o sangue, ele não sente! Então o que é que sente? O Cérbero? A alma? É muito mais fácil quando não se questiona, a essência da sabedoria popular! Sabedoria? É sábio alguém que diz que o amor é cego? Enquanto o amor, é um verbo, um sinónimo..... enquanto é gramática, enquanto é algo abstracto? Vermelho é a cor do amor!? Mas o amor tem cor? O amor dela era negro, como tudo na sua vida! Alias tudo era a preto e branco, as cores não tinham importância! A relva não era verde era cinzenta, e o céu um cinzento um pouco mais claro, o banco de jardim não era castanho mas cinzento escuro, e as suas roupas continuavam a ser negras! As cores não tinham interesse porque quando ela se levanta-se dali, o mundo seria o mesmo de quando se sentou, para descansar. Seria na mesma um mundo triste em que as cores não passam dum mero refugio para esconder o que lhes vai no coração! Qual o gozo de parecer palhaços? Usar todas as cores numa só blusa? Para mostrar a felicidade interior? Desculpem se estiver errada mas não seria mais fácil esboçar um sorriso quando assim é?
Mais uma vez ela pensou, naquelas palavras, mais uma vez ela tocou com a ponta dos dedos no banco! E mais uma vez ela teve um desejo incontrolavem de fazer parte daquela historia!
Um vento forte começara a agitar-lhe o cabelo, uma brisa morna sussurrava-lhe ao ouvido o seu nome.... que não soava a nada, era filha do silencio! Sentia o peso de uma mão sobre o seus ombros, um peso acolhedor, estranho mas acolhedor! O vento? A brisa? O que? Moveu o seu rosto procurando a razão. Não era o vento, não era a brisa, era um homem, de fraca figura! Sentou-se ao lado dela, (calmamente como se tive-se uma eternidade para terminar aquele ritual) deixando no meio a inscrição feita por alguém! Ela admirou-o em silencio, tudo a preto e branco (ok! e cinzento)! Mais uma vez errado! Os olhos, os olhos dele eram de um azul tão belo, como ela nunca tinha visto antes! Em poucos segundos tentou igualar aquela cor com algo.......... lembrou-se do céu, do mar........ mas assim deixava de ser tudo a preto e branco, mas que importava, ela estava junto a um homem lindo, que lhe tinha tocado, que tinha vindo com o vento! Seria um deus? Sim sem duvida!
Os seus corpos humanamente desgraçados, começaram a aquecer, os lábios a aproximaram-se, ela pode mergulhar no azul dos seus olhos, pode voar no azul dos seus olhos, voando, nadando! Para onde? Sei lá!
Deu-se uma luta, uma corrida entre duas bocas, corriam uma para a outra, uma marcha infernal, sem fim, cansativa! Os lábios dele mexeram-se libertando uma melodia....“eu amo-te”, beijaram-se! Uma viagem louca começou, o arco íris espalhou-se dando cor ao jardim, tudo o que ela sonhara, acontecerá! A inscrição tinha sido realmente feita para ela, afinal ela era a personagem principal daquela historia! Afinal o coração sente, e não é cego, tem olhos azuis como o do seu amado! Afinal ela amou, e voltará a amar, afinal alguém existia no mundo que a amava! Tudo estava perfeito............ a noite caiu......e a lua iluminou-os nas juras de amor eterno que proferiram!
Adro Crow
21-jul-01
12.40am
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