Date Posted:05:21:40 07/31/03 Thu Author:Neuda Lago Subject: Re: 13ª semana - Vitória incerta In reply to:
Vera Menezes
's message, "Re: 13ª semana - Vitória incerta" on 08:46:40 07/29/03 Tue
Caros professora Vera e colegas,
O discurso da guerra do Iraque, como tem sido mostrado muito bem nos textos postados, não é muito diferente daquele da guerra do Golfo (ou, poderíamos quase generalizar: não é diferente daquele de qualquer guerra, mudando apenas os papéis). Com relação à vitória, que tanto na metáfora A Guerra é um Jogo, quanto no conto de fadas da Guerra Justa seria bem definida, percebi dois discursos dos “ganhadores” e “heróis” americanos e aliados.
Encontrei na fala de Bush, divulgada na Folha de São Paulo de 30/07 uma celebração de vitória certa, provada pela morte de Uday e Qusay: “O presidente George W. Bush disse hoje que a morte de dois filhos de Saddam Hussein demonstra ao povo iraquiano que o antigo regime foi derrubado para sempre”. Se o inimigo aqui é o antigo regime, então a vitória, mais do que certa para o presidente americano, é eterna.
Entretanto, num depoimento dado pelo coronel americano Jim Hickey, comandante da brigada responsável pela captura de Saddam no Iraque, a posição quanto à vitória é mais maleável. No mesmo jornal, o comandante afirmou: “"Está por aqui? Não sei... é possível. Mas pode ser também que tenha entrado na Suíça. De certo, temos poucas informações, mas se estiver por aqui vamos encontrá-lo. Isso colocará um fim aos ataques contra nossos soldados? Impossível dizer..." Se a vitória, para o militar, se referir à aceitação pacífica dos americanos pelo povo iraquiano, com o conseqüente fim dos ataques articulados contra seus soldados, então ela não parece acenar com tanta convicção, mesmo se Saddam for capturado.
Abraços,
Neuda