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Date Posted: 08:33:50 07/27/03 Sun
Author: Adriana Simões
Subject: Semana 12 - Reflexões

Professora Vera e colegas,

Apesar de ter enviado o resumo esta semana, vários problemas de ordem pessoal impediram-me de estar presente no nosso fórum. Mas se não escrevi, muito li e estudei sobre metáfora.

Começo endossando as palavras de Maria Célia: "o texto desta semana me pareceu muito complexo devido à grade quantidade de visões apresentadas (...)". Percebi esta complexidade na leitura e depois ao tentar resumi-lo em uma lauda. Esta mesma complexidade levou-me a dar esta parada para rever os conhecimentos que fui adquirindo ao longo destas doze semanas. Se alguns conceitos ainda trazem dúvidas, foi feliz que compartilhei com Sandra Gardellari a sensação de que algumas das reflexões dos autores "já sabíamos, sem sabê-lo".

Fico pensando na professora Vera, lendo nossas discussões já sabendo o que viria por aqui... Desde o início falamos de contexto. "A ficha caiu" surgiu nas primeiras discussões. "Tudo é metáfora?" perguntávamos já na análise de Drummond. Metáfora "institucionalizada", "dicionarizada", "literal", "do senso-comum"...tentativas de definir as metáforas do nosso dia-a-dia, aquelas que usamos sem perceber... inconscientemente...

Terminei de ler um livro do Rubem Alves e do Gilberto Dimenstein: "Fomos maus alunos". O livro é a transcrição de um encontro gravado. Segundo Alves, a oportunidade de oferecer ao leitor "as idéias no momento e na forma do seu aparecimento, antes que a razão lhe fizesse a toilette." Isso é o nosso fórum... Sabiamente também seguimos o ensinamento de Guimarães Rosa: não nos preocupamos com o ponto de partida ou de chegada: vivemos a travessia deste fórum.

Na tentativa de levar meus alunos a uma reflexão sobre as teorias sociológicas não sou "tradicional" nas minhas correções. Não cobro o que disse Marx, o significado de um conceito para Weber ou Durkheim. Incentivo o diálogo de meus alunos com estes pensadores. Devem concordar ou discordar de suas teorias, mas justificando seu ponto de vista. Por isso gostei tanto do texto desta semana. Acompanhar as "seis posições equivocadas" da visão tradicional sobre as metáforas foi um excelente exercício. Mas selecionei alguns pontos que se fizeram mais presentes em nosso fórum, para tentar apresentar como contribuição, que espero não seja tão tardia.

Maria Raquel nos pergunta: "Será que falo diferente da maioria das pessoas porque carrego muito forte dentro da alma essa bagagem de vida, e meu sistema conceitual está estruturado com esses elementos de forma a conduzir meu discurso de forma com que inadequada? (...) É possível que minha bagagem anterior seja assim tão forte, tão determinante? E ao mesmo tempo tão inconsciente que eu não consigo perceber aonde está o X da questão?"

No meu jeito de ver as coisas de forma geral - e no jeito que estou aprendendo a ver a linguagem a partir de Lakoff e seus parceiros-, a resposta só poderia ser SIM. Aliás, pareceu-me que o tempo todo - inclusive antes mesmo de lançar sua pergunta ao fórum - você também "se respondia SIM". Somos diferentes na nossa forma de falar porque temos histórias diferentes. É o ser mineira que me fez acrescentar ao vocabulário de Fernando, ele carioca, a palavra "arredar". Não é diferente com nossas metáforas, já discutimos isso aqui várias vezes. Admitir a influência de nossa bagagem nesta construção lingüística não seria concordar com os autores, discordando, portanto, da teoria do sentido literal que dá às palavras o "poder de significação"? Eu desconheço todos os exemplos retirados do container da sua família. Mas certamente tenho no da minha família alguma metáforas também desconhecidas por você. O interessante é tentar buscar nestas metáforas "históricas" (?) a metáfora original (lá estou eu dando novos nomes aos bois!).

Outra discussão que gostaria de comentar, pelo tanto que me fez refletir. Maura nos pergunta se PISCINA é uma metáfora morta. Maria Raquel discorda que PISCINA seja uma metáfora. "É um termo semanticamente autónomo", nos diz. Confesso: nunca pensei PISCINA como metáfora. Mas também nunca pensei PEDIGREE como tal. E se não tenho em mente, como nos disse Valquiria, a imagem de um guindaste ao emprega-la no meu cotidiano, porque PISCINA não poderia também ser uma metáfora que já não traz em seu uso a imagem da aquário? Gostaria de ter a certeza de Maria Raquel, mas permanece a dúvida levantada por Maura.

"E Maria guardava essas coisas no seu coração"... Sim, coração, como aponta Maria Raquel, pode ser "o órgão associado metaforicamente associado como o container do amor". ELE ESTÁ NO MEU CORAÇÃO, certamente significa eu o amo. Mas... MARIA GUARDAVA ESSAS COISAS NO SEU CORAÇÃO"... Sim, Maria amava Seu Filho. Mas isso seria o máximo que podemos afirmar? Não haveria ligação alguma com expressões tais como "by heart" e "par coeur"? Parece que no português "perdemos" a referência do "coração" naquilo que sabemos "de cor". Mas na frase essa metáfora também não seria possível? Tenho medo de afirmar que CORAÇÃO neste caso, é metáfora só para AMOR... Como pode perceber Maura, você me deixou cheia de dúvidas. Obrigada!

Ainda Maura, em resposta a Pedro, arrisca dizer que "o que Lakoff e Turner querem realmente é mudar a forma como concebemos a metáfora". Certamente que é isso. No meu entender - e fazendo uso das reflexões da Nádia - o que os autores buscam é nos fazer reconhecer a metáfora não apenas em "Ela é a luz do dia" - ou "Ele agiu como uma raposa", meu primeiro exemplo do que aprenderá, até então, ser metáfora - mas também em pedigree, piscina e decorar (mas e se Maria Raquel estiver correta e piscina e decorar não forem metáforas?). Certo é também que os autores, além do objetivo acima, querem nos mostrar que nem tudo é metáfora, o que está listado nas "seis posições equivocadas" da visão tradicional sobre metáfora. Mas como identificar o momento de "parar de buscar chifre em cabeça de boi?". Identificar metáforas é MUITO mais difícil do que imaginei um dia.

Sandra e Maria Célia discutem sobre o "sentido e o significado das palavras". Maria Célia escreve "que não é bem o significado da palavra que muda, mas sim a forma como essas palavras são conhecidas". Sandra concorda e acrescenta que "as palavras às vezes nos confundem em seu conceito inicial. Diz ainda: "Entendo que a foram pela qual entendemos as realidades representadas seja um 'efeito de sentido', que acontece no momento da inter-ação. Por outro lado, entendo que em alguns momentos as palavras podem também mudar seu significado. Não tenho um exemplo agora para ilustrar meu pensamento, mas acredito nisso." Pensei em MANGA, Sandra, mas pareceu-me simples demais. Ainda assim...

MANGA de camisa e MANGA fruta têm significados diferentes. Já quando usamos "dá pano para MANGA" estamos falando da possibilidade de sentidos diferentes para o que seja MANGA pano. Como citei em um momento deste fórum... "O tecido comprado na loja, molhado em casa, acabou encolhendo. Já não sabia se seria suficiente para o modelo de camisa escolhido: com gola e manga comprida. O telefonema da costureira informou: "Dá pano para manga!". Mas ninguém discordaria de mim ao afirmar que nosso fórum "dá pano para manga". Isso me fez pensar nos tradutores eletrônicos (é assim que são chamados?). Eles buscam o significado. No caso de MANGA aparecem dois. Podemos construi-los dando algumas pistas sobre qual significado escolher. Se MANGA vier acompanhado de suco, copo, jarro, é fruta. Acompanhado de vestido, camisa, pano, é parte de roupa. Mas e se a frase é "Estava bebendo um suco, derramei o copo e acabei manchando meu vestido." ... E com relação a expressão DA PANO PARA MANGA? O significado possível é apenas o da roupa. Mas temos o sentido construído.. Esse não se traduz pela palavra.. Fiz o teste! Veja a tradução para "Esse assunto dá pano para manga": " This subject GIVES CLOTH FOR SLEEVE". Não tenho a fluência de vocês no inglês, mas não me lembro de um sentido para a frase...

Por fim, que já passa da hora de enviar essa mensagem, a discussão sobre metáforas mortas. Talvez a dificuldade em compreender o que sejam as metáforas mortas esteja na aparente incoerência de "estarem mortas, mas presentes, ainda que inconscientemente". Como nos diz Maria Raquel, "elas desapareceram do uso convencional da linguagem de forma direta, mas passaram a estruturar nosso pensamento metaforicamente", daí a garantia de sua "vida eterna". A aparente incoerência estaria ainda na idéia de que as metáforas mais vivas e presentes e com maior poder são aquelas que de tão automáticas são inconscientes.

Bom, desculpando-me mais uma vez por não ter contribuído durante a semana, fico por aqui. Preciso redigir o próximo resumo.

Um abraço para todos,

Adriana

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