| Subject: O meu filho |
Author:
Adro Crow
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Date Posted: 14:34:52 02/17/02 Sun
Caminho num corredor infinito.
As paredes brancas, não cinzentas,
Dos lados portais góticos
Lado a lado, continuamente
Desaparecem mergulhando na linha do horizonte,
Essas mesmas paredes estão decoradas freneticamente
Com retratos de pessoas,
Todas já passaram por mim
Amigos, amores, até desconhecidos!
Todos me olham aterrorizados
Enquanto eu corro em pânico,
O chão escorrega-me
Cai-o, levanto-me e volto a cair!
Grito por socorro,
As paredes começam a apertar-me!
Socorro...
Os retratos deformados caiem sobre mim!
Acusam-me, condenam-me!
Ao longe vejo o vulto de uma criança
Diz-me adeus,
Nos seus lábios vejo tristeza,
"quem és?" pergunto gritando!
O rapaz enferme diz-me "adeus Mãe!"
Vira-se e desaparece!
Eu corro mais tento alcança-lo
Perdi o meu filho...
Sento-me junto a um dos portais!
Tal como os outros estava trancado
Olho para cima, o tecto é um espelho!
Vejo-me por ele, o chão parece um rio de sangue!
Sou feia, imperfeita,
O meu filho é lindo, perfeito!
Impossível?!...
Levanto-me continuo num passo calmo!
Mais a frente encontro umas setas em néon...
Sigo as setas confiante!
Finalmente cheguei ao fim do corredor!
Uma grande porta negra, talhada a ouro!
Rodo a maçaneta...está aberta!
Do outro lado um quarto de criança...
Vejo um berço!
O meu instinto maternal puxa-me!
Espreito o berço ...é um precipício....
Onde está o meu filho?
Do meu olhar escuro
Cai uma gota de agua falsa!
Desce pela minha cara
E suicida-se para aquele abismo.
Não oiço a sua morte!
.........o que fazer?
Atirar-me e esperar existir um outro lado?
Ou sentar-me ali e esperar?
Esperar pelo meu filho?
Alimento-me dos meus sentimentos maculados,
Da minha angustia inconsciente,
E sento-me junto ao berço
Ali ficarei até mesmo a minha morte!
Mas ali ei de abraçar o meu filho!
Um dia ou talvez nunca!
Adro Crow 30-nov-01
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