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Date Posted: 22:05:32 12/25/03 Thu
Author: Daslan Melo Lima
Subject: Aquele dezembro e o sorriso da Miss Mundo - sobre Lúcia Petterle

12/22/03 Mon
"Minha vitória é a contribuição que dou à juventude brasileira. Quero aproveitar o título para divulgar a imagem do Brasil pelo mundo, mostrando que meu país é o melhor lugar da Terra para viver. Dedico o Miss Mundo-71 a meu povo alegre e trabalhador."
Estas foram as primeiras palavras de Maria Lúcia Tavares Petterle aos jornalistas, depois de posar como a nova Miss Mundo ao lado de Miss Reino Unido, Marylin Ann Ward e Miss Portugal, Ana Paula Almeida, respectivamente segundo e terceiro lugares.

Aquele discurso calou fundo em mim, um então jovem cheio de sonhos e ambições, vibrando com o emprego conseguido em importante empresa. Eu me sentia inserido naquele discurso de Lúcia Petterle. Com muito orgulho, eu era uma das pessoas a quem ela tinha dedicado o seu título de Miss Mundo 1971.

O Recife foi a primeira cidade brasileira, fora do eixo Rio-São paulo, a ser colocada no roteiro de visitas da carioca Lúcia Petterle. Ao chegar ao Recife ela fez questão de conhecer logo Gilberto Freyre. Com o famoso autor de "Casa Grande e Senzala" passou uma tarde inteira e dele ganhou um livro que na época ainda não tinha sido lançado no Brasil : "Sociologia da Medicina".

Ao tomar conhecimento que a Miss Mundo iria dar uma tarde de autógrafos em uma das lojas da cadeia "Casas Pernambucanas", na Rua Nova, inventei uma desculpa e faltei ao trabalho para conhecer pessoalmente a mais bela mulher do mundo.
Naquele dezembro , final de 1971, centro do Recife, então terceira maior cidade brasileira, a movimentada e elegante Rua Nova era o mais chique endereço de consumo. E lá entro eu na loja após driblar a multidão e um batalhão de seguranças, fotógrafos, jornalistas e cinegrafistas. Um senhor alto e forte grita que a Miss Mundo não terá condições de conceder autógrafos a cada um e que os fãs deverão se contentar em receber das mãos dela apenas um pequeno poster seu com uma mensagem comercial das "Casas Pernambucanas". Enfrento uma fila e eis-me ali, mudo, extasiado,diante de uma deusa.
Ela me fita como se eu fosse a única pessoa presente naquele barulhento e tumultuado local. Abre um sorriso maravilhoso e me entrega o poster com sua bela foto em lindo preto e branco. Fico paralisado por alguns segundos até um policial pedir para que eu me retirasse, a fim de outra pessoa da fila receber o poster de Lúcia Petterle.

E aí se passaram 30 anos até eu voltar a ficar frente a frente com Lúcia Petterle. Isto se deu em março de 2001, em Caruaru, na festa da eleição da Miss Pernambuco, tendo a deusa como convidada especial para a comissão julgadora. Pedi um autógrafo, tirei foto ao seu lado e falei ligeiramente da minha emoção do passado. E Lúcia Petterle confessa que sente um carinho especial pelo povo pernambucano, uma vez que o Recife foi uma das primeiras cidades a visitar logo após ter sido eleita Miss Mundo. No seu rosto, aquele mesmo sorriso encantador e aquela mesma atenção de 30 anos atrás, como se eu fosso a única pessoa naquele barulhento e tumultuado local de onde Débora Daggy sairia consagrada como Miss Pernambuco 2001.

Naquele dezembro , final de 1971, Lúcia Petterle recusou-se a passar as festas de fim de ano no Vietnam para uma série de aperesentações que faria para os soldados americanos, onde seria atração ao lado do comediante Bob Hope. Em vista da sua recusa, foi proibida de usar o título de Miss Mundo para fins comerciais. As divergências entre a Mecca, empresa promotora do concurso, e Lúcia Petterle tinham chegado a um ponto crítico. A brasileira não queria ficar presa a um contrato rígido que prejudicaria o seu curso de medicina.
E como nada em nossas vidas acontece em vão, se os soldados americanos no Vietnam deixaram de conhecer Lúcia Petterle naquele dezembro de 1971, estava predestinado a um jovem sonhador e à tarde quente do verão recifense conhecer uma Miss Mundo no esplendor de sua juventude e beleza.

Neste dezembro, final de 2003, volto a ler pela enésima vez a mensagem contida naquele mini poster:"Nós fizemos um monte de coisas bacanas para estar mais perto de você; criamos crediário, secção de roupas masculinas, embelezamos todas nossas lojas. Agora trazemos a Miss Mundo para você vê-la de perto. Ela está aqui por sua causa. Linda, linda. O seu sorriso fica de lembrança: guarde-o para você."

E é aquele sorriso, a mais bela e impressionante imagem que ficou daquele distante e mágico final do ano de 1971, que logo mais estarei disponibilizando para vocês, assíduos visitantes desta página, através da colaboração do Dido Borges ou do João Ricardo, a quem enviei e-mail anexando o mini poster , haja vista eu não ter assimilado ainda como inserir fotos neste espaço.

O sorriso de Lúcia Petterle, Miss Mundo 1971, fica de lembrança : guardem-o com vocês como presente de NATAL, assim como eu o guardei com carinho durante este 32 anos.


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Replies:

Oi Daslan ! O sorriso da Miss Mundo também é o sorriso de todos os que leram esta magnífica crônica feita por vc ! Parabéns e aguarde o poster relíquia nas páginas do MBMB ainda hoje ! Um grande abraço e feliz natal ! (NT) -- JOÃO RICARDO, 08:49:58 12/22/03 Mon
Daslan, parabéns pela linda e emocionante cronica! Vou guardar com muito carinho. Um abraço forte! (NT) -- Fernando Bandeira, 00:57:51 12/23/03 Tue
Daslan, parabéns. Esse é o espírito do "missólogo". Um grande cúmplice abraço. (NT) -- Conrado - RJ, 01:19:45 12/24/03 Wed

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