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Date Posted: 16:23:18 03/13/03 Thu
Author: xzy
Subject: entrevista primeiro de janeiro

www.oprimeirodejaneiro.pt
14 de Março de 2003
SETE > Entrevista PESQUISAR
Mind da Gap festejam uma década a defender a cultura hip-hop em Portugal
"Quando começámos, ninguém nos levava a sério"

Os Mind da Gap comemoraram, ontem no Hard Club, dez anos de existência. Ao vivo o trio festejou a data na companhia dos inúmeros seguidores da cultura hip-hop. Para além do último "Suspeitos do costume" podemos recordar temas de "Sem cerimónias", "A verdade" e do longínquo EP homónimo de estreia.

Joana Brandão



Amantes do hip-hop, Ace, Presto e Serial defendem a música que fazem e o movimento recusando os satélites que se pensam estar inerente. Para variar, e ao contrário do que tem acontecido, o SE7E falou com Presto e Serial que nos fizeram o balanço de uma década a fazer hip-hop num País que, só recentemente, aderiu por completo a esta sonoridade.










Qual é o balanço que fazem de 10 anos de carreira e três álbuns editados?



Foram dez anos muito bons. Estamos orgulhosos do caminho que percorremos. Começámos em jeito de brincadeira, juntámo-nos para fazer música, sem planos definidos, nem com perspectivas de tornar isto mais sério e profissional como é agora. Com o passar dos anos temos conseguido manter essa vontade e essa fome de fazer música, como no princípio.










Se um grupo de hip-hop se quiser lançar agora é mais fácil do que quando vocês se iniciaram. Quais foram as maiores dificuldades por que passaram?



Foi difícil porque as pessoas não estavam habituadas a ouvir hip-hop. Quando davamos concertos as pessoas pensavam que estávamos a fazer playblack e ninguém nos levava a sério. Se calhar foi por isso que nós chegamos até aqui. Sinceramente, também não nos preocupávamos muito com isso. Continuamos a fazer o que gostamos e é tudo muito natural.










Hoje em dia há mais abertura e acesso a todos os tipos de música. Naquele tempo vocês estrearam uma nova corrente.



Claro que na altura já ouvíamos hip-hop mas tínhamos que procurar a música. Sempre que íamos a Londres trazíamos um carregamento da música que tinha saído naquele ano. Por cá, havia um grupinho de pessoas com quem trocávamos discos e íamo-nos "alimentando" uns com os outros. Aos poucos fomos conseguindo fazer alguns contactos para arranjar concertos por sermos novidade. Éramos das poucas bandas de hip-hop e os produtores queriam experimentar. Puseram-nos a tocar para ver o que acontecia mas depois sofriam as consequências. A maior parte do público estava à espera de uma banda com baixo, guitarras e bateria e não de ver três gajos, um nos pratos e os outros dois a cantar, a vomitar palavras para cima de uma caixa de ritmos. Lembro-me quando o José Castro nos convidou para irmos tocar ao cinema do Terço, ainda nos chamávamos Da Wreckas, e a reacção das pessoas até foi positiva, para a época.










Sentiram alguma divisão entre Lisboa e Porto?



Em Lisboa as coisas já estavam mais avançadas. Havia mais bandas e pessoas à volta do movimento. Aqui, no Porto, o circuito era mais reduzido. Para conseguirmos penetrar lá foi um bocado difícil pela distância. Aqui no Porto temos sempre essa desvantagem.










É a primeira vez que vão apresentar o "Suspeitos do costume" em Lisboa?



Já lá tocámos na altura da EXPO 98 e no Palco 6 mas com este álbum é a primeira vez. Nunca fomos ao Paradise Garage mas vai correr tudo bem. A única desvantagem é marcarem os concertos para muito cedo mas achámos que é a sala mais indicada para nós tocarmos.










Depois de terem tocado no Porto o que têm preparado para o espectáculo de Lisboa?



Uma festa onde não vão faltar as músicas antigas inclusivé do EP que nunca tocámos. Para quem nos conhece vamos contar com os convidados do costume que normalmente entram nos álbuns: os Circuito Secreto; o Berna, na primeira parte; e em vez dos Dealema, em Lisboa tocam os Melody.










Por falar no EP "Mind da Gap" sempre vão avançar com uma reedição?



Sim, estamos a fazer a remasterização para melhorar um bocado o som. Mal esteja tudo pronto vamos editá-lo. Em 1995 só lançámos 1000 unidades e os seguidores dos Mind da Gap estão-nos sempre a perguntar quando é que o têm disponível.










Pois porque agora já são mais que mil...



Na altura sobraram muitos discos nas lojas... (Risos) Mas agora é quase uma relíquia.










Os Mind da Gap são uns dos mais antigos representantes do movimento hip-hop em Portugal. Qual a vossa opinião sobre os novos projectos que têm surgido?



Há talento. Vê-se que as pessoas querem fazer boa música e, com força de vontade, estão a conseguir fazer chegar cá fora através das independentes. Isso é bom sinal. Espero que isto continue e que as pessoas não fiquem por aqui e não se iludam com a atenção que os meios de comunicação estão a dar agora ao hip-hop, porque é efémera. É preciso ter força para continuar e acreditar naquilo que se faz. Paralelamente, espero que haja uma evolução de termos de profissionalismo. Isso vem com o tempo. Quando começámos era tudo à balda e não ligávamos a nada em termos de organização dos concertos... essa parte também é importante porque há pessoas que continuam a não levar o hip-hop a sério porque pensam que é uma coisa de putos. Muitas vezes, quando há concertos, os grupos não se esforçam e continua a haver aquele estigma de que a malta do hip-hop nunca chega a horas e que os concertos são uma balda. É preciso mudar essa imagem.



O problema é dos meios de comunicação. Hoje em dia vemos jornalistas que, há uns anos atrás, criticavam o hip-hop, diziam que era completamente descabido, achavam que já tinha morrido há muito tempo e que o rock é que estava a dar, Mas agora falam como se fossem os maiores especialistas. É uma falta de coerência impressionante. Não sei o que é que eles querem. Andam para aí a defender o hip-hop como uma bandeira e a colarem-se uns aos outros. Nós já andamos aqui há muito tempo e conhecemos as manhas deles. Andam à procura de protagonismo e de um grupinho para apoiar e ajudar a lançar. Por vezes, os grupos como querem dar a conhecer a música e tornam-se vítimas desses joguinhos de interesse.










Em que se traduz, para vocês, a cultura do hip-hop?



Para nós o hip-hop tem quatro vertentes: graffiti, breakdance, rap e o DJ. A partir daqui não devia haver mais barreiras. Não é pela maneira de vestir que uma pessoa vai curtir mais ou menos hip-hop. Costumam catalogar-nos com uma atitude de gajos com a mania que são maus e que roubam as pessoas mas isso não tem nada a ver com a música. O que eu gosto no hip-hop é a paixão com que as pessoas vivem e a força e vontade com que as pessoas o fazem.


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