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Date Posted: 20:31:07 07/28/03 Mon
Author: Adriana Simões
Subject: Semana 13 - "Todos nós perdemos!"

Olá, Professora Vera e colegas!

Sei que a tarefa desta semana pede a análise da Guerra do Iraque. Mas gostaria de registrar um fato que ocorreu-me em 1995 e que relacionei ao 11 de setembro (assim acabo chegando à Guerra do Iraque).

Na época trabalhava no jornal Estado de Minas e decidimos produzir um CD-ROM sobre a II Guerra Mundial, em comemoração aos 50 anos de seu término. Acabei tão envolvida no trabalho de pesquisa de fotos, vídeos, depoimentos de pessoas que viveram aquela guerra, que decidi voltar à Alemanha em um roteiro que poderia ser visto como de péssimo gosto por alguns: Berlim, Potsdan, Dachau, Nuremberg... Próximo à Munique está o Campo de Concentração de Dachau, hoje um museu. Foi ali que pude ouvir diferentes histórias de uma mesma guerra. O guia do museu, um alemão cujo avô lutara ao lado de Hitler, mas que possuía vários amigos judeus, um guia americano que acompanhava uma excursão de americanos, e um grupo de estudantes japoneses de Nagasagui, com os quais tive oportunidade de conversar. Na época pensei: eles não falam da mesma guerra. Hoje compreendo que apenas usavam diferentes metáforas para descrevê-la. E dentro da "coerência" de cada metáfora todos estavam "falando a verdade". Da mesma forma em Nuremberg, as diferentes opiniões sobre aqueles que eram julgados: heróis ou vilões?

Hoje posso afirmar que GUERRA É CRIME era a metáfora do guia do museu e dos japoneses. Mas eles não excluíam os crimes de seus países da relação. Claro que para o guia americano a Alemanha - e todos os alemães - eram os vilões da história na qual apareciam mais uma vez como heróis. A GUERRA NEGÓCIO, com objetivo, risco e ganhos calculados, essa era a guerra que fizeram. Pensei então, naquele momento, que alemães e japoneses civis viveram a guerra de forma diferente dos civis americanos. Mais que isso: os americanos civis nunca viveram uma guerra diretamente. As bombas caíram na Alemanha, Itália, França, Londres... Caíram no Vietnã... Nunca na América (refiro-me a história mais recente e excetuando-se suas guerras internas). Talvez por isso seja difícil percebê-la como um crime... As perdas estão distantes, e quando são perdas americanas, são soldados ( o que nos leva aos riscos calculados: "não perdemos mais soldados do que imaginamos").

11 de setembro de 2001... A TV nos mostra ao vivo a população civil americana participando de sua primeira guerra como atores e não mais como telespectadores. Parecem descobrir, finalmente, que GUERRA É CRIME... Crime que mata inocentes. E ainda que em uma escala infinitamente menor do que o mundo gostaria, começamos a ouvir a população americana pensar no que seu país faz com o mundo. A vitória nos conflitos do outro lado do mundo teriam sido vitórias?

Na época do ataque ao WTC cheguei a ler um depoimento que dizia que apesar de ter tido menos vítimas o 11 de setembro foi mais violento que o 9 de agosto, pois a bomba atômica foi um ato de guerra, com o objetivo de obrigar a rendição dos japoneses, enquanto o único objetivo em Nova Iorque era matar pessoas. Esta declaração - que revoltou-me na época - hoje ilustra para mim, claramente, a idéia de Clausewitz sobre guerra: política de custo benefício (entendendo-se política como negócios). As 230.000 mil vítimas no Japão "valem" a rendição japonesa.

Enfim, a história se repete... Nem mesmo os nomes - por coincidência do destino e uma ajuda na contagem dos votos - mudaram: Saddam e Bush. As imagens de prisioneiros iraquianos exibidas pela TV são condenadas, já as imagens dos soldados americanos capturados... O que os torna diferentes? Na visão americana, o primeiro faz parte do "ganho", o segundo faz parte do "risco". O que se ganha é para ser exibido como um troféu. O que se perde... Mas é importante ressaltar, dentro desta minha "teoria", que os meios de comunicação estão de alguma forma levando essa guerra para a América. Pode-se ver em "close" o soldado atingido. Ao exibir-se a perda - ou ao exibir-se o "ganho" do inimigo - começamos a ver que a guerra não é só negócio. É também crime... As vítimas estão dos dois lados, assim como os vilões. Só não consigo encontrar os heróis desta história.

Para terminar lembro-me novamente do guia alemão do museu de Dachau. Certamente foi perceber que o ganho de seu avô significou também a perda do amigo judeu que fez com que chorasse ao nos mostrar o crematório e a sala dos chuveiros, falando baixinho: "Todos nós perdemos".

Um abraço e paz para todos!

Adriana

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