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Subject: Divine Tragedy


Author:
Ishaan Von Asgard (Eschatologikal Whispers)
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Date Posted: 13:57:12 12/07/01 Fri



E se a vida se perdesse ?
Sentiria no corpo o peso das tuas mãos noutros corpos.
O vazio dos livros de histórias de castelos perdidos. O erotismo de seres semi-divinos apagar-se-ia, para sempre.

Arrastando o velho corpo pelo deserto tempo irrespirável.
Dizes : " És um livro de frases inacabadas".
Como posso eu não acabar, sem ter a certeza de ter começado algo. As palavras não se antecipam.
Porque é que me arranham e não sinto o calor do papel na pele?

Mas o tempo não se move, porque a tua morte não me aceitou.
Não consigo ouvir nem um gemido do silêncio. Resta-me o calor de vozes perdidas. E perdidas novamente.
O teu corpo está morto, e mais uma vez, extinguiu o meu.
Dantes, pensava em ti como um espelho que reflectia a minha imagem.
Hoje, sujo de tinta as imagens que me perseguem, como se tivesse tempo de sobra.
O futuro tem espinhos de rosas secas cravado nos pulsos. E as gotas de sangue, ilustram tapetes de veludo onde nos perdemos num caótico eterno retorno de desejos.

Não, não estou a enlouquecer.
Sinto-me apenas mordida pela serpente que se cravou no meu ventre enquanto dormia. Ou tentava dormir.
No tecto vejo as estrelas decadentes revolverem-se com as formas desarticuladas do teu rosto.
Tenho dificuldade em separar-te dos orgasmos floridos de maldade que se ocultam nos caminhos a escolher.

Não sei se te posso continuar a desvendar isto. Seria como abrir-te a porta que dá para o outro lado.
Onde mulheres se beijam em êxtase, e homens deliciam-se com néctares bizarros.
A força dionisíaca reside Para Além do Bem e do Mal.
Por detrás das árvores de fruto sente-se o prazer da orgia divina.
Procuro o teu olhar em cada ser e o teu sabor em cada gota de vinho.
Queres entrar?


Há mais insónias que prazeres.


Tenho medo. Medo de saber o porquê desse medo.
Tento separar o teu nome das palavras.
É mais uma forma de sentir a dor rasgar-me o espírito. Apenas mais uma. Como se de um ritual se tratasse.
Ouço músicas bárbaras ecoarem dentro do teu corpo.
Tento aproximar-me para ouvi-las melhor.
Mas caio. Caio por entre os espaços que vão de uma ilusão a outra.
A fera devora-me os dedos.
As frases começam, agora, a ficar inacabadas.

Gostava de, por instantes, regressar mesmo antes de partir.
Enviar-te-ei todas as anotações da minha morte, escritas a carvão.
Se soubesse escrever histórias, inventava-te uma. Talvez nela existisse um castelo perdido. Ou seres semi-divinos.

Á medida que me separo de mim, sinto o vento nas costas.
Quase que me arrepio. Os momentos que te evocam começam agora a passar diante de mim.
São visíveis as dedadas no televisor. É preciso silêncio. O filme vai continuar dentro de minutos.

Nem sequer um abutre se aproxima para debicar a minha alma, esfarrapada de aspectos que rejeitam a vida.
Matéria perdida na revolucionária evolução do tempo.
O fogo incendeia-me o cabelo.
Alastra-se à medida que danço nos anéis.

Se falares, poderei sempre ouvir-te.
Mesmo que a febre me continue a aniquilar os pensamentos.
Os olhos ardem-me.
Pensei em chorar, mas em vez disso, abri a porta e fechei-me lá dentro.
Sinto o trágico penetrar o divino. Perdem-se as formas e tornam-se num só.

Talvez este tempo ainda nem tenha existido, e estas palavras não tenham qualquer ligação entre si.
No fundo, não vale a pena estar triste.
Porque todas as vidas, mais tarde ou mais cedo, acabam por se perder.

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